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'Sincericídio' e papo reto: Podpah se destaca em entrevistas com atletas

Igão e Mítico, apresentadores do podcast "Podpah" - Reprodução
Igão e Mítico, apresentadores do podcast "Podpah" Imagem: Reprodução

Thiago Braga

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/11/2021 04h00

"A gente sonha a vida inteira e só acorda no fim", diz a letra de Homem na Estrada, um dos clássicos dos Racionais, um dos maiores grupos de rap do Brasil. Durante a pandemia de Covid-19, Igor Cavalari, 25, e Thiago Marques, 31, bolaram a ideia que os fez acordar antes do fim e realizaram o sonho de uma vida inteira de batalhas, tentativas e erros, mas que foram o combustível para a explosão e reviravolta que os anos de 2020 e 2021 tiveram na vida de ambos.

Mais conhecidos como Igão e Mítico, os dois apresentam o Podpah, podcast "mais zika" da internet, como eles mesmos chamam. Na atração, que já levou músicos, influencers, políticos e ex-BBBs, os esportistas estão ganhando mais espaço na lista de convidados.

"Tem sido uma coisa natural por conta do cuidado que tomamos com quem vamos trazer. Essas pessoas se identificam com a gente, por a gente ter histórias parecidas. Essa galera se sente à vontade para vir para cá, pedem para os assessores. O papo é fluído, leve, por isso as histórias se conversam", explica Igão.

"O esporte tem abraçado o Podpah. É sempre um bate papo bem-humorado, relaxado. A gente não vai atrás para buscar polêmicas só para gerar views. Não quero falar sobre o que o cara fez de errado, colocar ninguém na parede. O convidado chega, oferecemos uma bebida, tudo para ele se sentir mais à vontade. E aí deixar o convidado entrar no assunto", ensina Mítico.

Foi assim que Tchê Tchê contou sobre a rusga com o técnico Fernando Diniz, no episódio classificado como determinante para a derrocada do São Paulo no Campeonato Brasileiro de 2020. Ao "Podpah", o jogador relatou ter ficado com uma "raiva incontrolável" ao ser chamado de "perninha e mascaradinho" por Diniz no duelo contra o Red Bull Bragantino.

"Não foi um negócio saudável para mim. Mano, eu fiquei com muita raiva, uma raiva incontrolável. O cara me conhecia, tinha uma ligação forte. Então acho que foi uma coisa desnecessária", relatou, no final de agosto.

Segundo Igão, a posição de Tchê Tchê surpreendeu a todos que estavam presentes no estúdio. "Ele chegou e falou: 'eu assisto muito vocês. Então, se vocês quiserem falar sobre aquele assunto, estou à vontade para falar pela primeira e última vez'. E foi assim que rolou o papo", relembra o apresentador.

Corintiano fanático, Igão tem uma réplica da taça do Mundial de Clubes conquistado em 2000 e tem o gol de Romarinho, contra o Boca Juniors, no empate por 1 a 1 na primeira partida da final da Libertadores de 2012, como seu momento favorito no esporte.

"O futebol sempre fez parte da minha vida. Desde cedo percebi que não daria para ser profissional, mas vivia jogando peladas. E se não estava jogando na vida real, estava jogando futebol no videogame", recorda.

Apesar de não ter muito contato atualmente com o esporte, Mítico revela que o sonho do pai era de que ele virasse atleta. "Fiz judô por uns anos, e depois, dos 7 aos 11 eu fiz natação e meu pai queria muito que eu fosse nadador. Mas a vida de atleta é muito dura. Muito regrada. Segunda, às 7h eu tinha de estar na piscina. Desencanei", conta ele.

Mais de 4 milhões de inscritos

Podcast não é novidade no Brasil. Mas a pandemia gerada pela Covid-19 aumentou o consumo nacional ao produto, e fez explodir uma ramificação, os podcasts ao vivo. Pesquisa da Associação Brasileira de Podcasters (abPod) mostra que a estimativa é que em 2021 o Brasil tenha 34,6 milhões de ouvintes de podcast. Levantamento feito em parceria entre o Itaú Cultural e o Datafolha apontou que 56,7 milhões de brasileiros entre 16 e 65 anos já escutam podcast. Na faixa de 16 a 24 anos, 61% têm o hábito de escutar programas de streaming de áudio.

O Podpah bateu recentemente a marca de 4 milhões de inscritos e registrou no YouTube média de 90 milhões de visualizações nos últimos três meses. Segundo números do canal, 48% da audiência é formada por jovens que têm entre 18 e 24 anos.

Com a consciência de que estão com um canhão de propagação nas mãos, Mítico e Igão querem ajudar a molecada a fazer escolhas certas, e isso se dá através das escolhas dos convidados. Na lista recente, os skatistas Kelvin Hoefler (prata nos Jogos de Tóquio), Pedro Barros, Yndiara ASP e Bob Burnquist, a medalhista olímpica do judô Mayra Aguiar, o ginasta Arthur Zanetti, além de ex-jogadores como Amaral, Cicinho, Vampeta, Cafu e Aloísio Chulapa, entre outros.

Os projetos para o esporte no canal só crescem. A dupla vai fazer uma live horas antes da final da Libertadores, dia 27 deste mês, diretamente de Montevidéu, no Uruguai. E o mesmo se repetirá para a final da Copa do Brasil.

"Encontramos o Mano Brown [vocalista do Racionais, ídolo da dupla e agora também podcaster] e ele falou sobre a importância do que estamos fazendo, que estamos no caminho certo", orgulha-se Mítico.

"Eu fui muito influenciado por programas como o Pânico e sei que estamos sendo isso para uma galera. Por isso queremos dar espaço para os outros esportes. Para que o skate não seja evidência só nas Olimpíadas. Sei que o esporte transforma vidas e não é só no futebol. A pessoa conta a história dela e as outras pessoas se identificam. A gente sempre chega bem nos esportes, mas quase sempre na base do talento individual. O esporte transforma vidas, como a cultura. O que a gente quer é ser uma veia social. Esse papo reto não precisa ser dado só de forma chata", finaliza Igão.

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