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Tênis feminino mantém disputa com a China; COI volta a fazer contato com Peng Shuai

02/12/2021 09h38

Lausana, Suíça, 2 dez 2021 (AFP) - O tênis feminino mundial mostrou sua determinação a respeito de Pequim ao suspender os torneios na China devido à situação da jogadora Peng Shuai, com a qual o Comitê Olímpico Internacional (COI) voltou a manter uma videoconferência para, segundo a entidade, seguir com uma "abordagem humana" do caso.

"Compartilhamos a mesma preocupação que muitas outras pessoas e organizações sobre o bem-estar e a segurança de Peng Shuai, mas nós optamos por uma abordagem muito humana e centrada na pessoa", afirmou a entidade olímpica em um comunicado, sem divulgar gravações de áudio ou imagens da conversa com a tenista.

- Nova reunião de meia hora -O presidente do COI, Thomas Bach, conseguiu há 10 dias o primeiro contato de um interlocutor estrangeiro com Peng Shuai.

Desta vez uma "equipe do COI" conduziu a segunda videoconferência "de meia hora", na qual a tenista "parecia em segurança e bem, levando em consideração a situação difícil em que se encontra".

Como em seus comunicados anteriores sobre o caso, o COI não faz referência às acusações de agressões sexuais que Peng Shuai apresentou no início de novembro contra um ex-dirigente do governo chinês. Não pediu esclarecimentos sobre o tema nem garantias sobre as liberdades de movimentos da atleta.

A postura, vista por muitos como uma maneira de manter a relação com a China, que será a sede em Pequim dos Jogos Olímpicos de Inverno dentro de dois meses (4-22 fevereiro de 2022), contrasta com a decisão anunciada na quarta-feira pela WTA, que administra o circuito feminino profissional de tênis, de suspender seus torneios no país.

Steve Simon, presidente da WTA, pediu novamente uma "investigação completa e transparente, sem censuras" sobre as acusações de Peng, ex-líder mundial do ranking de duplas, de supostos abusos sexuais do ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli.

As autoridades chinesas se limitaram a expressar "firme oposição aos atos para politizar o esporte", nas palavras de Wang Wenbin, porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

A Associação Chinesa de Tênis expressou "indignação" em uma mensagem publicada no jornal oficial Global Times.

A China é um dos principais mercados da WTA, que poderia sofrer perdas de centenas de milhões de dólares com a decisão. Em 2019, o país recebeu 10 eventos do circuito feminino, com uma premiação total de 30 milhões de dólares distribuídos entre os torneios.

"Não vejo como pedir às nossas atletas para participarem de torneios quando Peng Shuai não tem permissão para se comunicar livremente e supostamente esteve sob pressão para se retratar de suas acusações de violência sexual", afirmou Simon.

Nenhum torneio da WTA está previsto até o fim deste ano e o calendário de 2022 ainda não foi divulgado.

Durante a temporada de 2019, a última antes da pandemia de covid-19, 10 competições foram realizadas na China, incluindo o Masters feminino no fim do ano.

- Apoio de Djokovic -Peng Shuai, de 35 anos, não apareceu em público durante quase três semanas em novembro, depois que publicou nas redes sociais uma longa mensagem em que acusava o ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli, 40 anos mais velho, de tê-la "forçado" a relações sexuais durante uma relação que durou vários anos.

A decisão de suspender os torneios na China foi apoiada por grandes nomes do tênis, do sérvio Novak Djokovic à lenda americana Billie Jean King, vencedora de 12 títulos de Grand Slam. Ela afirmou que a WTA "está do lado certo da história".

Djokovic, número um do ranking da ATP, elogiou a decisão "corajosa", no momento em que "não temos informações" sobre o paradeiro da tenista Peng Shuai e seu bem-estar.

A ex-tenista Martina Navratilova afirmou que esta é uma "posição corajosa de Steve Simon e da WTA ao colocar os princípios acima dos dólares e ficar ao lado das mulheres".

Peng Shuai reapareceu em 21 de novembro em um restaurante de Pequim e durante um torneio de tênis realizado na capital chinesa, segundo vídeos publicados pela imprensa oficial.

A WTA afirmou à AFP no sábado que Steve Simon havia enviado dois e-mails à tenista, mas que "estava claro que suas respostas foram influenciadas por outras pessoas", acrescentando que ele continua "profundamente preocupado" com a situação de Peng Shuai.

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