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Ana Marcela Cunha agarra em Tóquio o fugidio ouro olímpico

03/08/2021 22h11

São Paulo, 4 Ago 2021 (AFP) - Ana Marcela Cunha não nadou nas águas londrinas. Em Pequim e no Rio de Janeiro, suas braçadas foram menos potentes que as das adversárias. Mas, no mar de Tóquio, a nadadora baiana, uma das mais consagradas atletas da maratona aquática, finalmente agarrou o ouro olímpico.

Em Pequim-2008, aos 16 anos, ficou perto do pódio (5º) na estreia olímpica da maratona aquática. Em Londres-2012, não conseguiu a classificação e, no Rio-2016, teve que se contentar com o 10º lugar após perder uma reposição líquida.

A decepcionante performance olímpica daquela que é considerada por muitos a maior atletas da maratona aquática da história teve um final feliz nesta quarta-feira (terça-feira em Brasília), após os 10 km da prova disputada no Parque Marítimo de Odaiba, uma ilha artificial na capital do Japão.

Quatro vezes campeã mundial nos 25 km (2011, 2015, 2017, 2019), uma vez nos 5 km (2019) e dona de dez recordes no Guinness por número de títulos e vitórias (25 até 2019) em séries mundiais da maratona aquática da Federação Internacional de Natação (Fina), Ana Marcela conquistou o ouro em Tóquio com um tempo de 1:59:30, chegando à frente da holandesa Sharon van Rouwendaal (+0,9), campeã no Rio, e da australiana Kareena Lee (+1,7).

O ponto mais alto do pódio em Tóquio vai engrossar uma já impressionante vitrine que inclui 66 medalhas (33 ouros, 16 pratas e 17 bronzes) de competições de 5, 10 e 25 km da Fina, além do ouro nos Pan-americanos de Lima-2019 nos 10 km e seis dos dez prêmios entregues à melhor nadadora de águas abertas do mundo.

"Eu amadureci muito para chegar até aqui e só tenho uma coisa a dizer: acreditem nos seus sonhos", declarou a campeã olímpica após ganhar o ouro, o primeiro do Brasil na modalidade.

- Da creche ao mar -Ana Marcela está conectada ao mar desde muito cedo. Ela aprendeu a nadar quando tinha dois anos. Foi a mãe que lhe ensinou a dar as primeiras braçadas para evitar sustos na piscina da creche.

Mas seu coração urgia pelo mar e com oito anos ela já praticava em águas abertas, impulsionada pela cultura marítima de Salvador, sua cidade natal.

"Sempre gostei de nadar ao ar livre, nos rios, nas praias", explicou Cunha, de 29 anos, ao site oficial dos Jogos de Tóquio.

Ana Marcela ganhou destaque rapidamente e estreou em Olimpíadas em Pequim aos 16 anos. Desde então, apareceu com bastante frequência nos pódios de um esporte muito exigente.

"Eu treino todos os dias da semana, exceto no domingo. Começo às 6h00 da manhã, como, descanso, e depois faço outro treino pela tarde. Isso dá uns 300 km por mês, dependendo da estação", explica.

- Problema de saúde -Depois da decepção no Rio, em outubro de 2016 ela sofreu outro baque. Uma doença auto-imune forçou a remoção de seu baço, embora em pouco tempo ela já estivesse de volta ao mar.

De braços e pernas tatuadas e com os arcos olímpicos gravados no ombro direito, Ana Marcela gosta de compartilhar nas redes sociais seus coloridos e chamativos cortes de cabelo, além de fotos com a namorada e mensagens positivas para que os jovens se apaixonem pelo esporte.

Um de seus ídolos é Ayrton Senna. Durante uma prova de 36 km entre Capri e Nápoles, na Itália, Ana Marcela usou uma touca no estilo dos capacetes do inesquecível tricampeão mundial de Fórmula 1.

Embora ela, a braçadas, e por si só, há muito tempo tenha conquistado seu lugar na história do esporte brasileiro.

"Procuro sempre compartilhar cada sucesso com os outros. Não sou nem melhor, nem pior do que ninguém. Sou apenas a Ana Marcela das maratonas em águas abertas".

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