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Clubes europeus de donos chineses podem ter futuro de vacas mais magras

28/08/2017 14h23

Milan, Atlético de Madri ou Espanyol, propriedades de investidores chineses, podem ter que se preparar para um futuro próximo de vacas mais magras, após a recente decisão do governo da China de frear os investimentos de suas empresas nos clubes estrangeiros.

Esta restrição, anunciada em meados de agosto, é a última de uma vasta campanha das autoridades do gigante asiático, que pretendem reduzir a saída de capital e o ímpeto nas aquisições internacionais pelas grandes empresas do país, realizadas na base de um endividamento preocupante.

Os torcedores da quinzena de clubes europeus que pertence integra ou parcialmente ao capital chinês não devem esperar contratações milionárias até o fechamento da janela de transferências, nesta quinta-feira.

"A nova política terá um impacto nos proprietários chineses, que terão que continuar investindo grandes somas, especialmente em jogadores, se quiserem seguir sendo competitivos", analisa Ji Zhe, especialista em futebol chinês e diretor em Londres do escritório de marketing esportivo Red Lantern.

"Se o investimento diminuir, haverá repercussões. Os proprietários poderão redefinir suas propriedades e as equipes irão sofrer dentro e fora dos campos", explica.

A China vive período de grande desenvolvimento no futebol desde a chegada ao poder em final de 2012 do presidente Xi Jinping, que deseja transformar o país numa potência do esporte mais popular do mundo.

- Taxa de 100% - Como resultado dessa política, as grandes fortunas do país asiático investiram nos últimos anos em alguns dos clubes de maior prestigio do continente europeu, como Atlético de Madrid, Milan, Inter de Milão e Manchester City.

Outros clubes de menor patamar também contam com investimento chinês, seja na França (Auxerre, Sochaux, Nice), na Espanha (Espanyol, Granada) ou na Inglaterra (Aston Villa, West Bromwich, Wolverhampton, Birmingham City).

Pouco antes do anúncio da nova regulamentação chinesa, o empresário Gao Jisheng adquiriu 80% do Southampton por um valor estimado em 216 milhões de euros.

Na China, clubes poucos conhecidos a nível internacional foram responsáveis por verdadeiras loucuras para atrair jogadores de renome mundial. É o caso do Shanghai SIPG, que comprou em final de 2016 o brasileiro Oscar (ex-Chelsea) por 60 milhões de euros.

Nos últimos meses, porém, os clubes chineses deram um tempo nos gastos extravagantes devido à taxa de 100% do valor pago em transferências de jogadores estrangeiros imposta pelas autoridades locais.

- Mais prudentes -Para Zhang Qing, diretor de uma empresa de consultoria esportiva com sede em Pequim, a nova regulamentação sobre os investimentos terá uma influência em futuras aquisições de clubes europeus.

"As empresas deverão levar em consideração a dificuldade de se comprar um clube", afirma o especialista.

"Em relação aos donos atuais, eles precisarão segurar os investimentos e atuar com mais prudência", completa.

Na opinião de Qing, a nova situação poderia beneficiar o futebol chinês. "Poderia contribuir em dar prioridade ao desenvolvimento do futebol no mercado chinês", cogita.

Os clubes europeus encontrarão maiores dificuldades para obter o dinheiro necessário para seus investimentos, estima por sua vez Simon Chadwick, professor de economia do esporte na Universidade britânica de Salford.

"É um pouco como um fair-play financeiro imposto pelo Estado. Não se pode gastar mais do que se ganha", resume.

Os torcedores dos clubes europeus com capital chinês "não podem esperar um frenesi de gastos em comprar jogadores porque isso é exatamente o que a nova regra quer impedir", prevê.

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