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Kobe começou a usar helicópteros para "aproveitar o tempo com as filhas"

Kobe Bryant e a filha Gianna foram vítimas de acidente de helicóptero que vitimou nove pessoas ontem - USA TODAY USPW
Kobe Bryant e a filha Gianna foram vítimas de acidente de helicóptero que vitimou nove pessoas ontem Imagem: USA TODAY USPW

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

27/01/2020 15h10

A escolha por voar em helicópteros foi uma alternativa encontrada por Kobe Bryant para não comprometer o tempo que tinha para sua família. Ainda enquanto jogador, a lenda da NBA trocou trânsito pelos voos rápidos porque queria continuar levando e buscando as filhas na escola. O astro morreu ontem, em acidente nos arredores de Los Angeles.

A família Bryant não morava em LA, mas sim em Newport Beach, a cerca de 70 quilômetros da casa dos Lakers. Por muitos anos o trajeto de casa para o trabalho não incomodou Kobe, mas o trânsito aumentou à medida que o crescimento da região metropolitana se intensificou e cada vez mais pessoas migraram em direção ao sul de Los Angeles.

"Eu perdi algumas peças de teatro na escola, por exemplo, porque estava parado no trânsito", contou o próprio Kobe Bryant em entrevista ao 'The Corp', um podcast norte-americano, há pouco mais de um ano. "Isso não podia acontecer, e eu tinha que dar um jeito de poder treinar sem comprometer o tempo que tinha para a família. Foi aí que comecei a usar os helicópteros, e podia ir e voltar para os lugares em 15 minutos", relembrou. Ele não fala em datas, mas isso tudo aconteceu antes de 2016, ano de sua última temporada na NBA.

Trabalhador incansável, Kobe tinha rotina ainda mais exaustiva do que a média dos atletas de alto rendimento. Ele conta que acordava às 4h, ia para a academia para levantar peso e voltava a tempo de acordar as filhas, por volta das 6h30. Então as levava para a escola e dirigia quase 70 km até o centro esportivo dos Lakers. Na volta, o mesmo trajeto: mais 70 km para pegar as crianças na escola antes de chegar em casa. "Eu chegava em L.A. em 30 ou 40 minutos. E quando voltava, ainda dava tempo de buscar as crianças e brincar com elas", dizia Kobe.

Com o aumento do trânsito, porém, a rotina teve que mudar. O treino bem cedo continuou, o trajeto para a escola das filhas também, mas a ida a Los Angeles ficou mais rápida. "Eu voava até L.A., treinava como louco, fazia meus arremessos extras, falava com a imprensa, qualquer coisa que precisava fazer; então voava de volta e conseguia pegar o carro a tempo de buscar as crianças na escola", contou o astro na entrevista.

"Minha mulher dizia que poderia buscá-las na escola, mas eu dizia que não, porque eu queria fazer aquilo. Porque, com todas as viagens [para jogar], eu via pouco as crianças. Queria aproveitar qualquer chance que tinha para vê-las, mesmo que fossem só 20 minutos dentro do carro", dizia Kobe.

Kobe Bryant foi uma das nove vítimas da queda de helicóptero que aconteceu ontem, na cidade de Calabasas, a meio caminho de sua casa para um jogo de basquete da filha Gianna —que também morreu. O craque deixa a esposa Vanessa e outras três filhas: Natalia, Bianca e a pequena Capri, de apenas sete meses.

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