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Empreendedora, Kyra analisa desafio de organizar Gracie Pro em meio à crise

Gaspar Bruno, no Rio de Janeiro (RJ)

Ag. Fight

28/09/2018 08h00

O Brasil enfrentou, entre 2014 e 2016, um intenso período de recessão econômica. E foi em 2017, em meio ao cenário de tímida recuperação que o país começava a passar, que Kyra Gracie resolveu tirar do papel o Gracie Pro, evento de jiu-jitsu que busca unir alta qualidade em lutas da arte suave com uma estrutura que proporcione uma experiência além do esporte. E, depois do sucesso da primeira edição, em julho do ano passado, o show chega ao Maracanãzinho, neste fim de semana, repleto de grandes nomes da modalidade. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, Kyra analisou o desafio de vencer a crise e emplacar uma grande competição em território nacional.

Apesar de idealizar, organizar e promover o Gracie Pro, Kyra declarou que, para além do olhar empresarial, vê-se como "antes de mais nada uma professora de jiu-jitsu que ama muito o esporte e acredita nele". Mas, como gestora, a atleta e comentarista do canal Combate destaca a preocupação também com a "experiência" do espectador.

"A ideia do Gracie Pro é antiga, pelo fato de eu ter sido atleta minha vida toda e de ter sentido falta desse carinho com os lutadores, desta promoção com eles, de cuidar de cada um, de chegar lá e ter um evento para a família, onde você tem uma área infantil, onde você consegue comer bem, onde se tem conforto. É uma experiência de um campeonato. Então eu resolvi criar um evento para os atletas, para a família e para elevar o nome do jiu-jitsu aqui no Brasil. Até o ano passado, que a gente teve o Roger com o 'Buchecha', a gente não conseguia mais grandes lutas de jiu-jitsu aqui. Quero fomentar o jiu-jitsu no Brasil", falou.

Na opinião de Kyra, ainda que o momento econômico do país não seja dos melhores, é necessário acreditar que há espaço para realizar um evento da arte-suave que leve o esporte a um novo patamar. Ressaltando que o show ainda não proporciona lucro aos organizadores, ela declarou que os possíveis resultados futuros valem o risco.

"Eu lancei o Gracie Pro e a Gracie Kore, que é a minha academia, em um momento complicado da economia no Brasil. Mas esta instabilidade financeira já vem há muitos anos. Então, você fica naquela situação: 'Será que é a hora de investir?'. Mas eu acredito. Minha academia está funcionando há quase três meses, está dando super certo. Acredito muito no jiu-jitsu. O evento é uma aposta que eu faço. Hoje a gente não tem lucro, a maioria das edições a gente está colocando dinheiro do nosso bolso, porque a gente acredita que isso pode se tornar, sim, um produto para espalhar pelo Brasil, e não só pelo Brasil, mas pelo mundo também", disse.

O evento e a academia, entretanto, não são as únicas investidas de Kyra no mundo empresarial. Ela tem uma linha de joias feita em parceria com a grife carioca L/DANA, inspiradas nas deusas virgens da mitologia grega, como Atena, Ártemis e Héstia. "Tem uma pegada muito bacana da mulher guerreira, que corre atrás de seus sonhos. E faz uma analogia com a minha história dentro do jiu-jitsu", contou.

Mulheres e homens: condições iguais

De acordo com a lutadora-empresária, a primeira edição do Gracie Pro, realizada na Arena Carioca I, reuniu mais de 1.500 fãs. Para o evento deste fim de semana, as apostas para atrair o público é contar com ainda mais lutas chamativas: Fernando 'Tererê' vs Raphael Abi-Rihan, 'Serginho' Moraes vs Gilbert 'Durinho' e Jessica Swanson vs Tayane Porfírio. E com mulheres em ação no tatame, Kyra deixa claro que a premiação delas terá o mesmo valor das categorias masculinas. "Quero incentivar o jiu-jitsu feminino", ressaltou.

Por fim, uma curiosidade. Como Serginho tinha luta marcada no último sábado no UFC São Paulo, no qual acabou derrotando Ben Saunders por finalização, a negociação da luta principal envolveu cautela, uma vez que um simples corte no rosto poderia impedir o paulista de competir. Por sorte, como salientou Kyra, não houve qualquer complicação. Com a lesão de Clark Gracie, oponente original para a disputa, tanto Gilbert quanto Moraes não impuseram dificuldades para que o evento acontecesse.

"A gente estava sem plano B, porque já estava tudo organizado para o Clark, mas infelizmente ele se machucou. E o Durinho eu conheço há muitos anos, competimos nos mesmos eventos. É um cara muito carismático, que tem um jiu-jitsu de primeira. A gente conversou com o Durinho, deu a opção do Serginho, e ele na hora topou. Inclusive, o Durinho é muito casca-grossa. Ele topa qualquer um. Eu: 'Ah, o que você acha de fulano?' E dei vários nomes. E ele: 'Kyra, você escolhe. Estou pronto para tudo'. É muito legal trabalhar com atletas assim. E o meu objetivo é trabalhar com eles mais vezes e que a gente possa a cada ano ter mais lutas especiais", falou.

"O Serginho aceitou logo de cara. Mandei uma mensagem para ele, e ele na hora: 'Kyra, quero sim'. E ele estava com a luta agendada, né? Aí eu falei: 'Serginho, de repente eu posso ver outra pessoa, porque você está com luta agendada, se você se machuca, sei lá'. E ele: 'Não, não vou me machucar e vou lutar o evento'. Estava confiante", lembrou.

O Gracie Pro começa ás 8h deste sábado (29). Para o primeiro dia, os ingressos custam 1 kg de alimento não perecível mais R$ 5 ou R$ 10. Atletas não pagam.

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