PUBLICIDADE
Topo

UOL Esporte vê TV

Seis meses de ESPN-Fox: quais os dez pontos para entender futuro do grupo

Fox Sports Rádio: programa segue no Fox Sports (Divulgação/Fox Sports) - Divulgação/Fox Sports
Fox Sports Rádio: programa segue no Fox Sports (Divulgação/Fox Sports) Imagem: Divulgação/Fox Sports

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

08/10/2020 12h00

Após quase dois anos de indefinição sobre o futuro do Fox Sports devido à compra da 21st Century Fox pela Disney, o destino do canal esportivo foi definido no último mês de maio quando o CADE autorizou a fusão entre Fox Sports e Disney no mercado brasileiro. Seis meses exatos depois após a aprovação da fusão, que autorizou a junção dos dois canais e a manutenção do Fox Sports obrigatoriamente até dezembro de 2021, a empresa do Mickey passou a intensificar seus esforços no segmento esportivo e rapidamente promoveu a integração entre seus dois canais de esportes.

Como prioridade, conforme apurou o UOL Esporte, a Disney estabeleceu o compartilhamento de direitos e profissionais das duas emissoras, bem como a integração dos profissionais que trabalham por trás das câmeras Outras novidades, como a renovação de alguns direitos e de profissionais de vídeo que interessem para o futuro, também foram colocadas na ponta da lista. Alguns nomes não renovaram contrato e deixaram a área de esportes da Disney.

Em meio jogando juntos, muitas mudanças ocorreram na ESPN e no Fox Sports. Outras dúvidas seguem no ar. Entre elas estão o futuro do pomposo prédio do Fox Sports no Rio de Janeiro, manutenção de profissionais da Fox na emissora, além de alguns eventos esportivos que faziam parte apenas do portfólio do Fox Sports.

Para esclarecer estas e algumas outras questões, o UOL Esporte preparou especial com os dez principais pontos sobre a fusão e o futuro dos canais esportivos da Disney depois de seis meses e o futuro deles no mercado brasileiro.

Confira:

1 - Gigante do entretenimento agora também no esporte

Com a fusão, a Disney quer e diz já ter se tornado muito mais competitiva no cenário esportivo, passando a investir como nunca no mercado. Com a junção dos canais ESPN e Fox Sports, a competição entre os canais esportivos na TV por assinatura tornou-se muito mais acirrada. Desde a fusão, Disney e Globosat, dona do SporTV, vêm travando grande disputa pela liderança da categoria somando todos os canais.

2 - Fox Sports com mais direitos

A fusão fortaleceu o portfólio de direitos do Fox Sports e trouxe menos novidades para a ESPN, que realizou alguns jogos da última temporada da Bundesliga e também passou a ter os direitos da Liga Europa. Por decisão da Disney, o Fox Sports passou a ter o direitos da Premier League, LaLiga, Português, NFL, Copa da Liga Inglesa e vários outros e ainda manteve a exclusividade na transmissão da Libertadores da América, Copa do Nordeste ou Moto GP. Com o reforço no portfólio, o Fox Sports registrou alta em sua audiência durante os últimos meses. Fechou setembro apenas a 0,5 ponto do SporTV na média PNT - 0,18 a 0,13. Enquanto isso, a ESPN registrou 0,07.

3 - Renovações ou não de contratos

Até o momento, a Disney não promoveu grandes mudanças entre os profissionais dos canais esportivos. Não houve demissões tanto em ESPN, quanto em Fox Sports, desde que a fusão ocorreu. Nos bastidores, sabe-se que a empresa tem evitado dispensar durante a pandemia, até porque não é permitida a demissão direta de profissionais, conforme resolução do Cade para aprovar a fusão, em maio.

Alguns contratos de profissionais do jornalismo foram renovados. São os casos de Felipe Motta, no Fox Sports, Luciano Amaral e Leonardo Bertozzi, na ESPN. Por diferentes motivos, entre eles decisões editoriais, financeiras ou mesmo falta de interesse na renovação por parte dos profissionais envolvidos, alguns nomes não tiveram seus contratos renovados quando venceram nas últimas semanas.

Estes são os casos de Luciano Calheiros, Marina Ferrrari, Silva Júnior, Carlos Alberto e Ricardo Rocha, do Fox Sports, e Juliana Cabral, da ESPN. Ao longo dos próximos meses, novos contratos em ESPN e Fox Sports chegarão ao fim e novos profissionais terão seus contratos renovados ou encerrados. Nomes já negociam. Existe interesse, por exemplo, de manter nomes como Nivaldo Prieto, Benjamin Back e Daniela Boaventura, que vieram do Fox Sports.

Não existe nenhuma determinação interna sobre a manutenção de profissionais da ESPN e desligamento de profissionais do Fox Sports. A ideia do grupo é aproveitar os melhores profissionais de cada canal, mantendo a preocupação com o fator financeiro e equalizando os salários entre os nomes dos dois canais. Nos bastidores, a informação é que os profissionais de Fox Sports possuem remuneração superior aos da ESPN.

4 -Volta aos estúdios somente em 2021

Por conta da pandemia, a Disney não irá retornar aos estúdios em 2020, seja para ESPN, seja para Fox Sports. A empresa estabeleceu como prioridade a preservação da saúde dos funcionários e quer manter todos em casa até a pandemia melhorar drasticamente no país ou surgir uma vacina. Por enquanto, apenas narradores voltaram a trabalhar nos estúdios em eventos considerados de grande apelo, como as finais da NBA e clássicos da Libertadores e da Premier League.

5 - Prédio do Fox Sports no Rio de Janeiro

Não há até o momento definição para o futuro do prédio do Fox Sports no Rio de Janeiro. O cenário da pandemia dificultou o processo de integração de equipes e a volta para os estúdios, mas ainda não há uma definição se o prédio será mantido ou vendido. Até o momento, o moderno prédio da Fox na Barra da Tijuca segue como propriedade da Disney e vem sendo utilizado por um número muito pequeno de funcionários, apenas para a manutenção do Fox Sports no ar. O mesmo ocorre no prédio da ESPN, em São Paulo. Poucos profissionais trabalham presencialmente nos dois locais e, entre os nomes que aparecem no vídeo, apenas narradores têm frequentado os prédios para as transmissões dos principais eventos como a Libertadores, Premier League, LaLiga, NBA e NFL.

6 - Mudanças na grade de programação

Os dois canais têm passado por mudanças na grade durante esse ano, tanto pela fusão, tanto pelo contexto da pandemia que fez os canais passarem a produzir todos os programas de casa. O "Central Fox" foi o primeiro programa de Fox Sports a sair da grade, uma vez que a Disney optou por priorizar o "SportsCenter", franquia global do jornalismo da ESPN.

A partir da próxima semana, novas mudanças devem ocorrer, com a saída da grade de programas como o "Bom Dia Fox", "Fox Sports De Primeira", "Comenta Quem Sabe" e "Mercado Fox". As atrações devem ser substituídas por transmissões de eventos e reprises, criando uma alternativa aos programas jornalísticos exibidos pela ESPN.

7 - Integração entre equipes

A Disney tem tomado todos os cuidados com a formação de sua nova equipe de esportes, que passou a reunir profissionais de seus dois canais esportivos. Desde o primeiro dia da fusão, em 7 de maio, funcionários de Fox Sports passaram a participar de todas as reuniões e eventos internos da Disney, assim como já ocorria com os profissionais da ESPN. A ordem interna é de respeito e colaboração entre os funcionários dos dois canais. A integração entre equipes ocorre não somente entre os profissionais que aparecem no vídeo, mas também em todas as áreas da empresa como Redação, Produção, Engenharia, Comercial, Marketing, Recursos Humanos e Financeiro.

8 - Mudança e slogan para dizer que ESPN e Fox Sports estão "jogando juntos"

Além da integração entre todas as áreas, a Disney vem trabalhando para mostrar ao público que os dois canais fazem parte do mesmo time. Desde junho, profissionais da equipe de jornalismo participam de programas e transmissões nos dois canais, fato que já se tornou uma prática frequente. Em setembro, ESPN e Fox Sports passaram a adotar o mesmo slogan para as transmissões e programas: "Juntos na Torcida". No figurino, as equipes de reportagem que têm realizado as poucas participações em externas já utilizam uma camisa com os logos de ESPN e Fox Sports, assim como o novo microfone de reportagem. Entre os próximos passos está prevista uma nova identidade visual para os dois canais, deixando cada vez mais evidente ao público que as duas emissoras são parte do mesmo time.

9 - Situação financeira

Com a fusão, a Disney busca um equilíbrio financeiro entre os dois canais, sobretudo por ter herdado o FOX Sports com gastos altos pela aquisição de algumas competições, como a Libertadores (adquiriu em 2018 os direitos até 2022) e até da Copa do Mundo de 2018, na Rússia. O canal fechou no vermelho os últimos anos, como afirmado pelo próprio Cade na época da fusão, não só pela aquisição de competições, como pelo modelo de negócio do canal ter ruído após o fim do grupo FOX -os ganhos e perdas financeiras do canal esportivo entravam em uma operação conjunta com outros canais do agora extinto grupo. Após a compra pela Disney, houve período em que teve que se administrar sozinha com a indefinição do Cade com compromissos assumidos desde os tempos anteriores.

A Disney também não fará loucuras para adquirir direitos de transmissão. Até aqui, a empresa renovou por cinco anos a LaLiga e fez proposta para continuar com a Bundesliga, preterida pela opção da liga alemã em assinar com a Band e o aplicativo OneFootball.

10 - Linha editorial

Não existe uma linha editorial que prevalecerá com a integração de ESPN e Fox Sports. Na direção da Disney, há o entendimento que existe espaço para todos os perfis de público, nas diversas faixas horárias e canais do grupo na programação. Programas mais focados no entretenimento, como os que consagraram a Fox Sports e atrações com abordagem mais jornalística, que caracterizam a ESPN, devem coexistir na nova programação de 2021.

UOL Esporte vê TV