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Casagrande lembra vício: 'Corpo furado de picada e cheio de furúnculo'

Casagrande no "Converse com outras ideias", da GloboNews - Reprodução
Casagrande no "Converse com outras ideias", da GloboNews Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

26/08/2021 19h59

Walter Casagrande Jr., comentarista da Rede Globo, falou sobre dependência química na noite de hoje em participação no "Converse com outras ideias", da GloboNews. Bastante emocionado, o ex-jogador relembrou momentos de sua batalha contra as drogas.

Em relato no encontro virtual, Casão contou que demorou para admitir o vício e que chegou a deixar de pagar a clínica de reabilitação para abandonar o tratamento.

"Me vi dentro de uma clínica, acordei pesando 71 quilos, o corpo inteirinho furado de picadas de drogas injetáveis, cheio de furúnculos porque meu corpo tava explodindo de tanta impureza... Tinha perdido totalmente o controle da minha vida, era a droga que escolhia por mim", começou o ex-jogador.

"A dependência química é uma coisa muito louca, não é perceptível para o cara que está usando. Eu me olhava no espelho e me via normal. Para mim não estava acontecendo nada. Quando eu fui internado, comecei a fazer o tratamento, fiquei quatro meses relutando", contou em outro momento.

"Na minha cabeça, ainda muito doente, eu pensei: 'Vou parar de pagar a clínica e eles vão me colocar para fora'. Aí eu parei de pagar. Um mês, dois meses... Me lembro muito bem que o psicólogo Tiago me chamou em outra sala e perguntou: 'Você acha que vale a pena você voltar para a vida que te trouxe aqui ou você acha que merece dar uma chance para o tratamento?' Voltei para a sala e caí no choro", acrescentou.

A droga me congelou por muito tempo. Eu não sentia raiva, não sentia amor... Não sentia nada.

Casagrande conta que foi a partir desse episódio que ele começou a entender o seu problema com as drogas. O ex-jogador ficou um ano internado na clínica de reabilitação.

"Foi muito forte para mim aquilo. A dependência química era a ponta do iceberg. A droga era uma certa fuga, amortecer aquilo que não quer sentir. Comecei a desenvolver um conhecimento interno, foi necessário. Hoje, aprendi todas as minhas limitações e consegui substituir o maior vício que o dependente tem, que o pico de prazer que a droga dá", declarou.

"(...) é uma estrada muito difícil... Eu não percebia que eu era dependente químico, falaram para mim [que eu era dependente]."

Além de Casagrande, o encontro virtual contou com a atriz Letícia Colin e o médico Arthur Guerra. A conversa teve mediação da jornalista Aline Midlej.

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