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Atleta de rúgbi cria projeto e ajuda pessoas a vender de tudo na pandemia

A jogadora de rúgbi Mariana Ramalho ajuda pessoas pela internet  - Arquivo Pessoal
A jogadora de rúgbi Mariana Ramalho ajuda pessoas pela internet Imagem: Arquivo Pessoal

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

01/06/2020 04h00

Mariana Ramalho foi uma criança que adorava conhecer gente nova. Morando numa casa, ficava amiga dos vizinhos facilmente. Em São Paulo, no entanto, esse contato mais pessoal mesmo morando a uma porta de distância em um prédio, é praticamente impossível. Com uma pandemia mundial, pior ainda. Mesmo assim, ela criou o "Chama o Vizinho", que nasceu como uma ideia para conhecer gente e oferecer o próprio serviço e hoje ajuda, mais que vizinhos, pessoas de todos os lugares do Brasil a venderem. literalmente, de tudo em meio à crise do novo coronavírus.

"Eu vendia cosméticos e eu tinha os meus contatos onde morava, no Butantã (bairro da zona oeste de São Paulo) e depois fui para a zona sul. Eu percebi que estava tendo que levar produto pra vários lugares, mas eu não conhecia meus vizinhos. Ao mesmo tempo, queria divulgar o meu clube de rúgbi para criançada jogar; queria divulgar o escoteiro. Eu pensei em fazer divulgação de tudo isso", explicou Mariana sobre a ideia que surgiu bem antes da pandemia, em 2019.

Mariana é jogadora de rúgbi e defendeu a seleção brasileira entre 2010 e 2016, quando disputou a Olimpíada do Rio. Além do amor pela modalidade, ela é formada em design gráfico. É esse último talento que coloca em prática para ajudar as pessoas a divulgarem seus trabalhos durante a pandemia.

Professores de línguas, cozinheiros, motoboys, vendedores de todos os produtos que você possa imaginar? Tudo é divulgado no "Chama o Vizinho". Mariana não cobra pelo serviço prestado. Os interessados entram em contato pelo Whatsapp - é ela mesma que responde - e enviam informações do que gostariam de vender. Aí, Mari pede um vídeo do vendedor e faz uma arte em cima disso. Depois, manda para a pessoa usar onde quiser e posta no próprio Instagram do projeto.

"Eu virei síndica do meu condomínio e numa reunião uma senhora falou que fazia bolo, a outra vizinha fazia unha... Eu queria fazer um jornal de bairro, bater nas portas dos vizinhos. Era como se fosse um grupo de Whatsapp. Mas a pandemia chegou e não poderia mais sair na rua. Eu lancei o Instagram dia 19 de março e alguns amigos começaram a mandar mensagem, outras pessoas não tão próximas também. Até uma pessoa do Mato Grosso me escreveu. A ideia é que as pessoas se divulguem", ressaltou.

Desde a última sexta (29), o celular de Mariana não para de receber mensagens. Ela apareceu no Encontro, programa da Fátima Bernardes na Rede Globo, para falar da iniciativa e pessoas de todo o Brasil a procuram pedindo informações. "Gente do Recife, muita gente do Rio de Janeiro, gente do Brasil inteiro", comemorou.

Apesar de incentivar que as pessoas apareçam no vídeo para divulgar seus serviços e vendê-los, a própria Mariana não esperava aparecer ao vivo conversando com a apresentadora da Globo. "Eu tomei chá de camomila, fiz meditação", contou ela sobre o nervosismo.

Para Mariana, o projeto também ajudará para que as pessoas saibam divulgar mais o próprio serviço mesmo depois da pandemia. "O bom é que eles nem tinham ideia de fazer foto, produzir bolo, por exemplo, e postar foto. Eles tinham clientes conhecidos. Quando eles entram em contato comigo, eu peço isso para fazer a arte: foto, vídeo. A partir disso, eu acredito que eles vão começar a melhorar e melhorar a apresentação", disse.

Sem renda do esporte, Mariana voltou a morar com os país

Mariana Ramalho vive do esporte. Apesar de ter deixado a seleção brasileira de rúgbi depois da Olimpíada, é jogadora do SPAC, em São Paulo, e divulga a modalidade pelo projeto HUG-B, que leva a modalidade a crianças e adultos nos Sesc da capital paulista. Seu "ganha pão" é através disso.

Com o esporte parado, o dinheiro também ficou mais curto. Por isso, voltou a morar com os pais no interior de São Paulo e, enquanto seus próprios projetos não retornam por causa da Covid-19, ajuda os outros. O escritório foi montado de maneira improvisada na sala e os vídeos ganham o padrão do "Chama o Vizinho" pelas mãos da atleta.

"Veio a pandemia, o Sesc travou. Hoje não recebo mais nada. Eu vim pra casa dos meus pais. O Chame o Vizinho eu vou fazer pra sempre, porque eu gosto de vizinhos conectados. Eu morei muito em casa é algo muito diferente. Eu queria chamar todas as velinhas do bairro pra andar comigo. A gente vai encaixando. Depois eu continuar com a HUG-B e o SPAC, que estou desde os 14 anos, vou fazer 33", comentou.

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