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Roland Garros entre fraldas e mamadeiras

30/05/2018 13h47

Paris, 30 Mai 2018 (AFP) - De Serena Williams a David Ferrer, a chegada de um bebê na família nos meses que antecedem Roland Garros não só muda a vida de um atleta, mas também as condições de preparação, embora em graus diferentes por razões óbvias entre homens e mulheres.

Serena Williams é possivelmente o exemplo mais conhecido.

Número 1 do mundo, campeã de 23 torneios Grand Slam, de 36 anos, chegou a Roland Garros abaixo da 450º posição do ranking mundial.

O motivo foi o seu longo afastamento por um motivo feliz: a chegada em setembro de sua primeira filha, Olympia, que a fez ficar fora das quadras durante quase todo o ano de 2017.

"Eu tenho sorte, posso planejar meus dias e, assim, a minha carreira. Há mães que não são capazes de fazer isso. Eu planejo meu dia, treino uma hora, passo um tempo com Olympia e se preciso treinar mais uma vez, o faço. Posso treinar de acordo com suas horas de sono", explicou Serena na terça-feira depois de derrotar a tcheca Krystina Pliskova, 70ª do mundo, em seu retorno ao torneio parisiense dois anos depois.

O sérvio Novak Djokovic, campeão de 12 torneios Grand Slam, teve sua segunda filha um dia antes do nascimento de Olympia.

"Nós trocamos muitas mensagens durante o processo. Ela compartilhou muito comigo e com minha esposa, é algo que eu valorizo. Eu me sinto muito próximo a ela", explicou Djokovic, que publicou nas redes sociais uma foto com a filha de Serena em Paris.

Outra ex-número 1 mundial que estacionou sua carreira para ser mãe, Victoria Azarenka, não teve uma estreia tão positiva em Roland Garros e caiu na primeira rodada contra outra jogadora tcheca, Katerina Siniaková (57ª).

Azarenka, duas vezes campeã do Aberto da Austrália, é apenas a 82ª do mundo. Foi mãe no final de 2016, mas, em 2017, teve muitos problemas para competir, em parte porque ficou retida nos Estados Unidos por causa de um conflito relativo à custódia da criança.

"Fisicamente, é óbvio que é uma experiência diferente para um homem quando ele é pai. Acredito que mentalmente também há um vínculo mental diferente com o bebê entre homens e mulheres", estimou sobre a dificuldade adicional das tenistas mulheres.

A luxemburguesa Mandy Minella, que caiu para 286ª no ranking da WTA, ficou grávida no último Wimbledon e, portanto, também foi mãe recentemente. Perdeu em sua estreia em Roland Garros.

- 'Lado ruim' -No circuito masculino também há pais recentes.

Este é o caso de David Ferrer, vice-campeão em Paris em 2013 e, atualmente, 41º no ranking ATP, que foi pai pela primeira vez aos 36 anos há algumas semanas e caiu na primeira rodada em Roland Garros pela primeira vez em sua carreira.

"Tudo mudou para mim. Emoções, vida nova. Ser pai é muito bom, é um sentimento muito bom, mas também tem suas coisas ruins. Acho muito engraçado que muitos pais apenas falam sobre o quanto é bom, mas também é duro e sacrificado", explicou após sua derrota para o jovem compatriota Jaume Munar.

O uruguaio Pablo Cuevas, pai recentemente pela segunda vez, não está totalmente de acordo com seu amigo David.

"Eu não sei se é ruim. Ser pai é algo bom, você tem outras obrigações. Nisso eu tenho mais experiência do que David. Minha esposa entende, tem experiência e sabe a importância do descanso para mim. Eu vejo isso como um prazer. Ainda que seja cansativo, às vezes há coisas cansativas que lhe dão energia", disse o uruguaio, que superou o primeiro obstáculo em Roland Garros na terça-feira.

O letão Ernests Gulbis, semifinalista em Roland Garros em 2014 e atualmente 160º mundial, acredita que ter sido pai em março lhe fez amadurecer.

"As coisas mudaram para mim. Agora eu quero prestar mais atenção ao que eu faço na quadra", declarou o jogador que em 2009 foi preso na Suécia por recorrer aos serviços de uma prostituta.

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