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Erica é punida, fica com bronze na marcha e revela 'gostinho de injustiça'

Erica Sena reage à punição sofrida durante a marcha atlética de 20 km - Sergio Moraes/Reuters
Erica Sena reage à punição sofrida durante a marcha atlética de 20 km Imagem: Sergio Moraes/Reuters

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em Lima (Peru)

04/08/2019 11h36

A medalha de bronze de Erica Sena na marcha atlética de 20 km dos Jogos Pan-Americanos conta muito mais para o quadro de medalhas do Brasil em Lima do que para a carreira da pernambucana de 34 anos. Ela queria o ouro e nada mais do que o ouro, mas foi retirada da disputa ao receber uma punição: ficar parada dois minutos, vendo suas adversárias passarem. Por ela, teria desistido; só continuou por incentivo do pessoal da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

"O objetivo dessa competição era ganhar o ouro. Entre as minhas adversárias eu tenho o melhor tempo, então era esperado isso, eu tinha que vir aqui e ganhar o ouro. Mas a marcha é uma prova muito injusta, que não depende só de o atleta estar bem fisicamente, depende dos árbitros e é muito subjetivo. A nível mundial eu nunca tenho problema e chegar uma competição aqui dessa, os árbitros veem coisas diferentes. Ficou um gostinho de injustiça", disse na saída da prova.

Na marcha atlética, o atleta precisa ter sempre ao menos um dos dois pés no chão. "Flutuar" (tirar os dois pés ao mesmo tempo) é considerado correr. Árbitros espalhados pelo circuito, que em Lima é de 1 quilômetro, aplicam advertências quando vêm algo irregular. Érica disse que foi advertida por todos os juízes. Ela recebeu uma punição por flutuação e duas por movimento irregular de joelho, o chamado "bloqueio".

Sabendo que precisaria ficar dois minutos parada em um pit lane perto da linha de chegada a três voltas do fim, desacelerou. Se afastou da briga pelo ouro com a colombiana Sandra Arenas e, parada, caiu para o quarto lugar. Por ela, nem voltaria, mas foi incentivada por técnicos, que apontaram que o bronze era não só possível como provável - a mexicana em terceiro estava pouco à frente e desgastada.

"Parar dois minutos desanima completamente, você não tem como mais brigar pelo ouro e às vezes parar no pit lane é muito provável que quando você saia eles te desqualifiquem. Eu acreditavam que iriam me desqualificar depois. Hoje foi muito difícil, eu já não tinha nem ânimo para voltar. O objetivo meu era o ouro, não era a prata e o bronze", lamentou.

A prova teve alto nível técnico, mas não contou com as principais rivais de Erica: a equatoriana Glenda Morejón, vice-líder do ranking mundial, que está se poupando para o Mundial de Doha, e a mexicana María Guadalupe González, prata na Rio-2016 e no Mundial de 2017, que está suspensa por doping. Naquele Mundial, aliás, Erica foi quarta, Arenas quinta e a peruana Kimberly García, prata em Lima, a sétima.

"Todas as outras competições eu sempre ganho delas, eu tenho experiência, eu conheço elas, sei a tática que elas usam, era só fazer a mesma coisa aqui. Eu não acredito que eu estou marchando tão ruim assim para levar advertência de todos os árbitros da competição, não é possível, eu não acredito", reclamou.