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Um adiamento olímpico com efeitos positivos e negativos para os atletas

22/06/2021 09h56

Paris, 22 Jun 2021 (AFP) - O adiamento por 12 meses dos Jogos de Tóquio, de 2020 para 2021, afetou a preparação dos atletas e adicionou novas variantes como a idade, que pesa muito para alguns, ou as lesões, seja porque permitiram o tempo de recuperação ou porque um problema este ano acabou com o sonho olímpico.

Em outubro do ano passado, um dos melhores jogadores de handebol do mundo, o francês Nikola Karabatic, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e a seleção temeu por sua ausência nos Jogos de Tóquio em 2021.

A recuperação da grave lesão foi relativamente rápida e Karabatic se prepara para os Jogos, mas com uma atenção especial ao joelho, o que não teria acontecido em 2020 se a covid-19 não provocasse uma mudança dos planos.

Outro em dificuldade é o surfista americano John John Florence, duas vezes campeão mundial, que passou por uma cirurgia no joelho esquerdo e faz de tudo para estar recuperado a tempo de disputar os Jogos de Tóquio.

O americano Christian Taylor, bicampeão olímpico do salto triplo, está fora da disputa olímpica. Ele rompeu o tendão de Aquiles do pé direito em maio.

A campeã de ciclismo americana Chloé Dygert, lesionada em setembro de 2020, completou a recuperação, mas seu estado é uma incógnita. Se os Jogos tivessem sido disputados no ano passado, ela teria sido uma das grandes favoritas da prova contra o relógio de estrada e também das provas de perseguição (individual e por equipe) na pista.

- Tempo como aliado -Para outros atletas, o ano adicional foi um aliado por motivos diversos.

Um dos exemplos é o francês Renaud Lavillenie, ex-recordista mundial do salto com vara, que treinou em seu jardim durante o confinamento.

No início de 2021 ele conseguiu recuperar o nível que não alcançava nos últimos anos, ao superar a marca de seis metros.

Nas pistas de atletismo, a velocista americana Sha'Carri Richardson (21 anos) ganhou destaque este ano com o tempo de 10 segundos e 72 centésimos nos 100 metros. Hoje ela é uma das possíveis medalhistas da prova, algo que não teria acontecido em 2020.

Por sua vez, as atletas que sofrem de hiperandrogenismo Caster Semenya e Francine Niyonsoba tiveram mais tempo para passar de sua prova de origem, os 800 metros, da qual não podem mais participar de acordo com o regulamento caso não se submetam a um tratamento hormonal, a outras distâncias permitida pelas normas, como os 5.000 metros.

Caster Semenya, no entanto, ainda precisa conseguir a vaga nos Jogos e o tempo joga contra. No sábado 19 de junho ela falhou na Alemanha em uma nova tentativa de obter o tempo mínimo necessário e o limite para a classificação é 29 de junho.

O adiamento de um ano ajudou, por exemplo, a polonesa Anita Wlodarczyk, bicampeã olímpica do lançamento de martelo. Ela conseguiu uma recuperação completa após uma lesão e cirurgia em 2019.

- Questão de idade -Alguns atletas não tinham idade para participar nos Jogos Olímpicos em 2020, mas cumprem o requisito em 2021. A situação tem um efeito particular na ginástica artística.

A russa Viktoria Listunova, campeã mundial júnior, de apenas 16 anos, conquistou o título europeu do individual geral no fim de abril e poderá desafiar a estrela americana Simone Biles em Tóquio. Na equipe britânica, as gêmeas Gadirova (Jessica e Jennifer), também com 16 anos, integrarão a seleção graças ao adiamento de um ano.

Outros, no entanto, receberam com pesar o anúncio do adiamento olímpico. Esta foi a situação do australiano Jared Tallent, campeão olímpico da marcha de 50 quilômetros em 2012 (prata em 2008 e 2016), que anunciou sua aposentadoria após uma série de lesões, sem concretizar o sonho de disputar mais uma Olimpíada.

O ginete suíço Steve Guerdat, campeão olímpico em 2012, anunciou há alguns dias a morte da égua Bianca, sua parceira em grandes vitórias na carreira.

Entre os ausentes, as caras novas e os que disputarão os Jogos em pior forma física, todos parecem concordar que os prognósticos nos Jogos Olímpicos estão mais abertos que o normal.

O veredicto virá em julho e agosto em Tóquio, com um ano de atraso.

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