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Coronavírus: Comitê Olímpico do Brasil defende adiamento da Olimpíada

Anéis Olímpicos em Tóquio - Alessandro Di Ciommo/NurPhoto via Getty Images
Anéis Olímpicos em Tóquio Imagem: Alessandro Di Ciommo/NurPhoto via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

21/03/2020 08h51

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) divulgou nota na manhã de hoje (21) pedindo para que os Jogos Olímpicos de Tóquio sejam adiados por causa da pandemia de coronavírus que se espalha pelo mundo. Esta é a primeira vez que a entidade se posiciona de maneira oficial contra a realização da competição na data prevista, em julho de 2020.

Para o COB, é importante que os Jogos Olímpicos sejam adiados em um ano por causa do "agravamento da pandemia do COVID-19 pela consequente dificuldade dos atletas de manterem seu melhor nível competitivo pela necessidade de paralisação dos treinos e competições em escala global".

Atletas do Brasil e do mundo tiveram suas competições do primeiro semestre canceladas por causa da pandemia, entre elas, pré-olímpicos que definiriam vagas para Tóquio-2020. Em casa, os esportistas brasileiros treinam como podem: no improviso.

"Está claro que, neste momento, manter os Jogos para este ano impedirá que este sonho seja realizado em sua plenitude", disse o presidente do COB, Paulo Wanderley, na nota oficial.

O Comitê Olímpico Internacional insiste em dizer que até o momento a Olimpíada de Tóquio será realizada em julho de 2020. O órgão tem até maio para dar a palavra final sobre o evento.

Ontem, a Federação de natação dos Estados Unidos defendeu o adiamento da competição, um passo muito importante para ligar o alerta do COI sobre a realização dos jogos, uma vez que o esporte é um dos principais, junto com o atletismo dos EUA, para NBC, a emissora que detém os direitos de transmissão no país da América do Norte.

Veja o posicionamento do COB:

O Comitê Olímpico do Brasil defende a transferência dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, em período equivalente ao originalmente marcado, entre o fim de julho e a primeira quinzena de agosto.

A posição do COB se dá por conta do notório agravamento da pandemia do COVID-19, que já infectou 250 mil pessoas em todo o mundo, e pela consequente dificuldade dos atletas de manterem seu melhor nível competitivo pela necessidade de paralisação dos treinos e competições em escala global.

"Como judoca e ex-técnico da modalidade, aprendi que o sonho de todo atleta é disputar os Jogos Olímpicos em suas melhores condições. Está claro que, neste momento, manter os Jogos para este ano impedirá que este sonho seja realizado em sua plenitude", afirma o presidente do COB, Paulo Wanderley, que comandou a seleção brasileira em Barcelona 1992.

O COB ressalta que a sugestão de adiamento em nada altera a confiança da entidade no Comitê Olímpico Internacional (COI) de que a melhor solução para o Olimpismo será tomada.

"O COI já passou por problemas imensos anteriormente, como nos episódios que culminaram no cancelamento dos Jogos de 1916, 1940 e 1944, por conta das Guerras Mundiais, e nos boicotes de Moscou 1980 e Los Angeles 1984. A entidade soube ultrapassar estes obstáculos, e vemos a Chama Olímpica mais forte do que nunca. Tenho certeza de que o Thomas Bach, atleta medalha de ouro em Montreal 1976, está plenamente preparado para nos liderar neste momento de dificuldade", completa Paulo Wanderley.

Desde o início da pandemia, o COB tem priorizado a saúde e o bem-estar dos atletas brasileiros e colaboradores do Comitê. Ha uma semana, a entidade cancelou eventos públicos e preparatórios para os Jogos e determinou na terça-feira o fechamento total do CT Time Brasil.

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