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Técnico de time feminino dos EUA é demitido após acusação de assédio sexual

Paul Riley, ex-técnico do North Carolina Courage, é acusado de assédio sexual - Reprodução/Instagram
Paul Riley, ex-técnico do North Carolina Courage, é acusado de assédio sexual Imagem: Reprodução/Instagram

30/09/2021 20h55

O inglês Paul Riley, técnico do North Carolina Courage, time da principal liga americana de futebol feminino (NWSL, pela sigla em inglês) e da brasileira Debinha, foi demitido hoje após acusação de assédio sexual.

O site "The Athletic" foi o responsável por denunciar escândalo de assédio sexual que ocorreu ao longo de uma década, e em times distintos. O artigo, publicado hoje, contou com depoimentos formais das jogadoras Sinead Farrelly e Meleana "Mana" Shim. Outras atletas preferiram o anonimato.

Em um comunicado, o North Carolina Courage divulgou que Riley foi demitido depois que "alegações muito sérias de má conduta" se tornaram conhecidas.

"À luz das notícias de hoje, o North Carolina Courage demitiu o técnico Paul Riley, com efeito imediato, após sérias alegações de conduta inapropriada. O Courage apoia e elogia as jogadoras que deram um passo adiante por corajosamente compartilhar suas histórias", disse o clube.

Segundo as atletas, os episódios de conduta inapropriada e assédio sexual aconteceram em situações públicas e também em encontros a sós. Shim, inclusive, reportou a situação à direção do Portland Thorns FC durante a passagem de Riley pelo clube, na temporada 2014-2015. O treinador deixou o clube ao final da temporada, mas aparentemente por conta de resultados ruins. A investigação interna não foi mencionada publicamente.

Já Farrelly, que atuou em três equipes comandadas por Riley, em três ligas distintas, o acusou de assédio sexual quando ele era seu treinador no Philadelphia Independence.

A jogadora disse que foi coagida a fazer sexo com o técnico em seu quarto de hotel, após a derrota na final da Liga Profissional de Futebol Feminino (WPSL) em 2011. De acordo com seu depoimento, Riley teria dito a ela "para levar isso para o túmulo" após o incidente.

As jogadoras também relataram que, quando integravam a equipe do Thorns, Riley as forçou a se beijar enquanto estavam em seu quarto.

"Esse cara tem um padrão", disse Shim ao "The Athletic".

Alex Morgan, estrela da seleção americana e ex-jogadora do Portland Thorns, que trabalhou com Riley, confirmou as acusações de suas então companheiras de equipe e disse que tentou ajudá-las a registrar uma denúncia na liga.

"Estou enojada e tenho muitos pensamentos para compartilhar agora", escreveu Morgan no Twitter. "Conclusão: proteja suas jogadoras. Faça a coisa certa NWSL."

Em um comunicado ao portal, Riley negou ter se comportado de forma incorreta e disse que as acusações são "completamente falsas". O treinador, porém admitiu que costumava socializar com jogadoras, incluindo em saídas noturnas.

"Nunca fiz sexo com essas jogadoras ou fiz propostas sexuais a elas", disse.

A comissária da liga, Lisa Baird, afirmou que a liga ficou "chocada e enojada" com as revelações e declarou que está implementando um novo processo de denúncia anônima para jogadoras, comissão técnica e membros da equipe de organização.

Já a USA Soccer (responsável pela modalidade no país) afirmou que "o comportamento relatado pelas corajosas atletas é repulsivo, inaceitável e que não tem lugar na sociedade". A entidade informou que a licença de técnico de Riley foi suspensa.

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