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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: "Algumas coisas precisam ser feitas em Jeddah. Pista é perigosa"

Do UOL, em São Paulo

05/12/2021 20h59

Em sua estreia no calendário da Fórmula 1, o circuito de Corniche chamou a atenção pela beleza do seu entorno, mas também pelo perigo de suas curvas em alta velocidade. Os diversos incidentes ocorridos durante o GP da Arábia Saudita, neste domingo (5), causaram várias bandeiras amarelas e vermelhas e abriram uma discussão sobre as condições de segurança da prova.

No Fim de Papo F1, live pós-corrida do UOL Esporte - com os jornalistas Fábio Seixas e Flavio Gomes - os comentaristas conversaram sobre os problemas ocorridos no circuito saudita. Houve problemas não apenas na Fórmula 1. Enzo Fittipaldi, neto do ex-piloto Emerson Fittipaldi, fraturou o tornozelo após sofrer um acidente na largada da Fórmula 2.

"Houve muitas críticas. Muita gente gostou de dirigir no circuito, mas uma coisa é dirigir sozinho em uma pista rápida, cheia de curvas cegas. Outra coisa é com 20 carros e em um circuito em que praticamente não há áreas de escape. É uma pista construída e que vai virar rua. É um circuito perigoso, cheio de muros. Algumas coisas precisam ser feitas nessa pista, porque ela é perigosa demais", analisou Gomes.

Seixas avaliou por outro ponto de vista. "O conceito da pista é excepcional. Normalmente, circuito de rua é chato, travado, ninguém passa ninguém, super estreito. Os caras resolveram fazer uma pista de rua super veloz. Então meio que deram uma invertida na lógica histórica do automobilismo. Achei isso muito legal. Os pilotos adoraram", disse.

Para o colunista do UOL, com alguns ajustes o circuito ficará em condições muito boas para sediar corridas por um longo período. "Piloto gosta de desafio, de triscar o muro, de fazer as curvas naquela velocidade. O que precisa ser feito agora, e tem um ano para fazer, é melhorar a condição de segurança da pista. Aumentar as áreas de escape, para que um piloto possa errar e pelo menos não possa acertar o muro logo de cara. Criar mais áreas para que os fiscais possam intervir, entrar na pista e tirar um pedaço de carro. Isso também foi uma falha. Fazendo essas mudanças, é uma pista que pode receber a Fórmula 1 por muito tempo", comentou Seixas.

Gomes destacou a necessidade de mudanças no circuito.. "Talvez seja preciso melhorar alguma coisa mesmo, embora nenhum acidente tenha sido causado pelas piores características dessa pista. O maior acidente aconteceu na largada porque um carro ficou parado na Fórmula 2, e isso acontece em qualquer pista. Felizmente, não houve acidente naquelas curvas cegas. Hoje, o nível de pilotagem da Fórmula 1 é muito alto e isso ajuda também. Mas algumas coisas devem ser estudadas e se deve refletir sobre elas", ponderou.

Seixas chamou a atenção para a realização da corrida na Arábia Saudita e criticou o fato de a Fórmula 1 ter uma etapa em um país com regime de governo marcado pelo autoritarismo e desrespeito aos direitos humanos. "Eu acho um absurdo a Fórmula 1 correr na Arábia Saudita. Qualquer entidade esportiva, sabendo dos valores do esporte, aceitar ir para a Arábia Saudita é uma aberração, para mim. Acho ofensivo para nós, humanos, pelo que é a Arábia Saudita e por seu regime", concluiu.

Não perca! A próxima edição do Fim de Papo F1 será em 12 de dezembro, após o GP dos Emirados Árabes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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