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F1 fora e renegociação no futebol; Globo vê momento-chave em rota esportiva

Galvão Bueno na cabine de transmissão do Estádio Mineirão em Belo Horizonte na semifinal da Copa do Mundo em 2014 - Memória Globo: João Miguel Júnior/Globo
Galvão Bueno na cabine de transmissão do Estádio Mineirão em Belo Horizonte na semifinal da Copa do Mundo em 2014 Imagem: Memória Globo: João Miguel Júnior/Globo

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

01/09/2020 04h00

A Globo passa neste momento por um período intenso de negociação de direitos de transmissão de eventos esportivos, tendo desistido de alguns deles. Neste pacote estão o circuito Masters 1000 do tênis, a MotoGP e campeonatos de natação, por exemplo (todos transmitidos pelo SporTV). A Fórmula 1 foi a última que teve, por ora, saída confirmada de seu cardápio para a temporada 2021. O futebol também está envolvido nessas discussões, com o encerramento do contrato da Libertadores e a iniciativa de rever os valores acordados com a Fifa pela Copa do Mundo.

A pandemia do novo coronavírus acelerou um processo que já estava em vigor desde que o Esporte virou um núcleo solo na nova configuração do Grupo Globo. Segundo apurou a reportagem do UOL Esporte, desde que encaminhou a sinergia do departamento —unindo site e as equipes de TV aberta e fechada—, a ordem era tentar renegociar todos os direitos ou simplesmente devolver competições que se mostrassem deficitárias, quando comparando o retorno de audiência e faturamento ao que se paga pelo evento.

O mercado entende que a Globo passou a fazer jogo duro com parceiros de longa data sem ter a intenção necessariamente de remover essas atrações de sua grade. Especialmente nos casos da Fórmula 1, da Libertadores e, claro, da Copa do Mundo. O grupo promove um grande movimento de controle de gastos e espera readequar os valores pagos por esses eventos.

Abaixo, mais detalhes da estratégia envolvendo algumas competições:

Saída da Fórmula 1

Essa linha de ação levou a emissora a abrir mão, num primeiro momento, da principal categoria do automobilismo, um evento tradicional de sua grade matinal aos domingos. A Fórmula 1 ainda rende boa audiência e desperta interesse comercial. Mas o preço estabelecido pela Liberty Media, nova dona da categoria, é alto. A subida do dólar deixou tudo ainda mais difícil. Ainda assim, um novo acordo não está descartado por ambas as partes.

Futebol mais lucrativo

Também pesa nesse raciocínio a prioridade dada ao futebol nacional, em termos de investimentos. Hoje, os eventos mais lucrativos para a Globo são o Brasileirão e a Copa do Brasil. A Série B também apresenta uma boa relação de bom custo-benefício atual. No caso da Libertadores, a Globo só rescindiu o contrato por causa da alta do dólar.

Com o valor perto de R$ 5,50, a parcela da competição sul-americana aumentou em cerca de R$ 80 milhões em menos de um ano —quase o valor desembolsado pelo Campeonato Carioca 2020, por exemplo. A Globo, inclusive, fez uma contraproposta para tentar manter o torneio continental em sua programação, enquanto a Conmebol conversa com outras empresas de mercado.

Disputa com Fifa também não significa ruptura

A mesma questão vale para a disputa com a Fifa. A Globo não quer deixar de exibir a Copa do Mundo de 2022. A emissora foi à Justiça —e ganhou em primeira instância— para impedir o pagamento da parcela deste ano do contrato, na casa dos US$ 90 milhões. Executivos explicam que a Globo quer apenas adiar o pagamento e rever valores, também por que a pandemia afetou as finanças da emissora como um todo.

A reportagem apurou que a receita líquida do Grupo Globo, no segundo trimestre de 2020, o auge da pandemia, caiu cerca de 30% em comparação ao ano passado.

Nesta semana, em comunicado interno divulgado pelo presidente-executivo do Grupo Globo, Jorge Nóbrega, a emissora informou quanto perdeu de dinheiro no auge da pandemia do novo Coronavírus, entre abril e junho. Neste informe, ao qual o UOL Esporte teve acesso, a Globo afirma que a receita líquida do Grupo Globo, no segundo trimestre de 2020, caiu 29% em comparação ao ano passado. A situação só não foi mais grave, segundo Nóbrega, por que a emissora renegociou e abriu mão de diversos direitos de transmissão. Além disso, a Globo obteve um crescimento enorme com o Globoplay.

Investimentos e eSports

Em sua racionalização orçamentária, a Globo projeta investimentos. A emissora, inclusive, monitora a situação da licitação da Liga dos Campeões da Uefa (a temporada 2020/2021 ainda é da Turner, e as seguintes não têm dono).

Também fechou acordo rentável para aumentar sua cobertura de eSports. O Sportv 3, inclusive, terá como carro-chefe nos próximos anos justamente a exibição de ligas de FIFA e do jogo Counter Strike. Elas ocupariam espaço na grade que foi tradicionalmente dedicado aos jogos de Roger Federer, Rafael Nadal, entre outras estrelas do tênis pelos torneios Masters 1000 durante a década. O circuito agora será exibido pela ESPN.

Também durante a pandemia, a Globo fez algumas contratações, assinando com nomes como Nadine Basttos e Renata Mendonça, além do ex-jogador Zé Roberto, ídolo do Palmeiras. Para o futuro, também existe um plano de contratar uma profissional feminina na narração para transmissões de futebol.