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Globo muda de ideia e renegocia transmissão da Fórmula 1 em 2021

Lewis Hamilton, da Mercedes, comemora vitória no GP na F1: Globo confirma nova conversa para continuidade da categoria - Mark Thompson/Getty Images
Lewis Hamilton, da Mercedes, comemora vitória no GP na F1: Globo confirma nova conversa para continuidade da categoria Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

11/11/2020 15h40

A Globo confirmou nesta quarta-feira (11) que está renegociando com a Liberty Media os direitos de transmissão da Fórmula 1 para o ano que vem. Depois de dizer que não renovaria para 2021, a emissora admitiu que voltou a conversar com a dona da principal categoria de automobilismo mundial por um contrato a partir da próxima temporada - o atual termina ao fim de 2020, com última etapa em dezembro.

O grupo de comunicação brasileiro disse em comunicado que está conversando sobre valores mais aceitáveis para a realidade atual do mercado televisivo em todo o mundo, em crise por causa da pandemia do novo coronavírus. "A Globo retomou as conversas com a FOM/Liberty Media sobre os direitos da Fórmula 1, sempre considerando a nova realidade mundial dos direitos de esportivos", indicou a emissora, no posicionamento enviado ao UOL Esporte.

Os motivos da retomada das negociações foram trazidos pela reportagem ontem (10). A Liberty decidiu dar prioridade à Globo para renovar contrato no Brasil após não ficar satisfeita com o trabalho feito pela Rio Motorsports. A empresa estrangeira não gostou de saber que a sua representante brasileira estava negociando com a TV Cultura, emissora pública de São Paulo que não tem grande alcance de público. Essas tratativas esfriaram justamente por causa da rejeição da proprietária da categoria, além de divergências nos modelos comercias.

Outro ponto importante são os parceiros de marca da Fórmula 1. Empresas que querem anunciar na categoria reclamaram que não haveria possibilidade de fazer investimento em massa no Brasil se não tivessem uma exposição à altura. Na visão dessas marcas, a Globo é a única que pode oferecer este nível de alcance de público e retorno dos investimentos em publicidade.

A Liberty Media também quer ser pragmática e manter o modelo que está dando certo. A dona da F1 teve problemas financeiros sérios em 2020 por causa da pandemia do novo coronavírus e não quer correr riscos nos próximos anos com novas apostas. Isso passa muito pelo Brasil, que tem a maior audiência global da Fórmula 1, por causa da exibição em televisão aberta nas manhãs de domingo.

Mesmo vivendo alguns problemas com a Globo nos últimos tempos, como o impasse pela transmissão dos treinos classificatórios nas manhãs de sábado, a Liberty entende que não se pode abrir mão de quase um quarto de seu alcance global.

Caso consiga fechar acordo com a Globo, a Fórmula 1 continuaria na emissora e completaria 40 anos de transmissões no Brasil. O grupo de comunicação decidiu abrir mão dos direitos da competição neste ano, pela primeira vez desde 1981, por não concordar com os valores cobrados e por rever o portfólio de transmissões.

Em 2019, a Globo ofereceu cerca de US$ 20 milhões, mas a Liberty queria US$ 22 milhões por ano para a renovação. Agora, a tendência é que as novas tratativas girem em valores inferiores.

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