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Bia Haddad: "Desde o 1º título, não leio comentários sobre mim na internet"

Bia Haddad Maia na primeira rodada de Wimbledon - Getty Images
Bia Haddad Maia na primeira rodada de Wimbledon Imagem: Getty Images

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

06/07/2022 16h38

Bia Haddad Maia é a maior tenista brasileira da atualidade. A jovem de 26 anos alcançou marcas históricas nas últimas semanas e nunca teve o nome tão procurado no Google, mas prefere se manter longe de toda a badalação. A paulista não lê reportagens sobre ela e usa as redes sociais, principalmente, para manter contato com outras tenistas.

Na tarde de hoje, em São Paulo, Bia recebeu a imprensa para comentar a respeito da temporada vitoriosa na Inglaterra, e foi bombardeada de perguntas sobre o sentimento de figurar um dos lugares mais altos da elite do tênis mundial. Os questionamentos se repetiam, porque a atleta dizia, com sobriedade, que estava ciente das conquistas, mas preferia manter os pés no chão.

Não é que Bia não esteja ligando para suas vitórias e o carinho do público, mas essa é a forma que ela encontrou para se manter focada, concentrada e forte durante as competições. Ver a felicidade da avó Arlete, de 89 anos, acompanhando sua carreira é o que basta.

"Desde que eu ganhei meu primeiro título no saibro (WTA 125 de Saint Malo, na França), eu não abro matéria, não leio coisas sobre mim. Eu não procuro por aceitação, elogio ou crítica. Não procuro essa badalação de fora. Fico feliz em dar essa alegria ao brasileiro, mas já passei momentos muito duros na minha carreira e esses são difíceis de aguentar", disse Bia

"Hoje, eu estou aqui sentada num momento bacana na minha vida. O que eu busco é ter o equilíbrio. Daqui três meses, eu não sei o que pode acontecer. E para mim, é muito importante dar alegria a minha família. Não tem orgulho maior de chegar e conseguir ver minha vó assistindo e torcendo. Isso basta", acrescentou.

Além da blindagem, Bia conta que durante as competições, ela procura espairecer em momentos de folga e conhecer a cidade em que está. "A minha equipe representa o meu trabalho, são pessoas muito tranquilas e para mim é fundamental o ambiente em que você está inserido. A gente joga uma, duas horas, mas está com essas pessoas o dia inteiro. O Rafa (técnico) me ensinou a olhar o lado humano, apesar do tênis. Quando estivemos na Inglaterra, também passeamos, conhecemos lugares. É importante", falou.

Bia venceu dois torneios WTA 250 seguidos em duas semanas - Nottingham e Birmingham -, chegou a 25ª posição do ranking mundial de simples e assim igualou nada menos do que Maria Esther Bueno.

Com isso, ela chegou em Wimbledon como cabeça de chave e entre as dez mais cotadas ao título em quase todas as casas de apostas mais conhecidas. Apesar disso, o início da caminhada no Grand Slam não saiu como planejado. Bia foi derrotada pela eslovena Kaja Juvan (#62, 21 anos): 6/4, 4/6 e 6/2.

"É um momento muito especial e bacana. Basicamente, essas oito semanas foram vividas da mesma forma como todas as outras do ano. A gente tem a mesma rotina independente do momento. Acho que a única diferença dos torneios preparatórios foi a minha oscilação. Ficar extremamente feliz com as conquistas nos preparatórios não me fez tirar o foco. Mas eu vi, em Wimbledon, que preciso ser cada vez mais uma jogadora agressiva. Fiquei ansiosa, poderia ter sido mais corajosa, arriscar mais", analisou Bia.

Agora, Bia terá uns dias de folga no Brasil e logo viaja para Canadá e Estados Unidos para os torneios preparatórios antes do US Open, que começa em 29 de agosto. "Quero construir um jogo agressivo. Tem alguns pontos que ainda preciso melhorar, e pretendo elevar de patamar. Tracei objetivo de terminar entre as 50 e alcancei. Agora a gente traçou estar entre os 25 até o fim do ano", concluiu.

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