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O calvário do Barcelona em busca de luz

04/03/2021 18h11

Barcelona, 4 Mar 2021 (AFP) - Em meio a uma situação econômica delicada e com Lionel Messi contando os dias para sua saída, a prisão do ex-presidente do Barcelona Josep Maria Bartomeu foi o ponto alto de um ano turbulento para a equipe catalã, três dias antes de suas eleições presidenciais.

A prisão de Bartomeu e as buscas na sede do clube na segunda-feira por conta do chamado 'Barçagate' foi o enésimo capítulo de uma descida ao inferno do Barça, que aguarda a chegada de um novo presidente.

"É uma tríplice crise institucional, econômica e esportiva que não será resolvida até virem contratações e um título", escreveu nesta terça-feira o vice-diretor do jornal Sport, Lluis Mascaró.

Seja quem for o vencedor das eleições de domingo, Joan Laporta, Toni Freixa ou Victor Font, "o trabalho do novo presidente parece um desafio gigantesco", acrescentou Mascaró.

A conquista da vaga na decisão da Copa do Rei na quarta-feira, com a vitória por 3 a 0 sobre o Sevilla nas semifinais, foi um bálsamo esportivo após o golpe da prisão de Bartomeu.

Suspeito de "crimes de administração desleal e corrupção", foi libertado provisoriamente, junto com seu braço direito, Jaume Masferrer, enquanto prossegue a investigação pela suposta contratação de uma empresa para realizar campanhas de difamação contra opositores.

Uma campanha que também teria sido dirigida contra figuras do clube como Gerard Piqué ou Messi, que não escondeu suas opiniões em várias ocasiões durante esta crise, acelerada após a eliminação nas semifinais da Supertaça Espanhola em janeiro de 2020.

- Conflitos internos -A derrota para o Atlético de Madrid (3-2) precipitou a saída do técnico Ernesto Valverde e sua substituição por Quique Setién, num movimento que não melhorou o estilo de jogo da equipe e acabou provocando as primeiras críticas ao time e Messi.

O então diretor de futebol, Eric Abidal, atribuiu aos jogadores a responsabilidade pela saída de Valverde, o que levou Messi a pedir ao dirigente que "assumisse as suas decisões" e "desse nomes".

Esse foi o primeiro conflito entre a gestão de Bartomeu e a estrela argentina, que voltaria à tona quando a rádio Cadena Ser divulgou o escândalo 'Barçagate' em fevereiro.

Bartomeu foi rápido em negar essa informação, mas o caso levou à renúncia de seis executivos e à abertura de uma ação contra o conselho por um grupo de sócios.

"Acho estranho que algo assim aconteça", disse Messi então, pedindo para aguardar a resolução do caso, que esta semana voltou às manchetes dos jornais.

O maremoto institucional aumentou com a chegada da pandemia e a paralisação do futebol, que cortou várias fontes de renda para o Barcelona.

O Barça teve de reduzir o salário dos seus jogadores e terminou a temporada com um prejuízo de 97 milhões de euros (114 milhões de dólares), aos quais se junta uma enorme dívida de 1,173 bilhão de euros (1,426 bilhão de dólares).

Sem ganhar nada no futebol desde abril de 2019, no retorno do confinamento o Barça viu o Real Madrid conquistar o Espanhol e o Bayern de Munique eliminá-lo das quartas de final da Liga dos Campeões com uma goleada de 8 a 2.

- "Messidependência" -Ainda abalado com aquele golpe, Messi pediu publicamente para deixar o clube, antes de mudar de opinião, mas o capitão do Barça, que viu seu amigo Luis Suárez sair pela porta dos fundos, continua incerto sobre seu futuro faltando quatro meses para o fim de seu contrato.

"Até hoje, estou focado em encerrar a temporada, depois vou decidir", disse o astro argentino em dezembro.

A temporada atual começou aos trancos e barrancos com algumas derrotas e contusões, mas desde o Natal, a equipe tem se fortalecido sob a orientação de Ronald Koeman, que mantém o time na segunda posição do Espanhol e com a vaga na final Copa do Rei no bolso.

"Há um futuro e um horizonte. Esta partida brilhante contra o Sevilla diz isso", declarou o vice-diretor do Mundo Deportivo, Josep María Artell, em sua coluna nesta quinta-feira.

"Koeman está levando isso adiante", afirma o presidente honorário do jornal As, Alfredo Relaño.

Misturando jovens com veteranos num elenco que não recebeu grandes reforços, Koeman está formando um grupo sólido em campo, que busca seguir na Liga dos Campeões, após a derrota para o PSG no jogo de ida das oitavas do torneio.

Agora só falta esperar o domingo para que o novo presidente seja escolhido, para que traga também tranquilidade no âmbito institucional.

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