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Carateca que vende bananadas voltou ao esporte para superar morte da avó

Gabriel Nunes da Silva vende bananadas para se manter no esporte - Reprodução/Instagram
Gabriel Nunes da Silva vende bananadas para se manter no esporte Imagem: Reprodução/Instagram

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

24/06/2021 04h00

"O esporte formou o homem que eu sou". Este homem é Gabriel Nunes da Silva, 19, que luta caratê desde os seis anos. Morador da zona oeste do Rio de Janeiro, o jovem vende bananadas para manter seus treinamentos. Em conversa com o UOL Esporte, o carioca, que tem o sonho de disputar as Olimpíadas, falou sobre a importância da prática esportiva em sua vida, que o ajudou a superar a morte da avó Creusa Maria.

"Estava longe do caratê desde os 11 anos. Eu retornei aos 18, quando minha avó faleceu em janeiro do ano passado. Eu perdi totalmente o equilíbrio da mente, do meu ser, do meu eu. Eu tive que retornar à minha essência para eu tentar melhorar e ser uma pessoa melhor", relatou Gabriel.

"Minha avó era a base da minha vida. Ela sempre me aconselhou e me apoiou muito. Sempre quando precisava de alguma coisa, eu ia lá nela. Depois que a gente perde isso, o chão desaba. Eu estava perdido no mundo. Precisei procurar a minha essência. Foi no caratê que consegui alcançar isso", acrescentou.

Na última semana, Gabriel foi às redes sociais para pedir apoio, já que ele e sua família têm dificuldades para mantê-lo no esporte. Quando não está treinando no Polo Esportivo e Cultural Jardim Bangu, o jovem vende bananadas para comprar os materiais e pagar a participação em torneios.

Careteca Gabriel Nunes Silva faz entregas de bicicleta - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Careteca Gabriel Nunes Silva faz entregas de bicicleta
Imagem: Arquivo Pessoal

"Minha família não tem muitas condições financeiras. A gente consegue viver, mas não tem como tirar do prato de cada dia para comprar meus equipamentos. Eu tomei essa iniciativa [de vender bananadas] para ter meu próprio dinheiro e comprar as coisas que preciso e pagar minhas competições. Sempre fui assim de sair para vender salgado, coxinha, empada. Saio para fazer entrega de bicicleta. Sempre foi correria assim", explicou.

Além de vender os quitutes - prática que veio de herança da avó Creusa -, Gabriel estuda em casa e foca grande parte do seu tempo no caratê. Segundo o carioca, os esportes podem fazer o mesmo com outros jovens. Por isso, ele almeja ter o seu próprio Dojô - local onde se treinam artes marciais japonesas - para compartilhar o que aprendeu.

"O Brasil precisa ter incentivo no esporte. O esporte muda a vida das pessoas. O esporte influencia você a querer melhorar, ultrapassar seus limites, a querer ser uma pessoa melhor. Buscar ser melhor do que o ontem. O esporte vem com o apoio do estudo. O esporte motiva você a estudar, ter uma boa doutrina, uma boa rotina. Precisa ser valorizado", destacou.

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