PUBLICIDADE
Topo

Fórmula 1

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Seixas: 'Criou-se um climão na Red Bull. Teve uma colher de marmelada'

Do UOL, em São Paulo

23/05/2022 04h00

Max Verstappen venceu o GP da Espanha e assumiu a liderança do Mundial de Pilotos. A dobradinha com Sergio Pérez também deu à Red Bull a ponta do Mundial de Construtores, coroando uma dupla vitória sobre a Ferrari. Seria um domingo perfeito para a escuderia austríaca, mas o dia terminou com um 'climão': o piloto mexicano deixou clara sua insatisfação por ter que ceder o primeiro lugar na prova para seu companheiro de equipe.

Na Live F1 do Seixas e do Flavio, transmitida pelo UOL Esporte logo após as corridas da Fórmula 1, os jornalistas Fábio Seixas e Flavio Gomes discutiram sobre o clima estranho que pairou sobre a Red Bull.

"Criou-se um climão dentro da Red Bull. Antes do abandono do Leclerc, o Verstappen estava atrás do Russell e não conseguia ultrapassá-lo por um problema no DRS. O Pérez estava atrás, mais rápido, e já havia pedido à equipe para tirar o Max da frente e que ele poderia passar o Russell. A Red Bull nem teve muito tempo de reagir. Logo depois, veio o abandono do Leclerc. A Red Bull chamou o Verstappen para os boxes para colocar pneus novos e tentar o undercut, e conseguiu", explicou Seixas.

Após esta parada, Verstappen ganhou a posição de Russell, mas voltou atrás de Pérez. Foi aí que veio a ordem da escuderia austríaca que deixou Pérez inconformado. "A equipe pediu para o Pérez abrir caminho. Em um primeiro momento, ele respondeu pelo rádio 'É injusto, mas ok'. Assim que saiu do carro, no fim da prova, ele disse 'Precisamos conversar'. Falamos tanto dos 20 anos da marmelada do GP da Áustria e hoje [ontem] foi mais ou menos isso", comparou Seixas.

O colunista do UOL lembrou uma das páginas mais vergonhosas da história da Fórmula 1. Em 2002, no GP da Áustria, Rubens Barrichello liderava a corrida no circuito de A1 Ring (atual Red Bull Ring). Pelo rádio, a Ferrari ordenou ao piloto brasileiro para que deixasse Michael Schumacher, seu companheiro de equipe, ultrapassá-lo. Rubinho cumpriu o pedido a poucos metros da linha da chegada - o que originou a icônica narração de Cléber Machado com o "Hoje não! Hoje sim".

Para Seixas, o mexicano tinha chances reais de ganhar o GP da Espanha se não recebesse a ordem da Red Bull. "O Pérez poderia ganhar a corrida se não fosse a ordem, ainda mais com o problema de DRS do Verstappen. Não foi tão acintoso como o Rubinho, de parar o carro na linha de chegada, mas também fez questão de deixar bem claro que não estava satisfeito com o que havia acontecido. Teve uma colherada de marmelada nesse resultado na Espanha", colocou.

Embora entenda a reação de Pérez, Gomes ressaltou que a atitude da equipe é justificável. "Se sou a Red Bull, nem discuto muito com o Pérez. Não dá para comparar quem realmente vai brigar pelo título. Não gostamos muito das marmeladas, mas muitas vezes esse tipo de reação do piloto é um pouco jogar para a galera. O Verstappen fez uma corrida brilhante. Se fosse preciso ter uma estratégia diferente da do Pérez, talvez conseguisse cumprir. Cria-se um mal-estar, sim. Compreendo o que a Red Bull fez nesse contexto da Fórmula 1 de 2022, em que claramente temos alguém que é melhor e é o primeiro piloto da equipe", concluiu o colunista do UOL.

Não perca! A próxima edição da Live F1 do Seixas e do Flavio será logo após o GP de Mônaco, em 29 de maio. Você pode acompanhar o programa pelo Canal UOL, no canal do UOL Esporte no Youtube e pelas redes sociais do UOL.

Fórmula 1