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Guga derrubou dois ex-números 1 do mundo e lendas em Roland Garros-2000

Gustavo Kuerten enfrentou diversas "pedreiras" antes de vencer Roland Garros 2000 - FFT
Gustavo Kuerten enfrentou diversas 'pedreiras' antes de vencer Roland Garros 2000 Imagem: FFT

Do UOL, em São Paulo

12/06/2020 13h58

Gustavo Kuerten relembrou ontem (11), ao UOL Esporte, o bicampeonato de Roland Garros, em 2000. Ali, o tenista confirmou o seu lugar na elite da modalidade e virou Guga. Mas quais foram os adversários do brasileiro naquele torneio de Paris? Para chegar ao bi, ele enfrentou nada mais, nada menos que dois ex-números 1 do mundo e outras 'pedreiras'.

Nas quartas de final, o desafiou foi contra Yevgeny Kafelnikov. Então quarto do mundo em Paris, o russo ficou muito perto da vitória —ele esteve a cinco pontos de vencer, quando sacava por 4/2 e 40/15 no quarto set.

Só que Kafelnikov, que foi número 1 do mundo em 1999, cometeu quatro erros seguidos e teve a quebra de vantagem desperdiçada. Era a brecha que Guga precisava.

"Quando eu vi o replay esses dias, o jogo estava perdido", lembrou o brasileiro, que chegou ao torneio de 2000 como quinto melhor tenista da atualidade.

"Escapou das mãos dele. São acontecimentos que não têm explicação. Tem 'como' aconteceu, mas não tem como entrar nos porquês, falar por que a bola saiu 0,2cm no fundo, que escapou um lancezinho ali... Era 4/2, 40/15. A partida está feita. Ele ganhou de mim e depois entregou o jogo para mim. Na primeira chance que eu tive, eu embalei o pacote e levei para casa."

Nas semifinais, outra pedra no sapato do garoto brasileiro de 23 anos. Duelo com o também jovem Juan Carlos Ferrero, 20 anos, 16º do ranking da ATP em Roland Garros 2000. Era a estreia em semifinal de slam do espanhol, que viria ser número 1 anos depois, em 2003.

Outra vez o catarinense esteve perdendo por 2 sets a 1 e precisou usar todos os recursos para arrancar a vitória. "Quando surgia e eu conseguia enxergar aquele detalhezinho, a luz no fim do túnel, já era suficiente porque eu cheguei jogando muito tênis aquele ano. Com o Ferrero, aconteceu isso. Eu estava cada vez mais cansado, mas quando ele me deu uma luz de uma oscilação no quarto set que eu consegui respirar e estar mais à vontade na quadra: 'Meu amigo... Isso não podia dar de presente'."

A decisão de Roland Garros em 2000 foi contra Magnus Norman. O sueco era o terceiro do ranking da ATP no começo da competição e já havia cruzado o caminho de Guga anteriormente. Era uma espécie de tira-teima entre eles no saibro, já que o sueco havia vencido na Itália e o brasileiro levou a melhor na Alemanha.

Foi preciso ter paciência para conquistar o bi. Do primeiro match point ao último, foram mais de 50 minutos. "Junto com esse tempero físico tem o coração e a emoção o tempo todo naquele nível máximo. A cada três minutos tinha um match point na mesa. O que não podia acontecer era perder o quarto set. Eu perdia o jogo. Tanto eu quanto Norman sabíamos disso, e por isso que dá para considerar que é um Roland Garros que bateu na trave para ele, mas para mim seria catastrófico. Imagina depois de 11 match points perder o jogo. Ia ser de chorar até hoje e provavelmente não ganharia mais Roland Garros", contou.

Tanto Magnus Norman, rival da decisão, quanto o norte-americano Michael Chang, derrotado por Guga na terceira rodada do torneio, são também considerados lendas do esporte. Ambos foram número 2 do mundo ao longo da carreira.

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