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'Tudo foi feito para que seja um grande ano para o PSG', diz Dani Alves à AFP

04/03/2019 19h53

Paris, 4 Mar 2019 (AFP) - Um clima "incrível", uma comissão técnica "querida" e uma mistura vencedora entre talentos precoces e campeões experientes. "Está tudo feito para que seja um grande ano para nós", diz o jogador brasileiro do PSG Dani Alves em uma entrevista exclusiva para a AFP.

Antes do jogo de volta pelas oitavas de final da Liga dos Campeões contra o Manchester United, na quarta-feira, o experiente lateral de 35 anos, ex-jogador do Barcelona e do Sevilla, afirma que na vida "é preciso ter um ponto de equilíbrio, de loucura, de diversão", e que procura manter "uma relação boa com todo mundo".

P: Você acredita que pode finalizar o trabalho contra o Manchester United depois da vitória na ida por 2 a 0?

R: É claro. Acho que foi um grande passo que demos mas não podemos ficar confiantes demais. No futebol tudo pode acontecer. Temos que repetir o grande trabalho que realizamos. Não temos que jogar com o resultado, mas ir atrás do resultado. É a única forma com a qual no fim vamos conseguir o objetivo.

- Equipe 'virgem' desta competição -P: Mbappé disse que não tinham que ter medo, quando perguntaram a ele sobre a possibilidade de uma virada do Manchester United, dois anos depois daquela sofrida no Camp Nou. Você concorda com ele?

R: Sim, no futebol não se pode ter medo. É preciso ter respeito, o mesmo que os rivais precisam ter quando jogam contra nós, porque sabem que temos qualidades. Na vida, se os objetivos não são alcançados sempre o problema maior é o medo. Não se pode ter medo nunca, é preciso ter respeito porque é uma equipe histórica na competição. Sempre brinco, a equipe "virgem" desta competição somos nós, não eles, que têm uma história e que já a conquistaram.

P: São os outros clubes que têm que ter medo do PSG agora?

R: Os outros clubes têm que ter respeito, acho que nós estamos ganhando o direito de que as equipes nos levem em conta. Não acredito que tenham medo, mas sim respeito pelos jogadores que temos. O mais importante é que façamos nosso trabalho, como viemos fazendo, e que sejamos uma equipe que luta junto, ganha junto e sofre junto. Isso é o que torna uma equipe forte e que é levado em conta como candidata a vencer uma competição como esta. Precisamos de uma solidez defensiva incrível. Esta é a base de qualquer sucesso no esporte.

- 'Clima incrível' -P: Quais são os ingredientes do sucesso do PSG nesta temporada?

R: Na vida você tem que ter um ponto de equilíbrio, de loucura, de diversão. Para ser uma grande pessoa, para ser uma grande equipe, é preciso ter várias coisas. Quando você só tem uma você não está bem. Tem que buscar o equilíbrio necessário para ter tudo e não faltar nada. Com as pessoas experientes, os jovens, as pessoas rodadas, formamos uma boa mistura e se percebe quando jogamos, quando lutamos... Temos a sorte neste ano de termos uma comissão querida, que todo mundo respeita, com um clima incrível para termos as coisas de um jeito bom. Tudo foi feito para que seja um grande ano para nós.

P: Jogadores como Buffon e você trouxeram a serenidade nos grandes jogos e a cultura vencedora?

R: Não acredito. No fim das contas, todo mundo quando joga quer ganhar. Mas nós sabemos como ganhar e como perder. O que tentamos transmitir aos demais é que ou vamos todos com tudo, ou deixamos as portas abertas para perder. Não é uma competição (a Champions) que depende única e exclusivamente de um dia espetacular de um jogador; de Kylian, de Di María, de Cavani ou de 'Ney'... Não se trata disso, e sim que haja uma solidez como equipe e que assim eles façam seu trabalho, que nossa solidez os leve a fazer a parte deles e que não tenham que se preocupar com as outras. Então, quando você tem os jogadores experientes, você não treme ao jogar com um clima adverso, não treme diante da pressão das pessoas.

P: É interessante ver que a equipe está jogando bem sem Neymar e Cavani.

R: É uma demonstração de que há muitas qualidades nesta equipe. Sempre digo que temos jogadores especiais, como Ney, como Kylian, como Edi, que em algum momento vão fazer a diferença. E nós temos que ajudar. Se não, seria como um grande prato sem bons acompanhamentos. Não teria o mesmo sabor...

P: E você, que prato seria?

R: O peixe... (risos).

P: Como é sua relação com Mbappé? Parece com sua relação com Messi no Barcelona?

R : Não, jogamos em posições diferentes. Não estamos muito colados sempre... Mas é um perfil curioso, às vezes temos que fazer o papel de psicólogo. Eu gosto de ter uma relação boa com todo mundo. E me pergunto "como posso me comportar com este? E com o outro?", porque o que existe dentro do campo é um pouco fruto do que existe fora, das conexões. Com Kylian é curioso. No início era um pouco distante. No final encontramos nosso caminho para nos entender, nos ajudar. Isso é bom para a equipe. Quanto mais criamos uma atmosfera positiva, melhor se vive (...) Na vida não é preciso ter razão. É preciso ser feliz.

Entrevista realizada por Yassine KHIRI e Andy SCOTT.

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