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Djokovic: especialista explica polêmica e vê chance pequena de vitória

Tenista sérvio, que não se vacinou contra a covid-19, teve visto cancelado pelo governo australiano - Reuters
Tenista sérvio, que não se vacinou contra a covid-19, teve visto cancelado pelo governo australiano Imagem: Reuters

Bruno Madrid

Do UOL, em São Paulo

15/01/2022 04h00

Novak Djokovic, atual número um do mundo no tênis, vive um imbróglio judicial que ameaça sua participação no Aberto da Austrália, prevista para segunda-feira (17).

Isso porque o sérvio, que não se vacinou contra a covid-19, teve seu visto cancelado na madrugada de ontem (14) por decisão do governo australiano e está detido enquanto a Justiça examina sua deportação.

O caso repercute no mundo todo e atinge, além do esporte, a esfera judicial. A brasileira Deborah Barros Leal Farias, professora de Política e Relações Internacionais na UNSW (University of New South Wales) em Sydney, explicou a atual situação do tenista.

Atual número um do mundo vê em xeque sua participação no Aberto da Austrália - Julian Finney/Getty Images - Julian Finney/Getty Images
Atual número um do mundo vê em xeque sua participação no Aberto da Austrália
Imagem: Julian Finney/Getty Images

"O caso bateu na mesa do Ministro de Imigração [Alex Hawke], e ele tem um poder discricionário que é de vetar a entrada de alguém que é considerado quase que uma 'persona non grata', ou por alguma questão de saúde ou interesse público, que é o que acabou sendo. Foi dito 'não' para ele", iniciou ela, que é graduada em Direito, em entrevista ao UOL Esporte.

"Então, diante disso, os advogados do Djokovic entraram com um recurso, e a decisão final vai ser tomada aqui na Austrália amanhã, no domingo", prosseguiu ela —a audiência deve acontecer, no horário de Brasília, por volta das 20h30 de hoje.

Para Deborah, a chance de a defesa do tenista validar a apelação e mantê-lo na Austrália para o torneio de tênis é "pequena".

"Isso porque os advogados têm que contestar, dentro de um amplo leque de possibilidades da lei, que ainda assim o ministro estaria errado. Dizem por aqui que a chance é muito pequena. Provavelmente, se no domingo a decisão do ministro se confirmar, o processo acaba aí. Neste caso, ele teria que ir embora do país."

"As duas partes [governo e Djokovic] vão ser ouvidas pela corte federal, e cada um tem uma hora para apresentar os seus argumentos perante o juiz, que vai decidir se ele fica ou vai. Não tem muita conversa. É mais provável que ele saia da Austrália, mas o tênis também pode ser uma caixinha de surpresas", complementou a professora.

A especialista detalhou uma possível punição ainda maior ao sérvio, que tem chance de passar até três anos sem poder entrar na Austrália, país que realiza o torneio anualmente.

"Neste tipo de decisão do ministro, quando ele usa esse poder de não deixar um estrangeiro permanecer no país, há a possibilidade de a pessoa em questão ficar até três anos sem poder entrar no local novamente. Mas há um detalhe: é da prerrogativa do governo criar exceções, e se for de interesse da Austrália, essa pessoa pode ter aquela punição revertida para entrar de novo. Ou seja, em teoria, mesmo que ele seja colocado para fora agora, pode ser que no futuro ele jogue normalmente", explicou Deborah.

Repúdio da população e hospitais cheios

Morando na Austrália há quase quatro anos, a brasileira vê a população local de acordo com a atitude do ministro Hawke.

"Outro ponto é o seguinte: vi uma pesquisa em um jornal daqui dizendo que 83% dos australianos entrevistados acreditam que a decisão certa é ele ser colocado para fora. Isso dá quatro a cada cinco australianos", iniciou.

Profissional da saúde faz teste para coronavírus num drive thru em Bondi Beach, em Sydney, na Austrália - Loren Elliott/Reuters - Loren Elliott/Reuters
Profissional da saúde faz teste para coronavírus num drive thru em Bondi Beach, em Sydney, na Austrália
Imagem: Loren Elliott/Reuters

"Existe um movimento contra a vacina aqui também, como em todo lugar do mundo, infelizmente, mas ele, com certeza, é minoria. Acho que o australiano médio não aceita esse tratamento duplo, de uma pessoa que tem dinheiro ser tratada de maneira diferente", continuou ela.

Por fim, Deborah abordou como está a situação do coronavírus na Austrália, enfatizando novamente a gravidade da atitude do tenista em meio às circunstâncias atuais.

"Aqui os hospitais estão lotados, a variante ômicron está lotando o sistema público hospitalar. Então não é hora de vir uma pessoa que não é vacinada e que não quer se vacinar", finalizou.

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