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Maradona solta o verbo e chama Sampaoli de "charlatão" e "falso"

31/10/2017 17h35

Buenos Aires, 31 Out 2017 (AFP) - O ex-astro do futebol argentino Diego Maradona criticou o técnico da seleção de seu país, Jorge Sampaoli, chamando-o de "charlatão" e "falso", apesar do ex-treinador do Chile e do Sevilla ter conseguido a classificação à Copa do Mundo-2018.

"Eu nunca gostei de charlatões", declarou duramente Maradona, em entrevista exclusiva publicada nesta terça-feira pelo jornal Clarín.

"Eu não esqueço que estava na Croácia vendo a final da Copa Davis (de tênis) e Sampaoli me chamou para um projeto juntos no Sevilla. Quando chamaram ele para a seleção, ele esqueceu até o nome da minha mãe. E com gente falsa, medíocre e que acha ser maior do que é, eu nunca concordaria", criticou o astro.

No comando da seleção argentina, Sampaoli garantiu a classificação à Copa do Mundo da Rússia na última e dramática rodada das eliminatórias sul-americanas, com uma vitória sobre o Equador (3-1) em Quito, no início do mês.

Maradona reclamou das ausências nas últimas convocações dos atacantes Sergio Aguero (Manchester City) e Gonzalo Higuaín (Juventus), nomes de peso, mas que foram preteridos por Mauro Icardi (Inter de Milão).

"Levaram Icardi lesionado sendo que tinham Higuaín, que sempre faz gols. Sim, 'Pipita' (apelido de Higuaín) também errou, mas está aí. Não se pode deixar da lista o 'Kun' Aguero", declarou Maradona.

Aguero, pai do neto de Maradona, voltou a ser convocado para o amistoso de 11 de novembro contra a Rússia.

Para Maradona, Messi estaria jogando sozinho na seleção argentina.

"Não há um jogador que compreende Messi, o mais próximo é o 'Kun'. (Paulo) Dybala é um grande jogador, mas joga em outra velocidade, em outra potência. Joga como se estivesse na Itália e na seleção você tem que mostrar técnica, não que é um atleta", analisou.

A política do futebol argentino também foi alvo do ídolo. Maradona afirmou que "o futebol argentino é um barril de pólvora", sugerindo supostas influências sobre o técnico para a escolha dos jogadores convocados.

"Não estamos fazendo as coisas bem. Nem na sub-15, nem na sub-20, nem em qualquer lado. Aqui não tem isso de amizades, há sim um povo que apoia uma equipe e que quer voltar a ser campeão do mundo", declarou.

Ao ser perguntado sobre o estado de sua vida pessoal, Maradona, que comemorou seu 57º aniversário na segunda-feira, se declarou um homem feliz e sem arrependimentos.

"Não me arrependendo de nada, não matei ninguém. Eu só fiz mal a mim mesmo. Jamais levei alguém comigo. Eu caí, me levantei, caí de novo e voltei a levantar, com o amor das minhas filhas. Estou vivo e me levanto todos os dias para trabalhar", concluiu.