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Brasil vence os EUA e ganha 1º ouro no basquete feminino do Pan desde 1991

Brasil vence univeristárias dos EUA e é ouro pelo basquete do Pan - Alexandre Loureiro/COB
Brasil vence univeristárias dos EUA e é ouro pelo basquete do Pan Imagem: Alexandre Loureiro/COB

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em Lima (Peru)

11/08/2019 00h45

Desacreditado após campanhas vexatórias na últimas edições da Copa América e do Sul-Americano, o basquete feminino brasileiro ressurgiu no Pan. A seleção venceu o torneio pela primeira vez depois de 28 anos, com 79 a 73 diante dos Estados Unidos, logo em sua primeira competição sob o comando de José Neto, que fez sua estreia dirigindo mulheres no torneio de Lima.

Em toda a história dos Jogos Pan-Americanos, esta foi apenas a quarta medalha de ouro do Brasil no torneio. As duas primeiras foram com a geração de Norminha e Maria Helena, em 1967 e 1971, e a terceira com Paula, Hortência e Janeth em Havana, em 1991. Depois disso, foi prata em 2007, em casa, e ganhou bronze em 2003 e 2011. Em Toronto, terminou em quarto.

É bem verdade que o Canadá não trouxe sua equipe principal ao Pan, muito menos os Estados Unidos, que jogaram com uma equipe universitária que só tinha uma atleta das quatro principais equipes do país. Mas esse cenário não é novo e, mesmo assim, o Brasil passou 12 anos sem fazer final.

Alexandre Loureiro/COB
Imagem: Alexandre Loureiro/COB

Tão importante quanto o resultado foi a boa atuação do Brasil, principalmente quando se leva em consideração o trabalho ruim que vinha sendo feito. O time ficou apenas em quarto na Copa América de 2017 e, por isso, não foi ao Mundial do ano passado. No Sul-Americano, em 2018, perdeu para a Argentina uma hegemonia de 34 anos no continente.

As coisas melhoram com a contratação do técnico José Neto, que foi multicampeão com o time masculino do Flamengo e estava desempregado depois de sair de um trabalho no Japão. Nas mãos dele o elenco mudou pouco, mas de forma significativa. Ganharam espaço principalmente a ala Raphaella Monteiro, que fez 12 pontos na final, e principalmente a armadora Tainá, que anotou 24 e deu sete assistências mesmo saindo do banco. Destaque na campanha como um todo,a pivô Clarissa anotou 12 pontos na decisão.

Agora cresce a expectativa sobre o time, que veio ao Pan sem uma preparação adequada, com menos de duas semanas de treinamento e, mesmo assim, sem o elenco completo a maior parte do tempo. Este foi só o primeiro contato de Neto com o grupo e a lista final de convocadas precisou ser definida antes mesmo do primeiro treino, por conta dos prazos impostos pelo Comitê Organizador.