PUBLICIDADE
Topo

Esporte

Itália comovida por escândalo Anne Frank; presidente da Lazio pressionado

25/10/2017 17h43

Roma, 25 Out 2017 (AFP) - A Itália segue comovida com o uso provocativo das imagens de Anne Frank por parte dos torcedores organizados da Lazio, depois da coroa de flores depositada na sinagoga de Roma aparecer no rio Tier, enquanto o presidente do clube Claudio Lotito foi citado em gravação comprometedora.

A coroa de flores depositada por Lotito na terça-feira desapareceu na manhã desta quarta. Mais tarde, as flores foram encontradas na margem do rio que atravessa a capital italiana, segundo fotógrafo da AFP no local.

Segundo o jornal 'Corriere della Sera', "os autores do gesto poderiam ser jovens da comunidade judia que teriam se sentido ofendidos com um recado deixado sobre as flores que dizia 'vocês têm irmãos judeus' e era assinada por Claudio (Lotito)".

O escândalo começou no domingo, quando os torcedores "ultras" colaram figuras da jovem escritora judia vestindo camiseta da rival Roma no estádio. Anne Frank ficou conhecida por detalhar em diário sua vida em Amsterdam durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

- Gravação comprometedora -Por conta do caso, Lotito anunciou na terça que o clube organizaria uma viagem para 200 jovens torcedores da Lazio por ano, com o objetivo de visitarem o campo de concentração e de extermínio de Auschwitz. Anne Frank foi deportada e morreu no local com apenas 15 anos, em 1945.

No entanto, uma gravação publicada nesta quarta-feira no site do jornal 'Il Messagero' levantou dúvidas sobre as reais intenções do presidente.

"Vai estar o vice-rabino? Só o rabino? Não valem nada... Vê em que ponto chegamos? O rabino e o vice-rabino em Nova York. Faremos essa cena, você entende?", teria declarado Lotito segundo a gravação.

O presidente desmentiu as palavras e recebeu apoio do deputado do Dario Ginefra, que estave ao lado de Lotito no momento em que teria feito as declarações.

Entrevistado pela Radio Capital, Lotito garantiu que não espera "nenhuma punição".

"Não espero nada, porque o clube não fez nada. Pelo contrário, o clube implementou medidas para lutar contra o racismo", declarou.

"Os adesivos? Foi o comportamento de 15 idiotas que não sabem o que estão fazendo", acrescentou.

Segundo a imprensa italiana, os investigadores identificaram até o momentos 16 suspeitos por conta das imagens de uma das câmeras de vigilância do estádio. Três deles são menores de idade, dentre eles um de apenas 13 anos.

- Sem os 'Irriducibili' -A espera da investigação, a 10ª rodada da Serie A continuou nesta quarta-feira com nove jogos na programação, entre eles o duelo entre Lazio e Bologna.

Como anunciou a Federação Italiana de Futebol na terça-feira, todos os jogos tiveram um minuto de reflexão sobre a Shoah e a leitura de um trecho do diário de Anne Frank antes da bola rolar.

O livro, assim como o doloroso testemunho de Primo Levi "Se isto é um homem" - escritor italiano com origens judaicas e sobrevivente do Holocausto-, foram entregues pelos capitães e árbitros às crianças que acompanharam os atletas durante a entrada no gramado.

No primeiro jogo do dia em Bérgamo, o minuto de reflexão se tornou um minuto de aplausos. O exemplo foi seguido em outros estádios com jogos nesta quarta-feira.

Os jogadores da Lazio vestiram camiseta com o rosto de Anne Frank durante o aquecimento. Os torcedores "ultras" não compareceram ao jogo.

"Os 'Irriducibili Lazio' estão decepcionados em renunciar a viagem à Bologna, para não serem cúmplices do teatro midiático das últimas horas", escreveram os responsáveis do grupo em comunicado publicado no Facebook.

"Nossa maneira habitual de torcer pode ser mal interpretada por aqueles que logo atacariam a Lazio e seus torcedores. Neste momento particular, convidados todos torcedores da Lazio para não se prestarem a novas instrumentalizações, além de reforçar que para nós o sucesso da Lazio é prioridade", acrescetaram.

Esporte