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Fisiculturista perde 30 kg após 62 dias na UTI por covid-19: 'Renasci'

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

16/03/2021 14h15

Quase seis meses depois de sobreviver à covid-19 na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital de Curitiba, o fisiculturista Kaíque Barbanti, de 27 anos, ainda tenta recuperar a forma física de antes de sofrer com a doença causada pelo novo coronavírus. Ele perdeu 30 kg durante os 62 dias internado. Foram 23 vivendo com pulmão e coração artificiais.

Barbanti decidiu compartilhar a experiência nas redes sociais. O relato emocionante ilustrado por uma foto debilitando e bastante magro contratou com as imagens compartilhadas antes de ser diagnosticado. A postagem em tom de apelo a favor do isolamento social viralizou e alcançou três mil comentários e 131 mil curtidas.

"Você, jovem ou velho, homem ou mulher, crente ou descrente, que está vivendo como se nada estivesse acontecendo, eu TE SUPLICO, FIQUE EM CASA. (...) Será que você consegue dimensionar a dor de um pai, de uma mãe, de uma família inteira, ser chamada em um hospital para se despedir, porque o seu filho amado de 27 anos está desenganado e não há mais o que os médicos possam fazer?", escreveu em sua rede social.

O fisiculturista foi infectado em julho de 2020. Ele pesava cerca de 80 kg antes da covid-19 e saiu do hospital com apenas 53 kg. Sem qualquer histórico de doença crônica ou comorbidades, os efeitos da doença no corpo acabaram surpreendendo o jovem com o passar do tempo durante o isolamento após o teste positivo. No 13ª dia, a saturação de oxigênio no sangue chegou a 87%, quando o ideal é pelo menos 95%, provocando a procura por atendimento médico.

"Foi aquela correria, não consegui nem me despedir dos meus pais. Colocaram uma pulseira vermelha no meu braço e fui logo internado, indo para UTI", relatou.

fisic - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Segundo o fisiculturista, o quadro de saúde piorou quando deu entrada no hospital. Ele foi internado na UTI por oito dias, sendo seis em intubação. Um dia antes de ir para casa, contudo, as sequelas da covid-19 causaram uma tromboembolia pulmonar, que é o aparecimento de coágulos nas veias. Foram 23 dias vivendo com ajuda de aparelhos.

"Os médicos costumam dar o prazo de 15 para a pessoa reagir a essa máquina que mantém o pulmão e o coração artificialmente. Passou esse período, não tive melhora nenhuma. Nisso, ligaram para minha família e autorizaram a entrada para se despedir de mim, mas consegui reagir. Foi o momento mais difícil. Considero que nasci de novo por causa da maneira como aconteceu, pois ninguém sabe como eu respondi no 20º dia e me recuperei em apenas três dias depois", lembra Barbanti.

Recuperação da rotina de atleta e nova vida

Barbanti saiu do hospital em 21 de setembro de 2020 com aparência bem diferente de quando entrou. Ele conta que precisou reaprender a viver por causa das lesões causadas pela covid-19, como falar, mastigar e andar.

"Eu já sabia que havia perdido bastante massa magra porque olhava para os meus braços e pernas e os via muito finos. Tinha noção de que havia perdido peso, mas claro que, ao retornar para casa e me ver no espelho, foi um baque. Não tenho nem palavras para descrever o momento. Foi um choque ver a minha imagem diferente daquilo que buscou ao longo dos anos. Voltei a ser um bebê, praticamente. Tive que reaprender tudo de novo", afirma.

Kaíque entrou no hospital com 80 kg e saiu com 53 kg - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Kaíque entrou no hospital com 80 kg e saiu com 53 kg
Imagem: Arquivo Pessoal

O jovem diz que já retomou com a paixão pela prática de exercícios físicos na academia, o que já o fez recuperar 19 kg dos 30 kg perdidos na internação. A rotina, contudo, ainda não está no mesmo ritmo que o levou a competir como bodybuilder.

"Já estou com a vida 100% normal, claro, que com limitações. Mas tudo o que fazia antes, já retomei."

Além de fisiculturista, Barbanti é empresário. Ele se desfez de dois dos três empreendimentos que tocava em Curitiba e retomou o curso de Arquitetura. Isso faz parte da nova vida que modelou desde a alta do hospital.

"Com 27 anos, consegui uma boa carreira profissional com três empresas e competi em tudo o que sempre quis. Estava muito bem, só que no hospital veio aquele choque: trabalhei que nem louco e não consegui visitar meu avô que morreu com covid-19 e não tinha tempo para visitar meus pais para almoçar, além de ter me privado de sair com amigos ou comer algo. A lição que tiro disso é a de que devemos viver para ser feliz e nunca mais deixar nada para amanhã", analisa.

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