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Entenda doença que afeta jogador da NFL e personagem de novela da Globo

Travis Frederick é jogador do Dallas Cowboys - AP Photo/Rick Scuteri
Travis Frederick é jogador do Dallas Cowboys Imagem: AP Photo/Rick Scuteri

Gustavo Setti

Do UOL, em São Paulo

19/09/2018 04h00

Pouco antes da temporada da NFL (liga de futebol americano dos EUA) começar, Travis Frederick, center do Dallas Cowboys, anunciou que será desfalque por tempo indeterminado ao ser diagnosticado com Síndrome de Guillain-Barré. Mas, afinal, o que é esta doença que afeta tanto o jogador quanto Rochelle, personagem de Giovanna Lancellotti na novela “Segundo Sol”, da TV Globo?

A Síndrome de Guillain-Barré é um distúrbio neurológico que afeta o sistema nervoso e causa problemas motores. A doença autoimune atinge os nervos periféricos e prejudica os comandos de movimento para o resto do corpo. Ela ainda pode se desenvolver após infecções bacterianas e virais. Inclusive, em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) associou o zika ao aumento de implicações neurológicas, incluindo a Guillain-Barré.

Na vida real, Frederick, que foi nomeado para o Pro Bowl (jogo das estrelas da NFL) nas últimas quatro temporadas, começou com dores e reclamava de fraqueza e formigamento. Ao ser submetido a exames, veio o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré. Já na ficção, Rochelle descobrirá a mesma doença nos próximos capítulos após cair em cima de uma mesa e ser levada ao hospital.

No caso do jogador da NFL, ele começou o tratamento e espera continuar progredindo. “Eu estou me sentindo muito melhor pelo tratamento que fiz imediatamente. Vou continuar com os tratamentos nos próximos dias e estou otimista sobre minha condição e o futuro, já que me informaram que a doença foi diagnosticada em um estágio bem inicial”, publicou o atleta de 27 anos no Twitter. “Estou esperançoso de que poderei jogar o quanto antes”, declarou.

Recuperação de no mínimo seis meses

Travis Frederick - AP Photo/Roger Steinman - AP Photo/Roger Steinman
Travis Frederick não tem prazo para voltar
Imagem: AP Photo/Roger Steinman
O vice-presidente dos Cowboys, Stephen Jones, afirmou, no início desta semana, que Frederick pode voltar ainda neste ano. Porém, o prazo de recuperação da doença pode variar de seis meses a um ano.

Quem explica é Angelina Lino, neurologista responsável pelo ambulatório nervo periférico clínico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Ela falou sobre a recuperação na Síndrome de Guillain-Barré.

“Este atleta (Frederick) pode voltar a jogar, mas é muito cedo para dizer. A maioria dos pacientes que evolui de forma mais grave, que chega a precisar de respirador, recupera totalmente a função motora, mas isso só depois de seis meses. A fase aguda da doença são as primeiras quatro semanas e, geralmente, o paciente consegue recuperar. A recuperação plena vai de seis meses até um ano”, afirmou.

Angelina também explicou que o tratamento com medicamento só ocorre nas primeiras quatro semanas da doença. “O grau máximo de deficiência é em um mês. A partir dali, ou ele fica estável para depois melhorar ou já começa a melhorar. O tratamento depois de um mês é reabilitação física, assessorado de um fisiatra ou de fisioterapeuta”, disse.

De acordo com a neurologista, ainda é cedo para saber se o jogador dos Cowboys terá sequelas. Ela diz que a recuperação depende do organismo de cada indivíduo.

“Só conseguimos falar da sequela depois de no mínimo seis meses. Pode ser uma sequela muito grave, que o paciente não se movimente direito e tenha dificuldade para andar, ou paciente que não tem problema para se movimentar, mas que fica com muita fadiga ao realizar atividades que estava acostumado antes da doença, e paciente que consegue voltar a jogar. Varia de paciente para paciente”, explicou.

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