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Novak Djokovic: o que sabemos sobre caso envolvendo o tenista na Austrália?

Novak Djokovic, durante treino antes do Australian Open 2022 - AFP PHOTO / TENNIS AUSTRALIA / SCOTT BARBOUR
Novak Djokovic, durante treino antes do Australian Open 2022 Imagem: AFP PHOTO / TENNIS AUSTRALIA / SCOTT BARBOUR

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/01/2022 09h46

Novak Djokovic é o nome mais comentado no mundo do esporte neste início de 2022. No entanto, não é pelo desempenho do sérvio nas quadras de tênis, mas sim por ter pedido uma isenção para entrar na Austrália sem se vacinar, alegando que testou positivo para covid-19 no dia 16 de dezembro — o estado de Victoria (onde está situada Melbourne, a sede do Grand Slam) determinou que só pessoas vacinadas poderiam entrar parar jogar o torneio.

O caso envolvendo Djokovic ganhou diversos desdobramentos nas últimas semanas, e o UOL Esporte listou o que já sabemos sobre a polêmica envolvendo o tenista número 1 do mundo.

Visto cancelado

A isenção solicitada por Djoko foi aceita e ele embarcou para Melbourne. Ao desembarcar, foi parado pela polícia alfandegária. Segundo os oficiais, o tenista não apresentou todos os documentos necessários para justificar sua entrada no país. Por isso, depois de passar a noite separado de sua equipe em uma sala do aeroporto de Melbourne, Djokovic teve seu visto cancelado.

Apelação

O número 1 do mundo, então, decidiu apelar da decisão e continuar na cidade. Ele foi levado pelas autoridades locais para um hotel, onde ficou confinado e teve rejeitado um pedido de se mudar para uma residência em Melbourne.

Nos dias entre o cancelamento do visto quarta-feira, dia 5, e esta segunda-feira, dia 10, várias informações diferentes foram reveladas pela imprensa australiana. Segundo a Tennis Australia, a isenção só foi concedida a Djokovic após análise de dois painéis de especialistas. O primeiro, formado pela própria federação australiana de tênis. O segundo, por especialistas escolhidos pelo governo do estado de Victoria. Segundo a documentação exibida pela TA, bastava provar contágio por covid nos últimos seis meses para que a isenção fosse obtida - e foi o que Djokovic fez.

No entanto, o jornal The Age publicou uma carta enviada pelo Ministério da Saúde à TA informando que contrair covid não deveria isentar ninguém de vacinação. Esta, aparentemente, era a razão do imbróglio. A polícia alfandegária levou em conta as exigências do Ministério da Saúde - governo federal - para barrar Djokovic no aeroporto.

Vitória na Justiça

Após ser barrado na chegada à Austrália, Djokovic apelou à Justiça local e ganhou. A decisão foi proferida pelo juiz federal Anthony Kelly, que ouviu os advogados de ambas partes na audiência.

Em seu pronunciamento, o juiz Kelly ordenou, às 17h16 locais (3h16 de Brasília) de hoje, que Djokovic fosse liberado do confinamento em até 30 minutos e que seu passaporte fosse devolvido o mais rápido possível.

O caso, porém, ainda não está totalmente decidido, já que o ministro de Imigração, Cidadania, Serviços a Imigrantes e Relações Multiculturais ainda considera a possibilidade de exercer seu poder pessoal de cancelar o visto concedido a Djokovic. Se isso acontecer, o tenista sérvio pode ficar sem poder entrar na Austrália por três anos.

Os argumentos

Para chegar à decisão, o juiz Anthony Kelly levou em consideração principalmente o pouco tempo que Djokovic teve para dar explicações quando foi abordado pela polícia alfandegária australiana. O magistrado afirmou que cancelar o visto do número 1 do mundo não foi uma medida justa porque foi informado às 5h20 de quinta-feira que teria até 8h30 para dar explicações sobre a documentação que portava para entrar no país e por que acreditava que ela era suficiente. A Imigração, no entanto, voltou a questionar Djokovic às 6h14 e tomou a decisão de cancelar o visto do tenista às 7h42.

"O aplicante [Djokovic], portanto, não pôde dar suas explicações às 8h30", disse Kelly. O magistrado disse ainda que, se a Imigração tivesse esperado até as 8h30, Djokovic poderia ter consultado outras pessoas e apresentado outros papéis.

As questões sobre o teste positivo de covid que os advogados de Djokovic levantaram e a exigência de vacinação pelo governo federal não foram discutidos nas partes da audiência transmitidas pela internet. A decisão do juiz federal também não citou o imbróglio entre a Tennis Australia (TA, federação australiana de tênis) e o governo federal.

Djokovic pode ser preso?

Segundo o jornal "Daily Telegraph", da Austrália, o governo local está investigando se o jogador de 34 anos mentiu ao preencher o formulário para entrar no país e disputar o Aberto da Austrália, primeiro Grand Slam da temporada. O veículo informa que o número um do mundo fez uma "declaração falsa" ao informar que não viajou 14 dias antes de voar para Melbourne. Todos os viajantes são questionados sobre deslocamentos anteriores, e podem ser punidos caso apresentem "informação enganosa".

Cabeça de chave

O Australian Open confirmou o sérvio Novak Djokovic como primeiro cabeça de chave da edição deste ano do Grand Slam. A organização do torneio divulgou, ontem, a lista dos cabeças de chave tanto do masculino quanto do feminino. A competição começa na segunda-feira (17). Líder do ranking mundial, Djoko é o cabeça de chave número 1 entre os homens.

Explicações

O último pronunciamento de Djokovic foi hoje mesmo, pelas redes sociais. Disse que não sabia do resultado positivo quando participou do evento com crianças no dia 17 de dezembro; admitiu que já sabia do resultado quando deu a entrevista ao L'Équipe e reconheceu seu erro; e culpou seu empresário por preencher equivocadamente o formulário da imigração australiana. O número 1 do mundo, contudo, não falou sobre o QR code que levou Der Spiegel a indagar se o resultado do teste de covid do tenista sérvio foi manipulado.

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