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"Football Leaks": Justiça húngara ordena extradição do hacker Rui Pinto

05/03/2019 10h45

Budapeste, 5 Mar 2019 (AFP) - A Justiça húngara ordenou, nesta terça-feira (5), a extradição para Portugal do hacker Rui Pinto, principal arquiteto do chamado escândalo "Football Leaks", que provocou a a abertura em vários países europeus de investigações relacionadas ao mundo do futebol.

Apresentado pelos seus advogados como "um informante europeu muito importante", o português de 30 anos foi preso em 16 de janeiro em Budapeste, sob um mandado de detenção europeu emitido pelo seu país, que o acusa de "tentativa de extorsão agravada" e "roubo de dados".

Ao comparecer esta manhã perante um tribunal na capital húngara, Rui Pinto declarou que agiu de boa fé e considerou que a sua extradição impediria as investigações em curso.

"Não cometi nenhum dos crimes dos quais sou acusado. Nunca obtive lucro material pelo que fiz. Agi pelo bem e interesse geral, para expor a corrupção no futebol europeu", disse ele.

No entanto, o presidente da corte, Judit Csiszar, estimou que o pedido de extradição "não poderia ser recusado" em nome da "confiança mútua entre os Estados membros da UE".

Rui Pinto e o seu advogado anunciaram a interposição de um recurso, incluindo um argumento de "erro processual" na emissão do mandado de prisão. "Esperamos que em algumas semanas a Suprema Corte examine todos os aspectos do caso", disse o português, que foi colocado em prisão domiciliar em Budapeste.

- Cristiano Ronaldo e PSG -Da capital húngara, onde mora desde 2015, Rui, conhecido como "John", hackeou milhões de arquivos relacionados ao mundo dos negócios do futebol, a fim de, segundo ele, revelar os bastidores de uma indústria "desonesta".

A partir de 2016, confiou milhões de documentos a um consórcio de meios de comunicação europeus que revelou, no final do mesmo ano, os mecanismos de evasão fiscal, suspeitas de fraude e corrupção envolvendo vários craques e líderes de clubes.

O Football Leaks continua a ser o maior vazamento de informações nos bastidores da bola.

Entre os muitos casos revelados: os problemas fiscais de Cristiano Ronaldo relacionados à sua passagem pelo Real Madrid ou a tolerância da UEFA aos casos de fair play financeiro do Paris SG e Manchester City.

Estes documentos interessam às Justiças de vários países europeus. A Procuradoria Nacional Financeira francesa (PNF), com quem Rui Pinto iniciou uma colaboração no final de 2018, considerou que os documentos permitiram "grandes desenvolvimentos" nas investigações por fraude fiscal.

O PNF, que supostamente possui cerca de 12 milhões de documentos do Football Leaks, propôs oficialmente a outros oito países envolvidos no escândalo de compartilhar os arquivos. A Bélgica e a Suíça, onde investigações estão em andamento, expressaram interesse.

Portugal acusa, porém, Rui Pinto de roubar dados, incluindo do Estado português e, sobretudo, de ter realizado tentativas de chantagem antes de suas revelações, especialmente em detrimento do fundo de investimento Doyen, também envolvido em transferências de jogadores.

O hacker, que é defendido por uma equipe internacional de advogados, admitiu recentemente ter contatado esse grupo no final de 2015, apesar de insistir que simplesmente quis testá-lo.

- 'Ameaças' -Nesta terça, voltou a acusar Portugal de tentar silenciá-lo e atrapalhar as investigações europeias, impedindo-o de fornecer novos documentos.

"Eu não confio nas autoridades portuguesas, elas têm uma abordagem tendenciosa em relação ao futebol", ressaltou. "É do interesse deles que algo desagradável aconteça comigo, direta ou indiretamente".

O hacker alegou ter sido alvo de "numerosas ameaças de morte".

O tribunal de Budapeste estimou nesta terça-feira que sua "segurança pessoal" foi considerada "garantida" em Portugal.

Recentemente, seu advogado francês, William Bourdon, julgou "inconcebível" que as Procuradorias europeias "sejam privadas de seus testemunhos e do acesso aos dados apreendidos em Budapeste" durante sua prisão.

"Há milhões de euros que as autoridades europeias poderiam recuperar" em termos de multas e penalidades fiscais, disse o hacker a jornalistas à margem da audiência. "Nove ou dez outros países estão comigo, exceto Portugal", acrescentou.

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