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'Ciao, Paolo': o adeus a Rossi, herói italiano na Copa do Mundo de 1982

Corpo do ídolo do futebol italiano Paolo Rossi em direção ao velório - FABIO DI PIETRO/EFE
Corpo do ídolo do futebol italiano Paolo Rossi em direção ao velório Imagem: FABIO DI PIETRO/EFE

Da AFP, em Vicenza (Itália)

12/12/2020 14h59

Campeões mundiais em 1982 e centenas de torcedores foram a Vicenza (nordeste da Itália) neste sábado para prestar uma última homenagem a Paolo Rossi, herói do tricampeonato da "Azzurra", em um funeral emocionante na Itália.

Seus companheiros na conquista da Copa do Mundo da Espanha carregaram o caixão de 'Pablito', grande nome do título de 1982, na praça da catedral de Vicenza, cidade cujo clube ele ajudou a alcançar resultados inesperados (2º lugar no campeonato italiano de 1978).

"Se sou campeão mundial, é graças a ele", disse Fulvio Collovati, ex-zagueiro da seleção nacional.

Artilheiro da Copa do Mundo de 1982 (6 gols), Rossi foi o grande arquiteto do triunfo italiano. Uma atuação premiada com o prêmio Bola de Ouro do mesmo ano. Sua morte na quarta-feira, aos 64 anos, após uma longa doença, gerou uma onda de luto e homenagens nacionais, principalmente em Vicenza, onde comandou seu clube na Série A.

Graças a Rossi, o artilheiro do campeonato de 1978 (24 gols), o modesto clube terminou a temporada como vice-campeão, atrás apenas da Juventus.

Uma lembrança inesquecível desta cidade do nordeste do país onde milhares de pessoas foram homenageá-lo na sexta-feira no estádio Menti, onde o ocorreu o velório.

E neste sábado, apesar das restrições impostas pela covid-19, centenas de pessoas se reuniram em frente à catedral da cidade. Apenas 250 pessoas foram autorizadas a comparecer à cerimônia, transmitida ao vivo pela televisão nacional.

"Um irmão" para Cabrini

"Não perdi apenas um companheiro de equipe, mas um amigo, um irmão", disse o ex-zagueiro italiano Antonio Cabrini.

"Juntos, lutamos e vencemos, às vezes perdemos, sempre querendo voltar. Fazemos parte de um grupo. Não achávamos que você fosse embora tão cedo. Tchau Paolo!"

O filho de Rossi, Alessandro, carregou o caixão com os companheiros de seu pai, seguido por sua viúva, Federica, e suas filhas Sofia Elena e Maria Vittoria.

A entrada da catedral foi adornada com uma reprodução em grande formato da capa do jornal Gazzetta dello Sport um dia após a vitória da Itália por 3 a 1 sobre a Alemanha na final da Copa do Mundo, onde Rossi abriu o placar.

Uma camiseta da seleção italiana com o número 20 e uma faixa do Vicenza foram colocados no caixão.

Após a cerimônia, um longo aplauso e o som dos sinos da catedral acompanharam os gritos das pessoas lá fora, que cantaram em voz alta "Paolo, Paolo ...".

Após a cremação, suas cinzas retornarão à sua Toscana natal, disse sua esposa esta semana.

"Um mito" para Maldini

"Paolo foi muitas coisas para mim. Ele foi um herói para mim, aos 14 anos. É um mito para todos os italianos", disse o ex-jogador Paolo Maldini, uma das muitas estrelas da seleção, passada ou atual, presente neste sábado.

Atacante que disputou cerca de 400 partidas pelo campeonato, marcou 154 gols e participou de 48 jogos pela seleção nacional (20 gols), Rossi alcançou esse status de "mito" na Copa do Mundo de 1982.

Os três gols de 'Pablito' no mítico jogo com o Brasil (3-2) eliminou a equipe sul-americana, apontada como favorita ao título, e classificou os italianos para as semifinais.

Contra a Polônia, ele marcou dois gols e conquistou a vaga para a decisão. Na partida pelo título contra a República Federal da Alemanha (FRG), o toscano marcou o primeiro de três gols italianos (3-1).

O primeiro clube em que deixou sua marca foi o Vicenza, de onde saiu em 1979 após um rebaixamento para a Série B. Mas foi na Juventus que completou o histórico de 1982, após dois anos de suspensão devido ao escândalo de partidas fraudulentas e do jogo ilegal denominado 'Totonero'.

Terceira elemento do trio ofensivo, formado por Michel Platini e Zbigniew Boniek, ganhou dois campeonatos italianos com a Juve (1982 e 1983), bem como a Copa Europa de 1985 após a final dramática de Heysel e suas 39 mortes.

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