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Djokovic festeja após vitória na Justiça e agradece apoio

Do UOL, em São Paulo

10/01/2022 10h32

O tenista Novak Djokovic se manifestou pela primeira vez após ganhar na Justiça australiana o direito de entrar no país e, consequentemente, de disputar o Australian Open depois de ter seu visto cancelado na chegada à Austrália. O sérvio agradeceu o apoio que vem recebendo e manifestou o desejo de seguir no país para defender o título no primeiro Grand Slam do ano.

Irmão de Djokovic, Djordje afirmou em entrevista coletiva que o tenista já treinou hoje à noite (horário local) depois da decisão da Justiça. O número 1 do mundo publicou uma foto no Instagram da atividade realizada em Melbourne.

"Estou agradecido e grato que o juiz anulou o cancelamento do meu visto. Apesar de tudo o que aconteceu na semana passada, quero ficar e tentar disputar o Aberto da Austrália. Eu continuo focado nisso. Eu voei até aqui para jogar em um dos eventos mais importantes que temos diante de fãs incríveis", escreveu Djoko na legenda do post.

"Por enquanto, não posso dizer mais nada, mas obrigado por estar comigo durante tudo isso e me encorajar a permanecer forte", acrescentou o sérvio.

A estrela do tênis teve negada a entrada na Austrália após ter inicialmente recebido uma isenção médica para poder disputar o Aberto da Austrália mesmo sem provar se está vacinado contra a covid-19.

Djokovic apelou na Justiça e não foi deportado de forma imediata. Ele permaneceu detido em um hotel de Melbourne até a audiência realizada hoje.

Vitória na Justiça

Após ser barrado na chegada à Austrália, Djokovic apelou à Justiça local e ganhou. A decisão foi proferida pelo juiz federal Anthony Kelly, que ouviu os advogados de ambas partes na audiência.

Em seu pronunciamento, o juiz Kelly ordenou, às 17h16 locais (3h16 de Brasília) de hoje, que Djokovic fosse liberado do confinamento em até 30 minutos e que seu passaporte fosse devolvido o mais rápido possível.

O caso, porém, ainda não está totalmente decidido, já que o ministro de Imigração, Cidadania, Serviços a Imigrantes e Relações Multiculturais ainda considera a possibilidade de exercer seu poder pessoal de cancelar o visto concedido a Djokovic. Se isso acontecer, o tenista sérvio pode ficar sem poder entrar na Austrália por três anos.

Os argumentos

Para chegar à decisão, o juiz Anthony Kelly levou em consideração principalmente o pouco tempo que Djokovic teve para dar explicações quando foi abordado pela polícia alfandegária australiana. O magistrado afirmou que cancelar o visto do número 1 do mundo não foi uma medida justa porque foi informado às 5h20 de quinta-feira que teria até 8h30 para dar explicações sobre a documentação que portava para entrar no país e por que acreditava que ela era suficiente. A Imigração, no entanto, voltou a questionar Djokovic às 6h14 e tomou a decisão de cancelar o visto do tenista às 7h42.

"O aplicante [Djokovic], portanto, não pôde dar suas explicações às 8h30", disse Kelly. O magistrado disse ainda que, se a Imigração tivesse esperado até as 8h30, Djokovic poderia ter consultado outras pessoas e apresentado outros papéis.

As questões sobre o teste positivo de covid que os advogados de Djokovic levantaram e a exigência de vacinação pelo governo federal não foram discutidos nas partes da audiência transmitidas pela internet. A decisão do juiz federal também não citou o imbróglio entre a Tennis Australia (TA, federação australiana de tênis) e o governo federal.

Entenda o caso

Apesar de o estado de Victoria - onde está situada Melbourne, a sede do Australian Open - determinar que só pessoas vacinadas poderiam entrar para jogar o torneio, Djokovic pediu uma isenção para entrar no país sem se vacinar alegando que testou positivo para covid-19 no dia 16 de dezembro de 2021. O tenista sérvio teve seu pedido atendido e viajou para Melbourne.

Ao desembarcar, foi parado pela polícia alfandegária. Segundo os oficiais, o tenista não apresentou todos documentos necessários para justificar sua entrada no país. Por isso, depois de passar a noite separado de sua equipe em uma sala do aeroporto de Melbourne, Djokovic teve seu visto cancelado.

O número 1 do mundo, então, decidiu apelar da decisão e continuar na cidade. Ele foi levado às autoridades locais para um hotel, onde ficou confinado até hoje e teve rejeitado um pedido de se mudar para uma residência em Melbourne.

Nos dias entre o cancelamento do visto (quarta-feira) e esta segunda-feira, várias informações diferentes foram reveladas pela imprensa australiana. Segundo a Tennis Australia, a isenção só foi concedida a Djokovic após análise de dois painéis de especialistas. O primeiro, formado pela própria federação australiana de tênis. O segundo, por especialistas escolhidos pelo governo do estado de Victoria. Segundo a documentação exibida pela TA, bastava provar contágio por covid nos últimos seis meses para que a isenção fosse obtida - e foi o que Djokovic fez.

No entanto, o jornal The Age publicou uma carta enviada pelo Ministério da Saúde à TA informando que contrair covid não deveria isentar ninguém de vacinação. Esta, aparentemente, era a razão do imbróglio. A polícia alfandegária levou em conta as exigências do Ministério da Saúde - governo federal - para barrar Djokovic no aeroporto.

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