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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Colunistas opinam: Djoko perde posto de ídolo com polêmica na Austrália?

Novak Djokovic, durante treino antes do Aberto da Austrália - William WEST / AFP
Novak Djokovic, durante treino antes do Aberto da Austrália Imagem: William WEST / AFP

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

12/01/2022 14h27

Novak Djokovic se tornou o nome do esporte mais comentado no início de 2022, mas não por seu desempenho dentro das quadras. O tenista nº 1 do mundo causou polêmica ao pedir uma isenção para entrar na Austrália sem se vacinar, alegando que testou positivo para covid-19 no dia 16 de dezembro — o estado de Victoria (onde está situada Melbourne, a sede do Grand Slam) determinou que só pessoas vacinadas poderiam entrar parar jogar o torneio.

Diante do atual cenário envolvendo Djoko, inclusive com inúmeros fãs colocando-se tanto contra como a favor às atitudes do sérvio, acionamos os colunistas do UOL Esporte para responderem à seguinte pergunta: Novak Djokovic perde o posto de ídolo com polêmica na Austrália? Veja o que eles responderam:

Para muita gente, já perdeu. E já tinha perdido antes, quando organizou o Adria Tour durante a pandemia e mostrou um lado favorável a, digamos, uma ciência não-tradicional. E já havia perdido alguns quando deu demonstrações de pouca esportividade após ser eliminado nos Jogos de Tóquio (quebrou raquete na disputa do bronze de simples e recusou-se a entrar em quadra para a disputa do bronze nas duplas mistas). Obviamente, haverá sempre os ultrafanáticos e aqueles que, por interesses próprios, continuarão transformando uma discussão sobre saúde pública em questão partidária. No entanto, a carreira de Djokovic já está recheada de incidentes que mancham sua imagem (como a bolada que deixou uma juíza de linha sem ar no US Open alguns anos atrás). O episódio de sua ida à Austrália, que incluiu o preenchimento equivocado de um formulário de imigração (Djokovic culpou seu empresário) e a inacreditável revelação de que Djokovic deu uma entrevista e participou de uma sessão de fotos sabendo estar positivo para covid 19, foi a gota d'água para muitos.
ALEXANDRE COSSENZA

Deveria perder, afinal Djokovic é um péssimo exemplo como ser humano. A aproximação com ditadores, o nocivo discurso antivacina e, agora, potencialmente, as mentiras contadas para sustentar sua tentativa de participar do Australian Open, esperando tratamento especial por conta de sua fama, dão os contornos de um homem de comportamento desprezível. Isso não pode ser esquecido em nome da sua habilidade como tenista.
ALICIA KLEIN

Importante entender que gênio é diferente de ídolo. O ídolo no esporte é aquele que além de uma capacidade técnica fora do comum, sabe que sua força vai muito além de uma quadra, campo ou pista. Atleta não só pode, como deve ser agente de transformações sociais, como a conscientização sobre vacina e proteção à saúde de todos. A história talvez reserve para o Djokovic apenas o lugar de gênio, sem ter sido ídolo.
ANDREI KAMPFF

Depende pra quem. Eu, pessoalmente, perdi qualquer vontade de torcer por Djokovic. Sempre que eu ligar a televisão e ele estiver em quadra, minha torcida será pelo adversário. E não só pelo episódio da Austrália, mas já pelas atitudes dele na pandemia. Mas não dá para negar que ele vai continuar sendo ídolo de um monte de gente. Muitos brasileiros "patriotas" que não ligavam para tênis agora são fãs incondicionais do herói antivax sérvio.
DEMÉTRIO VECCHIOLI

Ídolo não é algo fabricado. É algo que se sente. A pessoa tem um ídolo ou não, e são os critérios pessoais de cada um que valem, não o que queremos ou desejamos. Djokovic virou ídolo de milhões pelo que faz na quadra e também por sua maneira descontraída, imitando colegas, etc. Destes milhões, muitos nem sabem o que está acontecendo na Austrália. Outros tantos irão separar as coisas. Outros tantos irão pegar "bode" dele. E vai até ter gente que nem ligava para Djoko e que agora virou fã e se sente representado pela atitude "libertária" dele. Não cabe a nós dizer quem é ídolo ou não. Eu, pessoalmente, já peguei bronca desde o início da pandemia, com aquele evento gerando aglomeração na Sérvia. Um craque da raquete, um idiotia como cidadão.
JULIO GOMES

Não tem dois Novaks. Tem um. Talento não substitui caráter e noção de vida em sociedade. O exemplo que ele passa não combina com a palavra ídolo.
MARÍLIA RUIZ

É inadmissível que um ídolo mundial do esporte não tenha um comportamento responsável em relação à saúde humana. É o mínimo que se espera de um atleta, ainda mais no nível de excelência que ele alcançou na carreira. Desrespeita um país ao colocar seu posicionamento pessoal acima da lei. Desrespeita o cidadão comum ao exigir ser exceção. Em uma pandemia cruel e assassina, não há como se idolatrar um inconsequente. Acabou pra ele.
MARLUCI MARTINS

Não. Ele não é ídolo por ser um bom cidadão. O que interessa, para quem o tem como ídolo, é o tênis que joga. A idolatria não muda. Por mim, estaria preso.
MENON

Deveria perder. Joga muito, mas não tem talento para ser ser humano. Opera na chave do indivíduo, do individualismo, da falta de empatia e de consciência. Não basta ser enorme na quadra; é preciso ser grande na vida.
MILLY LACOMBE

Djokovic, gênio do tênis, está sendo arrogante, teimoso e irresponsável. Na Austrália ele levou derrota vexatória e merecida por 3 a 0, com parciais de 15/0, 15/0 e 15/0. Se não está vacinado, que se vacine, e se já se vacinou, que prove isso! Certamente decepcionou muita gente, inclusive eu, embora nada vá apagar suas conquistas nas quadras. Mas o posto de ídolo fica arranhado, obviamente.
MILTON NEVES

Farei um esforço brutal para tentar separar a imagem de Djokovic dentro das quadras da de fora delas. Como tenista, ídolo incontestável. Como ser humano, é um negacionista perigoso para a sociedade. Dos mais perigosos, por causa da quantidade de fãs que tem. Ainda que faça boas ações, não serve mais como fonte de inspiração.
PERRONE

Perdeu com certeza o carinho de muitos, pela absurda postura de não aceitar se vacinar em meio a uma pandemia que já entra em seu terceiro ano. Mas a admiração pelo extraordinário tenista que é, continuará. O esporte está cheio de ídolos que têm pessoalmente posições discutíveis. O nosso Pelé que o diga.
RENATO MAURÍCIO PRADO

Deveria. Mediante a maior crise sanitária da história da humanidade, ele segue com a postura negacionista e irresponsável. Mostra-se um ser humano pobre de princípios. Sem respeito e amor ao próximo, sem discernimento da sua incapacidade perante a estudos médicos. Isso não pode estar abaixo do que faz em quadra.
RODRIGO COUTINHO

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