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Técnico destaca gratidão de 'Bate-Estaca': "Conheci ganhando R$ 300"

Fábio Oberlaender

Ag. Fight

24/01/2019 17h13

O treinador de MMA Gilliard 'Paraná' é tido com um segundo pai pela desafiante ao cinturão peso-palha (52 kg) do UFC, Jéssica 'Bate-Estaca'. Técnico de longa data da paranaense, o ex-lutador revelou que conheceu a brasileira em um 'pesque e pague', no qual a hoje atleta recebia R$ 300 por mês. Deste modo, o líder da academia PRVT contou que o carinho da estrela do Ultimate se baseia na gratidão por ele ter servido como "professor" e "direcionador" de sua carreira.

Em entrevista exclusiva à Ag. Fight, 'Paraná' disse que trata seus pupilos como integrantes da família. Ciente de que exerce papéis fundamentais na vida profissional de Jéssica e dos outros atletas da academia, o técnico criticou os lutadores que se desvinculam de um "líder" e, assim, optam por realizar seus treinamentos de maneira independente. De tal maneira, Gilliard correlaciona a boa parceria entre treinador e aprendiz como fator fundamental para o sucesso do profissional de MMA.

"Conheci a Jéssica no 'pesque e pague', ganhando R$ 300 por mês. Não sabia falar, não sabia sentar, nunca tinha ido num restaurante. Um dia eu falei: 'Vamos no McDonald's', e ela achou que a gente estava chamando ela para ir em um canil, ou carpir uma roça. Então, atribuo (a continuidade da lutadora na academia) a isso: ela é grata. As pessoas estão acabando com o esporte, porque, sem um líder, um professor, um direcionador, você nem começa a treinar. É injusto você formar um atleta e depois ele seguir por aí fazendo camp sozinho. E os números são claros: a grande maioria que faz isso se dá mal", ressaltou. 

"A gente tem vários exemplos de atletas que ganhavam tudo, eram duríssimos em suas equipes originais, e quando começaram a fazer os camps individuais, em um camp contratar fulano, em outro contratar sicrano... Quer dizer, não tem aquela parceria, aquele instinto de ouvir a voz da mesma pessoa sempre, a segurança... Eu trato isso muito como família. É como um filho que não sabe andar querer andar sem o pai. Não vai ter a mesma confiança. Eu sou totalmente contra isso, não porque isso me favorece, mas porque a gente começa o trabalho junto para aposentar o atleta junto com ele. Então, acho que isso prejudica muito os atletas", completou.

E ninguém melhor do que 'Bate-Estaca' para confirmar as palavras de seu mestre. Também em conversa com a Ag. Fight, a lutadora destacou a confiança em 'Paraná' e nas suas companheiras de equipe e garantiu: já possui tudo o que precisa para se manter em alto nível em um dos esportes que mais exige dos atletas - tanto física quanto psicologicamente.

"Eu sempre confiei muito no que o mestre 'Paraná' me falou. Acredito que essa parceria que a gente tem de anos é um elo muito forte, então, desde as minhas primeiras lutas, a gente sempre teve isso, de ele falar, eu escutar e, logo em seguida, fazer, como se fosse um controle remoto mesmo. Então, acho que eu nasci para ser da PRVT, e a PRVT nasceu para ser a minha equipe. Não preciso sair do Brasil para procurar treino, para procurar melhorar em nada. Tenho um time maravilhoso de mulheres aqui que são as melhores do Brasil, tenho treino de judô, de jiu-jitsu, de muay thai, de kickboxing, de MMA, e o time está perfeito. Time que está bom não se muda", falou.

Aos 27 anos, 'Bate-Estaca' disputará o cinturão dos palhas contra Rose Namajunas no dia 11 de maio. Esta será a sua segunda oportunidade de se tornar campeã do Ultimate, já que em seu primeiro desafio pelo título, em 2017, Jéssica foi superada por Joanna Jedrzejczyk após decisão unânime dos jurados. Ao longo da carreira profissional no MMA, a atleta da academia PRVT somou 19 triunfos e seis derrotas.

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