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Lyoto Machida se oferece para revanche contra Vitor Belfort no Bellator

Fábio Oberlaender, no Rio de Janeiro (RJ)

Ag. Fight

21/12/2018 09h00

O ex-campeão do UFC Lyoto Machida surpreendeu ao assinar contrato com o Bellator, em meados deste ano, logo após derrotar o compatriota Vitor Belfort. Passada a surpresa da mudança, ele foi escalado para estrear na companhia no último sábado (15), no Havaí (EUA), onde venceu Rafael Carvalho. Vencida a expectativa da primeira luta na empresa, o 'Dragão' pôde analisar as diferenças entre o evento do qual fez parte por mais de 11 anos e a nova casa, além de deixar as portas abertas para uma possível revanche contra o 'Fenômeno'.

Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight, Lyoto destacou as qualidades do Bellator, como o apoio por parte do quadro de funcionários a proximidade em relação à diretoria. Além disso, ele revelou ter sentido menos exigência e pressão na semana que antecedeu o evento no Havaí, em comparação à época na qual pertencia ao UFC. Tal situação o levou, inclusive, a questionar-se em relação à grandiosidade do Bellator, mas, de acordo com o ex-campeão do UFC, todas as dúvidas sobre o 'tamanho' da companhia foram sanadas quando ele pisou no cage.

"Senti as pessoas muito próximas. A diretoria muito próxima da gente, o staff todo dando um suporte muito bom também, e o público é diferente. É difícil até de explicar, mas é diferente. Não sei se foi porque o UFC cresceu muito que a diretoria se afastou. (...) Algumas coisas são muito parecidas, mas senti a exigência menor, a pressão menor. Não sei se foi porque estávamos no Havaí, no paraíso, mas muitas vezes não parecia que seria tão grandioso como foi. Só no dia da luta que foi aquele negócio grandioso. No UFC, durante a semana, a gente sente uma pressão um pouco maior, compromissos maiores, e, com isso, ficamos na expectativa da grandiosidade do evento. Mas o evento (do Bellator) é muito grande, o show é muito bonito, tudo muito bem organizado, mas senti a pressão menor durante a semana", revelou.

Machida ainda explicou uma declaração que deu após a vitória contra Carvalho, quando disse ter ficado "perdido" no início da luta contra o ex-campeão peso-médio (84 kg) do Bellator. Lyoto dominou o último round do combate, mas os dois primeiros tiveram bons momentos tanto dele quanto do adversário. Apesar disso, o carateca conseguiu a vitória - por decisão dividida dos juízes laterais -, o que o deixou confiante para os próximos desafios.

"Por mais que eu tenha muitas lutas na carreira, seja um lutador experiente, é sempre uma coisa nova. A entrada é diferente, o octógono é diferente, sente-se a pressão do evento... Então, para mim, a estreia não foi tão fácil assim. Pensei que pudesse ser mais fácil, pela experiência que eu tinha, mas pisar em um cage novo foi diferente. (...) Quando entrei, me senti diferente. O público diferente, a posição diferente. Então, com isso daí, eu fiquei um pouco perdido no início. Depois, no segundo round, eu consegui entrar mais na luta. Querendo ou não, isso mexe um pouco com o psicológico, apesar de eu ser um lutador experiente. (...) Então, isso tudo pesou um pouco, mas nada que eu não pudesse controlar e realizar a luta da maneira que eu queria", contou.

Ainda que não tenho conquistado a vitória por nocaute, Lyoto se mostrou satisfeito com o seu desempenho no octógono. À reportagem da Ag. Fight, ele opinou que realmente mereceu triunfar no Havaí, apesar de ter sofrido com alguns golpes duros do seu oponente.

"Eu me senti bem agressivo, bem confortável, no sentido técnico, apesar de o Rafael ser um cara muito duro, é o ex-campeão, vem de grandes vitórias. Então, para mim foi muito legal. (...) Acredito que eu mereci a vitória, porque eu fui mais contundente, toquei mais nele, consegui ser mais efetivo nesse lado, levei a luta para baixo, consegui posição de montada... No primeiro round, o Rafael foi duro, aquele golpe que jogou no meu rosto foi duro, mas acredito que foi a única coisa que ele realmente encaixou", afirmou, referindo-se a um direto que tirou sangue de seu nariz.

Aos 40 anos, Machida hoje luta nos médios e, deste modo, aspira ao cinturão de tal categoria no Bellator. No entanto, ele aponta que ainda poderá voltar aos meio-pesados (93 kg), divisão em que conquistou o título do UFC, em 2009. Além disso, o veterano garante: não teria problema algum em conceder a revanche a Vitor Belfort, que anunciou esta semana que voltará a competir em 2019.

"Eu já lutei com o Belfort uma vez, então não tem por que eu não dar uma revanche a ele. Mas acho que isso é uma questão de tempo. Belfort vai voltar, mas não sei nem onde que ele irá retornar, se será no Bellator, no UFC... Mas é como eu falei, minha carreira é uma linha reta. Não estou pensando em opções, em criar situações desagradáveis, quero traçar meu caminho, ser campeão do Bellator e ter outros desafios na carreira dentro do próprio evento. Competir em outras categorias... Talvez até fazer algumas lutas no meio-pesado. (...) Acredito que posso competir em alto nível e dar o meu melhor por mais dois, três, quatro anos", concluiu.

Natural de Salvador (BA), Lyoto pode também enfrentar outro antigo rival no Bellator. O atual campeão dos médios da organização, Gegard Mousasi, foi superado por Machida em 2014, quando ainda competiam no UFC. Ao longo da carreira profissional como lutador de MMA, o brasileiro somou 25 vitórias e oito derrotas.

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