PUBLICIDADE
Topo

Esporte

Blatter prepara livro sobre bastidores da Fifa e planeja ir à Rússia-2018

20/10/2017 09h44

Paris, 20 Out 2017 (AFP) - O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, 81 anos, promete um livro "suculento" sobre os bastidores da Fifa e declarou que irá assistirá o Mundial da Rússia a convite de Vladimir Putin, afirmou entrevista à AFP

Forçado a abandonar seu posto em plena onda de escândalos registrada em 2015, após 17 anos de reinado, o suíço assegura "estar sempre disposto a falar da situação do futebol mundial".

Salvo no que se refere ao processo penal contra seu antigo secretário-geral Jérôme Valcke e o presidente do Paris SG e do beIN Media, Nasser Al-Khelaifi, revelado na semana passada pela justiça suíça.

"Não posso falar, já que compareci como testemunha no primeiro procedimento" contra seu ex-braço direito francês.

Valcke, antes do caso que o vincula a Al-Khelaifi, foi suspenso por dez anos de toda a atividade no futebol, implicado na revenda de entradas para o Mundial de 2014 e, em relação à Fifa, envolvido em um "conflito de interesses e aceitação e distribuição de presentes e outras vantagens".

Desta vez, o francês, de 57 anos, é suspeito de ter "aceitado vantagens em relação à concessão de direitos midiáticos" para várias Copas do Mundo por parte de Al-Khelaifi, como presidente da beIN Media.

- 'Não há nada que impeça o Mundial no Catar' -Blatter não pronunciou uma palavra sobre isso. Desde a sua suspensão, o ex-presidente da Fifa teve, contudo, tempo para descobrir o funcionamento das justiças, suíça e francesa.

Processado, principalmente, por "suspeitas de gestão desleal" e "abusos de bens sociais", por um pagamento suspeito de 1,8 milhão de euros a Michel Platini, ex-presidente de Uefa, Blatter também confirma ter testemunhado, em abril em Zurique, pela procuradoria nacional financeira francesa.

"Foi sobre a atribuição do Mundial de 2022 ao Catar. Foi consequência de minhas declarações, segundo as quais houve uma recomendação em favor do Catar e dirigida a Michel Platini por parte da presidência francesa", explica.

Blatter sempre afirmou que a edição de 2022 havia sido prometida aos Estados Unidos, mas que Platini, por recomendação de Nicolas Sarkozy, na época presidente da França, pressionou pela mudança de voto em favor do Catar.

Platini nunca escondeu que votou no Catar, mas sempre afirmou que "nem Sarkozy nem ninguém pediu que votasse no Catar".

E se aparecessem provas de uma eventual corrupção na concessão do Mundial-2022 ao Catar? "As instâncias da Fifa já receberam as conclusões de Eckert (ex-responsável pela justiça interna da Fifa), após o relatório de Garcia (ex-investigador interno da Fifa) assegurando que não havia nada que pudesse impedir a celebração do Mundial de 2022 no Catar. Nem um terremoto para mudar esta atribuição".

- União EUA/Canadá/México para 2026 'não funciona' - O Mundial-2026 poderia contar com a candidatura Estados Unidos/Canadá/México depois do apoio prometido, segundo alguns, da confederação norte-americana a Gianni Infantino nas eleições à presidência da Fifa em 2015?

"Considerando as notícias em torno da federação americana, não há muito amor entre os três países no plano político e econômico. A união dos três países não funciona. Haverá outros candidatos, certamente o Marrocos. A movimentação da África faz falta".

O octagenário continua ativo. "Espero me aposentar algum dia". Após uma operação no joelho e com problemas na coluna, diz que "a carroceria está bagunçada, mas o motor continua funcionando bem".

Considera, apesar de tudo, estar em boa forma para ir em junho do ano que vem ao Mudial da Rússia. "Sim, irei, recebi um convite do presidente Putin, assim como Michel Platini".

Platini, entretanto, "não recebeu nenhum convite de Putin para ir ao Mundial da Rússia e também não se sabe o que fará no próximo verão (do hemisfério norte)", disse à AFP assessores do ex-presidente da Uefa.

"Não sei se estarei para a partida de inauguração para a final. Como não pude trabalhar no futebol e não tenho nenhuma missão a cumprir, quem sabe eu só aproveite", acrescentou Blatter.

Procurada pela AFP, a Fifa informou que não acha questionável a presença de seu antigo presidente no Mundial 2018 "porque Blatter já não tem funções oficiais".

O suíço anunciou que prepara um livro que será publicado antes da Copa do Mundo pela editora francesa Héloïse d'Ormesson.

"Estamos ainda na fase preparatória. O livro deve sair antes do Mundial da Rússia", contou Blatter, sem dar detalhes sobre o conteúdo.

ebe-fbr/gr/pm/cc

Esporte