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Sede do Super Bowl 2020, Miami luta contra aumento da exploração sexual

Comemoração do New England Patriots no Super Bowl 2019 - Elsa/Getty Images/AFP
Comemoração do New England Patriots no Super Bowl 2019 Imagem: Elsa/Getty Images/AFP

Miami (EUA)

16/01/2020 14h56

A cada ano, a final do torneio de futebol americano, conhecido como Super Bowl, reúne grandes estrelas, anúncios milionários e cerca de 100 milhões de espectadores. Mas a festa traz consigo outro elemento menos feliz: um aumento no tráfico e, em particular, na exploração sexual.

Este ano, Miami, no sul da Flórida, sediará o Super Bowl em 2 de fevereiro. Mas isso preocupa as autoridades de uma cidade conhecida por sua atmosfera festiva no terceiro estado com mais casos de tráfico de pessoas dos Estados Unidos, depois da Califórnia e do Texas.

Eles temem que a já distendida e ensolarada Miami, somada às festividades de um evento da magnitude do Super Bowl, crie uma tempestade perfeita para a exploração sexual.

Miami tem um problema que "obviamente o Super Bowl amplia, porque quando há grandes eventos festivos, isso atrai organizações [criminosas] que tentam ganhar mais dinheiro", disse à AFP Anthony Salisbury, agente especial encarregado do escritório de investigação do Departamento de Segurança Interna.

É a experiência que Katariina Rosenblatt sofreu. Dos 13 aos 17 anos, ela foi forçada a fazer sexo em um hotel em Miami Beach, a turística ilha às margens de Miami.

"Eles me venderam, por minha inocência, como uma pequena virgem americana, mas consegui sair", disse à AFP esta sobrevivente que fundou a ONG 'There is Hope For Me' (Há Esperança Para Mim, em inglês) para ajudar as vítimas do tráfico.

"No hotel em Miami Beach, turistas de sexo vinham de todos os lugares para comprar sexo", disse ela.

Todos atentos aos sinais

As autoridades estão treinando funcionários de hotéis, seguranças, motoristas de caminhões, ônibus e da Uber para reconhecer os sinais de que alguém é vítima de escravidão.

Esses são os trabalhadores com maior probabilidade de identificar um possível caso de tráfico de pessoas e denunciá-lo à polícia, porque são os únicos que têm contato com a vítima.

Se os hóspedes tiverem muitas visitas em um quarto de hotel, se pedirem um quarto próximo à escada, se não permitirem que sejam limpos, se tiverem pouca bagagem, se pedirem para reabastecer constantemente o bar ou mostrar sinais de falta de higiene pessoal.

Todos estes, combinados, são alguns dos sinais de que algo estranho está acontecendo.

Uma atitude nervosa ou a incapacidade de fazer contato visual, ou às vezes as vítimas não respondem a uma pergunta sem olhar para alguém antes de fazê-lo, como se pedissem permissão ", continuou Ashley Moody, procuradora-geral da Flórida no Hotel em Miami Beach.

Ela também pediu que os funcionários prestassem atenção às tatuagens, o que geralmente indica que a vítima é "propriedade" de seu traficante. Especialmente se várias pessoas ostentam a mesma.

A organização do Super Bowl está participando de esforços de conscientização.

Vergonha pública

O problema veio à tona quando, em fevereiro de 2019, Robert Kraft, proprietário do time de futebol do New England Patriots, se envolveu em um caso de tráfico.

O bilionário de 78 anos havia usado os serviços sexuais de uma casa de massagens na Flórida nos dias anteriores ao Super Bowl, que sua equipe acabou conquistando. Kraft se declarou inocente e o caso continua na justiça.

A atenção da mídia neste episódio expôs o problema e gerou uma campanha agressiva contra a exploração sexual no estado.

As estações de trem e, em breve, o aeroporto, apresentam cartazes sombrios que mostram uma adolescente ao lado de um homem de meia idade, com a legenda: "Não é o que você pensa" e um telefone de emergência.

Outros pôsteres alertam, mostrando a foto de um homem preso: "Você compra sexo. Você se expõe".

Eles se referem a uma lei, que entrou em vigor este mês, que exige que fotos policiais e dados pessoais de pessoas presas por contratar prostituição na Flórida apareçam em um registro on-line para que todos possam vê-los.

"Certamente estamos todos trabalhando duro", disse a procuradora.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, 40 milhões de pessoas no mundo sofrem uma forma de escravidão moderna. Destas, quase 25 milhões estão presas em uma situação de trabalho forçado ou de exploração sexual.

No ano passado, as autoridades federais prenderam 50 pessoas por tráfico sexual na Flórida, disse Salisbury. Mas o agente alertou que esses casos tendem a ser muito mais numerosos do que os números indicam, porque são difíceis de processar e os criminosos em geral são presos por outras acusações.

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