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Por que Galvão Bueno não narrou a marmelada do GP da Áustria de 2002 na F1

Schumacher e Barrichello no pódio do GP da Áustria de 2002 - Reprodução
Schumacher e Barrichello no pódio do GP da Áustria de 2002 Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

12/05/2022 16h34

"Hoje, não, hoje, não... Hoje, sim..." A clássica narração de Cléber Machado no GP da Áustria de 2002 na Fórmula 1 poderia nem existir. Isso porque há 20 anos, Galvão Bueno era a voz da Globo nas transmissões da F1 no Brasil. Mas Galvão foi escalado para narrar o clássico entre Corinthians e São Paulo na final do Torneio Rio-São Paulo. Com o empate em 1 a 1, o Corinthians foi campeão após vencer o primeiro jogo por 3 a 2.

Na F1, Rubens Barrichello, que foi pole e liderou o GP do início ao fim, se viu obrigado a acatar uma ordem da Ferrari e ceder a primeira posição ao companheiro de equipe Michael Schumacher a menos de 10 metros do fim, em uma das maiores marmeladas da história da categoria. Durante a transmissão, Cléber Machado não escondeu sua indignação.

"É inacreditável. Não há necessidade nenhuma de a Ferrari fazer isso. Olha a vaia. Olha o sinal da torcida. É a imagem mais frustrante do esporte. O vitorioso do domingo é Rubens Barrichello. A grande derrotada do domingo é a Ferrari."

Na ocasião, a ordem da Ferrari não fez sentido para os torcedores e imprensa. Isso porque, no GP da Áustria, o alemão liderava o Mundial com 21 pontos à frente de Juan Pablo Montoya, com apenas cinco corridas na conta. Ou seja: o penta certamente viria com ou sem marmelada.

Em entrevista a Fábio Seixas, colunista do UOL, Cleber Machado recordou aquele dia e diz que até hoje ouve piadas por causa da narração.

"É claro que você não pensa. A gente não pensa mesmo. Desde lá, até hoje, você anda na rua e alguém grita para você: 'Hoje, não. Hoje, sim'. Eu fiquei muito na dúvida se eu fiz uma bobagem e saiu aquilo. Eu não tenho nenhum problema que eu fui absolutamente natural."

Ele também recordou que no ano anterior, no mesmo GP da Áustria, Barrichello havia cedido o segundo lugar ao companheiro, que brigava pelo título. Por causa do domínio de Barrichello no final de semana e do que havia acontecido em 2001, Cléber chegou a apostar com o comentarista Reginaldo Leme que a cena não se repetiria.

"Quando a corrida estava na sua metade, mais ou menos, eu falei 'pô, o Barrichello está muito bem, dominando o fim de semana...' E acho que me veio a imagem pelo que aconteceu no ano anterior, o segundo para o terceiro lugar. 'Mas acho que neste ano, não vai acontecer isso'. Meti um quase 'hoje não'. Reginaldo [Leme] falou assim: 'Eu não apostaria nisso'. Ou seja, o Reginaldo já estava em dúvida se a Ferrari não faria a mesma coisa. Eu falei: 'Não, hoje eu vou apostar. Não vai fazer'. A corrida foi acontecendo e eu fui bancar o ganhador da aposta e aconteceu o que aconteceu na reta final, aos quatro menos da linha de chegada."

E o Galvão?

Escalado para narrar a final do Torneio Rio-São Paulo, Galvão Bueno não deixou de comentar a marmelada ocorrida na F1. "Rubinho ganhou, mas não levou", disse durante a transmissão da partida entre São Paulo e Corinthians.

Em campo, Reinaldo fez o primeiro gol do São Paulo aos dois minutos de jogo. Mas o Corinthians empatou aos 32 do segundo tempo, em cobrança de falta de Rogério. Como no primeiro jogo da final, o time do Parque São Jorge havia derrotado o rival por 3 a 2, sagrou-se campeão do Torneio Rio-Sao Paulo, com a narração de Galvão Bueno.

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