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Insensidade e criatividade: entenda o estilo 'Zizou' do Real

17/10/2016 17h04

Madri, 17 Out 2016 (AFP) - Depois de nove meses de gestação, o Real Madrid versão Zidane enfim nasceu: valorização da posse de bola, como Ancelotti, nada de retranca 'à la Mourinho' e liberdade total aos jogadores, longe do tom professoral de Benítez.

Reverenciado pela torcida pela magia com bola no pé, 'Zizou' está conseguindo impor sua marca como treinador e já foi premiado com o título da Liga dos Campeões.

. Sempre para frente Quando assumiu o cargo em janeiro, no lugar de Benítez, o ex-craque francês já deu uma ideia da nova cara que pretendia dar ao time 'merengue'.

"Meu conceito é tentar jogar o tempo todo, aconteça o que aconteça, desde atrás, com saída de bola rápida, jogando no campo adversário e mantendo a posse de bola", resumiu o treinador.

Nove meses depois, consolidado pelo título europeu, o Real de 'Zizou' apresenta um futebol vistoso, longe da retranca e do jogo 100% vertical da era Mourinho (2010-2013).

Como era de se esperar, o francês se espelha muito mais na proposta de jogo do italiano Carlo Ancelotti (2013-2015), do qual foi auxiliar na campanha de 'La Decima', o décimo título do clube na Champions, em 2014.

O Real de Zidane também tem outras armas, como a transição rápida ou a bola parada.

Nas primeiras sete rodadas da Liga Espanhola, os 'merengues' tiveram em média 53% de posse de bola e ficaram em terceiro lugar do ranking dos times que trocam mais passes, atrás do Barcelona e do Sevilla.

"A ideia é jogar sempre para frente, defender avançando e tentar impor nosso ritmo, usando os lados, mas também a profundidade", analisou nesta segunda-feira o zagueiro francês Raphaël Varane.

"Temos que aproveitar nossas qualidades técnicas. Nossa equipe é ofensiva, com jogadores que se projetam rápido para frente", acrescentou.

Ao contrário de Benítez, Zidane não é obcecado pela tática. "Não inventei o futebol, só quero contribuir com minha experiência", admitiu o francês.

. Intensidade constanteO Real tem talento de sobra, mas, para ser efetivo, precisa mostrar também sua força física.

'Zizou' tirou muitas lições dos seus tempos de jogador na Juventus, antes da chegada à Espanha, e vem cobrando sempre mais intensidade, principalmente depois da série de quatro empates seguidos nas últimas semanas.

No sábado, o francês foi ouvido: Cristiano Ronaldo e companhia não deixaram o Betis respirar e acabaram com a 'empatite' com goleada de 6-1 fora de casa.

Os jogadores ofensivos mostraram todo seu talento e não deixaram de ajudar na marcação.

"Quando colocamos a intensidade necessária no nosso jogo, complicamos muito a tarefa do adversário. Trabalhamos para isso, para manter essa intensidade constante. Esse jogo pode ser usado como referência", comentou Zidane depois da vitória sobre o Betis.

Nesta terça-feira, na Liga dos Campeões os 'merengues' não podem se dar ao luxo de entrar de salto alto contra o Legia Varsóvia.

"Muita gente acha que tem uma enorme diferença. Certamente é o caso, mas temos que mostrar isso em campo. Não existe jogo fácil", alertou o francês.

Para manter o grupo motivado e em plenas condições físicas, 'Zizou' é adepto do rodízio, o que pode gerar algumas desavenças, como a cara de poucos amigos de Cristiano Ronaldo quando foi substituído contra o Las Palmas (2-2), no fim do mês passado.

. Liberdade como lemaApesar desse problema pontual com CR7, Zidane continua considerando a escalação do trio ofensivo 'BBC' (Bale-Benzema-Cristiano) "inegociável" no seu esquema em 4-3-3.

O ex-craque dá liberdade total aos astros, desde que a equipe seja equilibrada, como um bloco muito compacto atrás deles.

Foi assim que o brasileiro Casemiro ganhou mais espaço no time. Com seu trabalho defensivo incansável, o volante também ajudou os meias Modric e Kroos a participar mais da criação das jogadas. Lesionado, o jogador revelado no São Paulo vem fazendo muita falta.

Enquanto o Barça de Luis Enrique aposta mais na qualidade do seu toque de bola para deixar o trio 'MSN' (Messi, Suárez e Neymar) em condições de finalizar, o Real de 'Zizou' depende mais das inspirações individuais dos seus craques.

Mesmo assim, o time mostrou no sábado que é capaz de obras-primas coletivas, como o golaço em contra-ataque contra o Betis, com o zagueiro Pepe se projetando lá na frente para dar o último passe, na conclusão de uma jogadaça com toques de primeira.

O mais importante é que o elenco de estrelas do clube comprou a ideia: Benítez era criticado por ser muito diretivo, mas Zidane é elogiado pela sua capacidade de diálogo.

"Zizou é muito tranquilo, profissional e trabalhador. E ele sabe ouvir os outros, é uma grande vantagem", resumiu CR7, maior artilheiro da história da Liga dos Campeões, com 96 gols marcados, que espera passar a barreira dos cem no duplo confronto com o Legia.