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"Última dança" de Jordan nos Bulls concorreu na Band com Brasil de Ronaldo

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

22/05/2020 04h00

Quem já passou as três décadas de vida no Brasil viu a "última dança" de Michael Jordan na TV Bandeirantes, e ao vivo. Vinte e dois anos antes de a Netflix encerrar a elogiada série documental 'The Last Dance', a emissora enviou o narrador Álvaro José para os Estados Unidos e escalou a lenda do basquete nacional Marcel de Souza para transmitirem o sexto título do Chicago Bulls. O torcedor brasileiro, contudo, queria saber de outro evento.

Enquanto a NBA definia a final que encerrou a passagem histórica de Michael Jordan pelos Bulls, o Brasil iniciava a campanha na Copa do Mundo de 1998. Embalado pelo título quatro anos antes, o time comandado por Zagallo acabou até limitando a repercussão da "última dança" do camisa 23 no país e na própria emissora. MJ concorria na TV com Ronaldo e Rivaldo.

"Para mim foi um dos três eventos mais significativos que narrei. Mas, quando voltei para São Paulo, realmente você fica chateado porque não deu a repercussão que esperava para aquela época. Era meio de Copa do Mundo, com Rivaldo e Ronaldo na seleção brasileira. O jogo 4 foi no dia de Brasil x Escócia, por exemplo", relembra o narrador Álvaro José, em conversa exclusiva com o UOL Esporte.

Credenciais Álvaro José - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Credenciais de Álvaro José para a "última dança" de Jordan no Chicago Bulls
Imagem: Arquivo Pessoal

A passagem final de Jordan pelos Bulls ainda acabou prejudicada pelo calendário do Mundial. O Brasil abriu a Copa em 10 de junho de 1998, dia do quarto jogo da série entre Chicago x Utah. O quinto (em Illinois) e o sexto (em Salt Lake City) ocorreram depois da vitória sobre a Escócia e antes do jogo contra Marrocos pela fase de grupos.

"A Band tinha o DNA do esporte, mas a equipe toda praticamente estava na França, com Marco Antonio, Jota Jr, Luciano do Valle e Nivaldo Prieto. O detalhe é que no terceiro e no quarto períodos chegou a dar uma audiência de 16 pontos. Uma audiência maior do que alguns jogos da Copa do Mundo. Foi uma coisa espetacular", acrescenta o profissional que tem no currículo dez coberturas olímpicas.

Álvaro José esteve nos seis jogos que marcaram o último ato de Michael Jordan pelo Chicago Bulls. Em Salt Lake City, o narrador contou que andou cinco quadras com o terno na mão para transmitir o jogo derradeiro da lenda do basquete com o uniforme vermelho da franquia.

Enquanto isso, do estúdio da Band em São Paulo, Marcel de Souza sabia que testemunhava um momento histórico, mesmo com o noticiário voltado em suma maioria para Ronaldo, Rivaldo e a tentativa do pentacampeonato na França. A cesta decisiva de Jordan, com direito a drible em Byron Russell [veja no vídeo acima], trouxe lembranças para o ex-jogador.

Marcel seleção brasileira - Divulgação - Divulgação
Marcel viu a cesta de Jordan e imediatamente pensou que era 'testemunha da história'
Imagem: Divulgação

"Isso trouxe à tona para mim aquela cesta do Mundial de 1978. Meu pai falou para mim: 'daqui a 20 anos vão se lembrar desta cesta'. Dito e feito: toda hora me lembram. Eu lembrei disso na hora naquele momento do Jordan, era um momento histórico da NBA", afirmou Marcel, que deu a medalha de bronze para a seleção no Mundial de 1978 com um arremesso no fim do jogo.

O drible de Jordan e o arremesso final, contudo, não são os únicos atos memoráveis para o ex-jogador, que descreve com exatidão os últimos grandes momentos do astro com a camisa dos Bulls.

"Essa 'última dança' começou antes, com o Jordan fazendo uma bela cesta e diminuindo para um ponto. O técnico do Jazz pede tempo, o Utah ataca e o Jordan 'bate a carteira' do Malone. Aí depois faz aquele troço que só o Michael Jordan faz. O negócio é que ele faz aquilo na hora que faz", elogia Marcel, que encarou Jordan duas vezes no Pan-Americano de 1983.

"Fazer aquela finta, também fiz no campeonato do interior de Jundiaí contra o Regatas de Campinas. Isso aí a gente faz [risos]", brinca o ex-jogador e um dos maiores nomes da história do basquete nacional.

Álvaro aprova, mas Marcel sequer viu

Jordan Série - Reprodução - Reprodução
Série-documental de Jordan e dos Bulls se tornou um sucesso na Netflix
Imagem: Reprodução

Toda a série-documental é roteirizada para contar os bastidores do histórico time dos Bulls de Michael Jordan. Tal narrativa agradou Álvaro José, mas foi reprovada por Marcel, que sequer assistiu a qualquer um dos dez episódios de "The Last Dance".

"Vieram me falar da Netflix e não gosto de fofoca. Para mim, é fofoca. Ah, foram buscar o Dennis Rodman em Las Vegas! Ah, não sei quem apostou 1.000 dólares no buraco. Isso é fofoca, não é basquete. Não vi nenhum episódio, pois, como disse, não gosto de fofoca", sentenciou Marcel.

Em contrapartida, Álvaro José "devorou" a série-documental da Netflix e conviveu com sentimentos nostálgicos durante os capítulos lançados nas últimas semanas.

"O meu filho Alexandre Paes Leme é bem ligado e me falou: 'pai, isso tem um paralelo entre o Jordan e a sua vida'. Vi todos os episódios e até choro [risos]. Poxa, fiquei mole vendo aqueles jogos em Seattle, também contra o Jazz. É uma memória muito forte", emociona-se Álvaro José, que, hoje, encontra a resposta para cenas diferentes vividas nos bastidores daquela final.

"Em 1998, os dois primeiros jogos foram em Salt Lake, e via uma filmagem profissional, tipo Spike Lee. Via aquele 'caixão' de 35mm, que sabemos que não é feito para jornalismo", relata.

"Você via que alguma coisa estava acontecendo. Em Chicago tinham três equipes de filmagem. Pensei que era um longa-metragem que nunca viria", encerra, satisfeito que aquelas supercâmeras deram vida ao marcante documentário sobre Bulls e Jordan.

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