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Pior piloto da história da F1 foi atropelado por safety car; veja histórias

Taki Inoue, ex-piloto da F1, em 1995 - Claire Mackintosh/Getty
Taki Inoue, ex-piloto da F1, em 1995 Imagem: Claire Mackintosh/Getty

Do UOL, em São Paulo

15/05/2022 04h00

Correr na Fórmula 1 é um verdadeiro prestígio para o seleto grupo que consegue disputar os GPs. Desde o princípio, a categoria costuma selecionar os melhores pilotos do planeta para representarem as equipes nas pistas. No entanto, esse não era o caso do japonês Taki Inoue.

Considerado por muitos, inclusive por ele mesmo, como o "pior piloto da história da F1", Inoue participou de 18 corridas da F1. Atuando pela Simtek e Footwork Arrows entre 1994 e 1995, ele nunca marcou um ponto sequer. Taki, inclusive, já chegou a ser atropelado por um safety car, duas vezes.

Tanto dentro como fora da categoria, o japonês ficou mais conhecido pela sua personalidade cômica e trapalhadas do que pelas atuações nas pistas. Em sua curta passagem pela F1, ele acumulou histórias impressionantes e um tanto quanto inacreditáveis. Confira as mais icônicas:

Atropelado por um safety car

No Grande Prêmio da Hungria, em 1995, Inoue precisou abandonar a corrida após seu motor pegar fogo. Com isso, ele parou ao lado da pista e decidiu por conta própria ajudar a combater a fumaça com um extintor.

Só que ele não viu que um safety car estava chegando e, quando estava retornando ao seu carro, acabou sendo atingido. Taki, então, foi jogado em cima do capô com o impacto, mas conseguiu aterrissar com os dois pés e, sem largar o extintor, desabou no chão.

"Bang! Algo me bateu muito forte", lembrou Inoue, em entrevista antiga ao 'Top Gear'. "Mas eu caí de pé, pouso perfeito", acrescentou. Mantendo o bom humor, ele quase deu nota dez a si mesmo: "Acho que foi 9,99."

Depois disso, o piloto ainda teve que esperar até o final da prova para ser levado ao hospital. "Esperava que o helicóptero me levasse ao hospital, mas Charlie [Whiting, então diretor de corrida da F1] chegou e disse: 'Desculpe, Taki, não podemos usar o helicóptero, senão paramos o GP'."

Chegando ao hospital, mais um episódio para aumentar o drama do japonês. Ele revelou que, no local, pediram seu cartão de crédito antes de atendê-lo. "Esperava que imediatamente verificassem meu osso, mas eles disseram: 'Taki, queremos seu cartão de crédito.' Eu disse: 'O quê? Cartão de crédito? Não tenho!' Ainda estava no meu macacão!", contou.

"Mas eles queriam que eu pagasse primeiro, senão não iam me ajudar. Eu falei: 'Vamos, estou muito dolorido.' Mais meia hora, grande negociação", acrescentou. Inoue afirmou que, no final, ele não pagou, e o hospital "continua mandando fatura".

Atropelado (de novo) por um safety car

Também em 95, ele se envolveu em outro acidente com um safety car, agora no GP do Reino Unido, mas desta vez a culpa não foi dele. Enquanto estava sentado em seu carro e sendo rebocado após o Q1, Inoue foi atingido de lado.

A batida causada pelo safety car fez com que seu carro capotasse e o japonês terminou com capacete amassado. Ao chegar no hospital para ser examinado, ele disse que o médico quis olhar primeiro uma outra região.

"Eles tentaram ver o meu pênis primeiro, tocando minhas bolas. É procedimento usual, aprendi isso lá. Quando as bolas se movem, o cérebro está bem. Se elas não se moverem, então há um problema com danos cerebrais, acho", relatou.

Consciência da habilidade

Inoue é considerado por muitos como o primeiro dos 'pilotos pagos' da F1, ou seja, aqueles que compram a sua participação na categoria. À 'Top Gear', o japonês negou veementemente a acusação e comparou o patrocínio de outros pilotos como exemplo. No entanto, ele acabou assumindo que não tinha nível suficiente para competir.

"Cada piloto é uma espécie de piloto pago. Schumacher, Alonso... Sim, Alonso recebia uma taxa de condução, mas quanto o [patrocinador espanhol] Santander pagava à Ferrari? O que eu fiz foi o mesmo. A única diferença é que eu não era bom o suficiente para pilotar na F1", afirmou.

Corrida de cavalos e pit stop

Taki decidiu que queria correr na Fórmula 1 aos 15 anos depois que viu um cartão de James Hunt. "Essa é a Fórmula 1", responderam quando ele perguntou o que era aquilo. Quando acrescentou ao questionamento se algum piloto da categoria era japonês, falaram: "É impossível para os japoneses."

Ele, então, decidiu ir para o Reino Unido para perseguir seu novo sonho. Quando chegou em Londres, Inoue perguntou onde poderia ir para se tornar um piloto de corrida. Responderam que ele deveria seguir para Newmarket. Chegando lá, perguntou se aquele local era uma pista de corrida. "Sim, é de corrida de cavalos", respondeu o motorista.

Apesar do início "desastroso", como ele mesmo diz, o japonês acabou conseguindo entrar na F1 após juntar uma quantia suficiente de patrocínio. "Eu estava com muito medo, o carro era muito rápido, muito assustador", contou à 'Top Gear'.

Por fim, Taki admitiu que chegou no grid do GP do Brasil, em São Paulo, sem saber o que era um pit stop. "Ninguém me disse. Mas pelo menos o carro não era difícil. Uma vez que você se acostuma com os freios de carbono, é muito fácil de usar. Ou eu que dirigi muito devagar", concluiu.

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