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Várias prisões em operação da polícia contra o FC Barcelona

01/03/2021 10h23

Barcelona, 1 Mar 2021 (AFP) - A seis dias da eleição de um novo presidente, a polícia fez buscas nesta segunda-feira (1) nos escritórios do FC Barcelona em uma operação por supostos crimes financeiros que, segundo a imprensa, levou à prisão do ex-presidente do clube, Josep Maria Bartomeu.

Policiais do departamento de crimes financeiros dos "Mossos d'Esquadra", a polícia da região espanhola da Catalunha (nordeste), fizeram as buscas pela manhã nos escritórios do clube no estádio Camp Nou.

"Houve algumas prisões", declarou um porta-voz da polícia, sem dar detalhes sobre o número ou a identidade das pessoas afetadas, ou sobre o objetivo da operação, que a mídia espanhola vincula ao escândalo do "Barçagate".

A mídia também aponta que entre os detidos estaria o ex-presidente Josep Maria Bartomeu, demitido em outubro, o presidente executivo Óscar Grau e o responsável por serviços jurídicos Román Gómez.

Uma porta-voz judicial disse à AFP que a operação, que acontece sob sigilo, foi ordenada pela juíza que investiga este escândalo revelado em fevereiro de 2020 pela rádio Cadena Ser.

- O terremoto 'Barçagate' -A investigação desta emissora - geralmente bem informada sobre os assuntos institucionais do Barça - revelou uma suposta campanha de difamação contra a equipe por uma empresa contratada pelo clube.

De acordo com suas investigações, vários perfis nas redes sociais controlados pela empresa I3 Ventures mandavam mensagens para prejudicar a imagem de jogadores como Lionel Messi, Gerard Piqué, o ex-jogador Xavi Hernández ou o ex-técnico Pep Guardiola.

A imprensa afirmou na época que o objetivo desta campanha era melhorar a imagem de Bartomeu, já que as pessoas contra quem as mensagens se dirigiam eram críticas à gestão do presidente, demitido no final de outubro.

A rádio também revelou que o Barça pagou um milhão de euros (1,2 milhão de dólares) em várias faturas para a I3 Ventures, da qual se desvinculou após o escândalo.

A diretoria reconheceu ter contratado os serviços desta empresa, mas negou categoricamente ter pedido uma campanha de difamação.

"O Barça nunca contratou nenhum serviço para desprestigiar ninguém (...) É verdade que no final de 2017, o Barça contratou um serviço de monitorização para as diferentes áreas do clube nas redes sociais", defendeu-se Bartomeu.

O caso provocou um terremoto institucional, com a demissão de seis diretores da entidade, e a apresentação de uma denúncia por parte de um grupo de sócios contra a diretoria de Bartomeu por "suposta corrupção e gestão desleal" que deu origem à investigação em andamento.

Criticado por um amplo setor de torcedores, da equipe e até da diretoria, Bartomeu e o que restou de sua equipe se demitiram no final de outubro quando estavam prestes a serem expulsos por um voto de censura.

Seu mandato de seis anos e meio, iniciado acidentalmente pela demissão de seu antecessor Sandro Rosell por causa de outro escândalo, ficou marcado por inúmeros problemas judiciais, conflitos com a equipe e um evidente declínio no nível esportivo.

Esteve prestes a deixar como legado a perda da lenda Leo Messi, que tentou rescindir em agosto seu contrato de forma unilateral, decepcionado com os resultados da equipe e das decisões da diretoria, entre elas dispensar seu amigo Luis Suárez.

A operação policial ocorre a seis dias das eleições para a presidência do clube, nas quais os sócios (donos-torcedores do clube) deverão escolher entre Joan Laporta, ex-presidente entre 2003 e 2010, Victor Font e Toni Freixa.

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