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Isaquias relembra técnico Jesús Morlán e se emociona: "mudou a minha vida"

Isaquias Queiroz se emocionou ao lembrar do técnico Jesús Morlán, que faleceu em 2018 em decorrência de um câncer - Reprodução/TV Globo
Isaquias Queiroz se emocionou ao lembrar do técnico Jesús Morlán, que faleceu em 2018 em decorrência de um câncer Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

14/11/2019 10h12

O medalhista olímpico e campeão mundial em 2019 em canoagem, Isaquias Queiroz, se emocionou ao lembrar de seu técnico, o espanhol Jesús Morlán, que faleceu no ano passado vítima de um câncer.

Ele foi entrevistado ontem no programa Conversa com Bial, da Rede Globo, ao lado do ginasta Arthur Nory. Isaquias contou como seu início na canoagem foi difícil, estando longe da família e sem dinheiro, mas ter conhecido Jesús o tornou um campeão mundial.

"No começo foi muito complicado porque ele [Jesús[ tinha um método de treinamento que a gente não entendia e eu 'batia a cabeça' com ele", disse. "Com ele, primeiro, foram três meses de trabalho, fui para a Copa do Mundo e já ganhei o ouro. Nunca tinha ganhado ouro em Copa do Mundo e mais três meses de treinamento, fui para o mundial ganhei um bronze e uma medalha de ouro. Ele mudou a minha vida, a do Erlon [de Souza]. Hoje, os meus resultados são todos graças a ele. Lógico que teve gente que fez o trabalho, fez eu acontecer, na infância, só que sem ele eu não teria chegado a esse nível olímpico, de ganhar medalha, de pensar em Tóquio".

Jesús Morlán morreu em 2018, aos 52 anos, devido a um câncer. "O câncer dele foi no cérebro. Ele começou o tratamento. No começo foi estranho porque a gente se sentiu um pouco culpado porque ele não queria ir embora. Ele queria continuar treinando a gente. Queria que a gente tivesse um futuro para meu filho, um futuro para a filha do Erlon, para a filha do Nivalter, para quando chegasse lá na frente, a gente tivesse uma condição de vida melhor para eles".

"É que meu treinador, Jesús, era um gênio. Ele pensava lá na frente. Ele pensava em eu me igualar a um medalhista olímpico, acho que da Romênia, que tem sete medalhas em Olimpíadas. Se tiver pernas e joelhos até Paris 2024, se a idade permitir, não é?"

Ele contou sobre como Jesús o motivou durante as Olimpíadas do Rio em 2016. "A mídia não acreditava que eu iria conquistar três medalhas, só que eu e Jesús sabíamos que tinha a possibilidade. Chegamos lá tranquilos, e isso depende do seu treinador, não é? E o meu treinador me passou uma tranquilidade porque eram as Olimpíadas em casa".

Isaquías também relembrou a infância difícil que teve, principalmente devido à perda precoce do pai aos 4 anos. "Na minha infância eu sempre brinquei, depois acabei optando pela canoagem, e na minha cidade, todo mundo sabia, conhecia e tal, só que eu tinha curiosidade: 'Vim do nada e vou tentar isso aí!'. Eu sempre parava para ir trabalhar, pegar carrego na feira. Pegava o carrinho de mão e pegava a feira do pessoal que estava fazendo compra e levava até a casa deles. Cheguei a ajudar meu irmão na padaria".

O também medalhista olímpico em ginástica artística, Nory falou sobre a sua infância e como seu técnico foi fundamental para vencer a resistência dos pais à escolha do filho. Ele queria trocar o judô pela ginástica, o que seu pai não aprovava.

"Minha mãe é professora de educação física. Eu ficava esperando ela dar aula, tinha um espaço, um galpão, onde tinha ginástica. Ela me deixava lá até terminar a aula e eu fui aprendendo muita base, porque nesse clube da prefeitura não tinha muita estrutura. Era tatame que eu aprendi solo, mas eu consegui aprender uma base para fazer teste no Clube Pinheiros, e um dos treinadores me viu nessa competição, fiz o teste, passei e aí comecei em 2005, no Pinheiros, em paralelo o judô e a ginástica.(...)Meus pais se separaram, fui morar com a minha mãe e falei: 'Mãe, quero fazer ginástica. Não quero mais judô. Chega!'".

Nory elogiou Diego Hypólito e o cita como exemplo. "Foi um pioneiro de resultados no masculino, abrindo portas, ele é um exemplo de superação, de toda luta que a gente via e poder dividir um pódio do maior sonho de todo atleta e do maior sonho dele ali também, foi uma dupla emoção. Era um chororô para todo lado porque a gente não acreditava. É muito orgulho".

No fim, Isaquias ensinou Nory a danças arrocha.

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