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Após angariar R$ 290 milhões, Globo vai renegociar patrocínios olímpicos

Sol atrás dos aros olímpicos no parque Odaiba, em Tóquio, em 24 de março, dia em que os Jogos foram adiados - Clive Rose/Getty Images
Sol atrás dos aros olímpicos no parque Odaiba, em Tóquio, em 24 de março, dia em que os Jogos foram adiados Imagem: Clive Rose/Getty Images

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

11/04/2020 04h00

Com o adiamento da Olimpíada de Tóquio para 2021, a Globo se viu em impasse com pelo menos três marcas. Bradesco, Claro e Fiat já tinham fechado com a emissora para serem patrocinadores masters da cobertura dos jogos em todo o grupo, que engloba TV aberta, TV por assinatura e mídias digitais. Agora, precisa renegociar com os anunciantes.

Segundo apurou o UOL Esporte, cada uma pagou R$ 96,9 milhões. Ou seja, a Globo já tinha faturado R$ 290,7 milhões com os Jogos bem antes de seu início previsto. Agora, a direção do canal precisa resolver a questão. Um ponto já está definido: a emissora vai sentar com todas as marcas e renegociar os termos.

O fato é confirmado em comunicado enviado pela emissora carioca ao UOL Esporte. Como de praxe, a renegociação vai acontecer logo depois do fim da pandemia do novo coronavírus, quando a Globo e as marcas poderão ter mais certeza do que querem para o futuro.

"Entendemos que, no momento, as prioridades são a saúde e a segurança de todos. Diante do atual cenário e da relação histórica de respeito que temos com os nossos patrocinadores, os planos e projetos relacionados à cobertura dos Jogos Olímpicos serão discutidos individualmente com cada um deles após a pandemia", informou o departamento de comunicação da emissora.

Modos de negociação com essas marcas já são planejados pelo departamento comercial. Até aqui, são três vias em estudo pelo comercial da Globo que devem ser colocadas na mesa.

A primeira ideia, a mais simples até aqui, é manter a cota adquirida e oferecer um desconto no valor a quem manter o patrocínio para os Jogos do ano que vem, como forma de agradecimento por parte da Globo. Ou seja, em vez de pagar o valor total de quase R$ 100 milhões, as marcas pagariam uma quantia menor do que estava combinado antes.

A segunda via depende da estratégia de mídia das empresas após a pandemia. Caso alguma das três marcas desista de comprar a cota master de patrocínio, a Globo liberaria a parceira de pagar uma multa de compensação pela desistência.

Por fim, a terceira ideia do comercial da Globo, e a mais bem avaliada internamente, é estender a entrega comercial desses três patrocinados dos Jogos Olímpicos de Tóquio e começar a expor as marcas já neste ano, após o retorno da programação normal.

A ideia é igual ao que foi feito pelas empresas que anunciaram nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Naquela ocasião, a Globo cobrou R$ 255 milhões por cada cota de patrocínio, mas a entrega de exposição de marca começou um ano e meio antes do início do evento, o que explica o valor 62% menor cobrado para a Olimpíada de Tóquio.

Vale ressaltar que, mesmo com a maioria dos Jogos ocorrendo no horário da madrugada, a Globo tinha colocado seis cotas de patrocínio no mercado publicitário para a Olimpíada e projetava faturar exatos R$ 581,4 milhões. Seria um dos maiores faturamentos do ano em arrecadação publicitária para a emissora.

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