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Caminho livre para Globo: Cultura e Rio Motorsports desistem de ter F-1

Lewis Hamilton, da Mercedes, ergue o troféu do GP da Emilia Romagna, em Imola - Miguel Medina/Pool/Getty Images
Lewis Hamilton, da Mercedes, ergue o troféu do GP da Emilia Romagna, em Imola Imagem: Miguel Medina/Pool/Getty Images

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

11/11/2020 19h57

A Rio Motorsports confirmou nesta quarta-feira (11) que não é mais dona dos direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil. O anúncio aconteceu depois de a Globo admitir que negocia com a Liberty Media, a dona da categoria de automobilismo, a renovação contratual da categoria a partir da temporada 2021. A empresa afirmou que a pandemia do novo coronavírus e o cenário incerto causaram a rescisão.

Com isso, a TV Cultura de São Paulo também informou que encerrou as negociações pela F-1 sem um desfecho positivo. Como única interessada no momento, o caminho fica livre para a Globo seguir com seu modelo de negócio.

No comunicado enviado à imprensa, a Rio Motorsports diz que a opção foi sua de declinar do contrato por causa das incertezas do calendário. "A Rio Motorsports comunica que decidiu por declinar da opção dos direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil. A decisão foi tomada devido às incertezas com o calendário para a temporada 2021, provocadas pela segunda onda de contágio por COVID-19 na Europa", informou a empresa carioca.

O fim das tratativas com a Rio Motorsports também foi confirmado pela emissora pública paulista em contato com o UOL Esporte. "A TV Cultura encerrou as negociações com a Rio Motorsports para transmissão da temporada 2021 da Fórmula 1", diz o canal no comunicado. Até semanas atrás, a TV pública era vista como a favorita para fechar acordo para exibir as corridas devido aos avanços importantes que teve com a Rio Motorsports, que tem contrato ativo com a Liberty para negociar acordos no Brasil nesse sentido por cinco anos.

Porém, alguns fatores aconteceram. A Liberty não ficou satisfeita com o resultado do trabalho da empresa carioca. A dona da F1 não gostou de saber que a sua representante brasileira estava negociando com uma emissora que não tem grande alcance de público. Empresas que querem anunciar na categoria reclamaram que não haveria possibilidade de fazer investimento em massa no Brasil se não tivessem uma exposição à altura em televisão.

A Liberty Media também quer ser pragmática e manter o modelo que está dando certo. A dona da F1 teve problemas financeiros sérios em 2020 por causa da pandemia do novo coronavírus e não quer correr riscos nos próximos anos com novas apostas. Isso passa muito pelo Brasil, que tem a maior audiência global da Fórmula 1, por causa da exibição em televisão aberta nas manhãs de domingo. Hoje, o Brasil é o país que mais assiste a categoria, com 23,5% do alcance global da categoria.

Hoje, a Globo também admitiu que mudou de ideia e retomou negociações para manter a Fórmula 1 a partir do ano que vem. "A Globo retomou as conversas com a FOM/Liberty Media sobre os direitos da Fórmula 1, sempre considerando a nova realidade mundial dos direitos de esportivos", indicou a emissora, no posicionamento enviado ao UOL Esporte. Com a desistência da Cultura e a saída da Rio Motorsports, a emissora fica sendo a única interessada em exibir a Fórmula 1 no Brasil.

Caso consiga fechar acordo com a Globo, a Fórmula 1 continuaria na emissora e completaria 40 anos de transmissões no Brasil. O grupo de comunicação decidiu abrir mão dos direitos da competição neste ano, pela primeira vez desde 1981, por não concordar com os valores cobrados e por rever o portfólio de transmissões.

Em 2019, a Globo ofereceu cerca de US$ 20 milhões, mas a Liberty queria US$ 22 milhões por ano para a renovação. Agora, a tendência é que as novas tratativas girem em valores inferiores.

Veja o comunicado da saída da Rio Motorsports na íntegra:

A Rio Motorsports comunica que decidiu por declinar da opção dos direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil. A decisão foi tomada devido às incertezas com o calendário para a temporada 2021, provocadas pela segunda onda de contágio por COVID-19 na Europa. Diante do cenário, somado ao fato da possibilidade dessa nova onda se expandir para outros continentes, a Rio Motorsports reavaliou este investimento e abriu espaço para que a Fórmula 1 possa negociar diretamente com as empresas de televisão no Brasil

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