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Grande demais para o MMA, McGregor aposta fichas no boxe para entrar para a história

Ag. Fight

26/08/2017 06h00

McGregor enfrenta Mayweather neste sábado, em Las Vegas – Florian Sadler

A carreira meteórica de Conor McGregor no UFC é baseada em alguns pontos-chaves: ousadia para se promover sem receio de fazer inimigos, coragem para encarar os maiores obstáculos sem nunca andar para trás e talento de sobra para vencer grandes rivais no octógono. E diante do tamanho do desafio que ele irá encarar neste sábado (26) no ginásio T-Mobile Arena, em Las Vegas (EUA), o irlandês precisará contar com todos esses fatores em pleno ápice.

Acostumado a apostar no formato 'all in', termo usado no mundo do poker para se referir a uma movimentação que, caso dê errada, lhe custará todas as suas fichas, McGregor empurrou sua carreira sempre com o máximo de vigor, até que o mundo do MMA ficou pequeno e pouco rentável para o seu talento. Por isso, em uma cartada apontada como impossível dois anos atrás, ele estreia no boxe profissional para medir forças contra Floyd Mayweather, um invicto pugilista multicampeão mundial de boxe em cinco categorias de peso diferentes.

Franco favorito por motivos óbvios, Mayweather tem mais a perder do que a ganhar. Além dos estimados 350 milhões de dólares de lucro (cerca de R$ 1 bilhão), o americano garante, em caso de vitória, seu triunfo de número 50 e passa a marca de 49-0 do pesado-pesado Rocky Marciano. Fora isso, nada mais lhe interessa a ponto de uma vitória por pontos ser considerada derrota moral.

Já o irlandês, franco atirador, posição que sempre lhe caiu como uma luva, deve receber por volta dos 100 milhões de dólares. A quantia, quase três vezes maior do que o que ele recebeu no ano de 2016 inteiro, quando fez três combates, é clara prova de que o UFC precisará se readaptar caso queira mantê-lo ativo no octógono. Ainda mais em caso de uma improvável vitória neste sábado.

Rosto mais famoso das artes marciais mistas do mundo, Conor ganhou a confiança dos patrões quando assumiu a responsabilidade de liderar a organização. Em tempos em que Ronda Rousey, Jon Jones e Georges St-Pierre se mantiveram afastados por motivos diferentes, 'The Notorius' encarnou o personagem, quebrou recordes de bilheteria e vendas de pay-per-view e criou uma rivalidade inexistente e absurda com um ícone do boxe no ponto mais alto que sua carreira poderia chegar. E tudo isso aos 29 anos.

Verdade seja dita, uma vitória do irlandês á praticamente impossível tamanha a perícia técnica de seu rival. Mas o poder de arrastar multidões a estádios e ginásios não apenas para vê-lo lutar, mas também para comandar uma simples coletiva de imprensa é algo que não será ignorado por nenhuma das partes envolvidas na superluta.

Qualquer que seja o resultado da luta, Floyd estará definitivamente aposentado no domingo, aos 40 anos. Mas, por sua vez, Conor estará na flor da idade e terá mostrado tanto ao UFC, ao canal Showtime e ao tradicional mundo do boxe que ele pode gerar cifras que nem mesmo ícones da nobre arte como Saul 'Canelo' ou 'GGG' podem. Sua vitória fora do ringue já está garantida.

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