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Mulher de Maguila acusa a Band de filmagem escondida e pede indenização

Adilson Rodrigues Maguila (d) e sua esposa, Irani Pinheiro, em imagem de 2001 - Adriana Elias/Folhapress
Adilson Rodrigues Maguila (d) e sua esposa, Irani Pinheiro, em imagem de 2001 Imagem: Adriana Elias/Folhapress

Bruno Thadeu

Colaboração para o UOL, em Santos

19/12/2020 04h00

Adilson "Maguila" Rodrigues e sua mulher, Irani Pinheiro, travam disputa com a Bandeirantes há seis anos na Justiça. Procuradora do ex-pugilista na ação judicial, Irani acusa a emissora de filmar Maguila sem autorização dentro do hospital Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo, em 2014.

Desde então, a Band foi condenada em duas instâncias e teve multa arbitrada em R$ 88 mil. A emissora recorreu e o processo por danos morais está parado há dois anos no Superior Tribunal de Justiça.

As imagens de Maguila em uma maca foram exibidas no "Brasil Urgente", de José Luiz Datena, em julho de 2014.

No Tribunal, os representantes de Maguila alegam que foram procurados pela Bandeirantes em meados de 2014 para a realização de uma reportagem sobre os 25 anos da histórica luta de Maguila contra Evander Holyfield, vencida pelo norte-americano. A matéria aconteceria com Irani em algum ponto de São Paulo, sem a presença de Maguila (que estava internado). No entanto, a advogada da família, Neuza Costa, disse que a Bandeirantes entrou com uma câmera escondida no hospital para filmar o ex-pugilista. Essa filmagem no hospital, segundo a defensora, não teve autorização da família.

"[Maguila] foi pego totalmente desprevenido, numa cama de hospital, debilitado, desprotegido, doente. Somente teve conhecimento de que a Bandeirantes estava filmando sua privacidade através das imagens apresentadas no dia seguinte e dias consecutivos, em rede nacional no programa Brasil Urgente. Além das imagens colhidas de forma clandestina e divulgadas sem autorização, a maneira do apresentador ao se referir as respectivas imagens foi deprimente".

A advogada informou ao UOL Esporte que após a reportagem da Band, Maguila pediu para deixar o hospital com receio de ser filmado novamente.

"Ele ficou perplexo com aquelas imagens. Passou mal, ficou magoado, triste, revoltado. Ficou dias chorando. Se sentiu invadido na sua privacidade. Muito chateado. Muito abalado emocionalmente, o que o levou, ainda, a agravar seu estado de saúde".

Bandeirantes nega filmagem

Ao Tribunal, a Bandeirantes ressaltou que não teve a intenção de ofender Maguila na reportagem. A defesa disse que as imagens de Maguila dentro do hospital não foram captadas pela emissora, mas por uma pessoa que denunciou suposta precariedade do serviço público de saúde prestado a Maguila.

A Bandeirantes sustentou que a matéria jornalística tinha interesse público ao mostrar a carreira de Maguila e o estado de saúde de um ídolo do esporte. A reportagem pretendia "chamar a atenção das autoridades públicas para que dessem mais atenção aos atletas brasileiros".

No "Brasil Urgente" de 18 de julho de 2014, Datena declarou que a reportagem seria importante para auxiliar Maguila a conseguir tratamento em algum hospital particular.

"Falamos que ele está sendo bem tratado [em hospital público]. Só que num hospital de melhor qualidade, de ponta, seria o tratamento mais adequado por tudo que representou o Maguila ao esporte nacional", disse Datena, na época, durante o programa.

"Em nenhum momento nós desrespeitamos o Maguila aqui. Pelo contrário. Tivemos excesso de respeito ao Maguila", complementou.

À reportagem, a advogada Neuza Costa contestou a declaração de Datena. "O Maguila sempre foi bem cuidado em hospitais públicos. O que a TV fez foi sensacionalismo".

Justiça diz que houve dano moral

Em dezembro de 2016, a Justiça condenou a Bandeirantes, em 2ª instância, a pagar R$ 88 mil. Os desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo concluíram que houve "extrapolação da liberdade de imprensa e violação aos direitos da personalidade". A emissora já havia sido condenada em 1ª instância.

"Matéria jornalística veiculada em programa da ré que divulgou imagens do autor em tratamento médico, com aparência debilitada, sem autorização. Conjunto probatório que demonstrou que a exibição das imagens não foi autorizada e que a sua veiculação causou constrangimento e aborrecimento ao autor, notório ex-pugilista brasileiro", concluiu o relator Hamid Bdine.
O processo aguarda decisão no STJ desde então.

"Entrei com uma petição em Brasília informando que o processo está parado há muito tempo. O Maguila tem 62 anos. Pedi prioridade", informou a advogada da família.

Em contato com o UOL Esporte, Irani Pinheiro não quis comentar o assunto e pediu para que os questionamentos fossem direcionados à sua advogada.

Procurado ao longo dos últimos dias, o departamento de comunicação da Bandeirantes não se posicionou até a publicação da reportagem.

Maguila faz tratamento no interior paulista

Ídolo do boxe nacional, Maguila enfrenta problemas de saúde há mais de 15 anos. Inicialmente, o diagnóstico era de Mal de Alzheimer. Posteriormente, Maguila teve diagnosticada Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), uma doença degenerativa ocasionada por traumas no cérebro. O ex-pugilista está internado desde 2018 em uma clínica em Itu, no interior paulista.

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