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Meligeni acredita em colapso no tênis quando Federer e Nadal aposentarem

Rubens Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/06/2020 04h00

Roger Federer e Rafael Nadal foram dominantes no tênis na década passada, quebraram recordes em resultados e de público e fizeram uma das maiores rivalidades do esporte. Eles mantiveram o alto nível de 2010 a 2020, mesmo ganhando a companhia do também vencedor Novak Djokovic. Mas os dois mais velhos são as grandes marcas do tênis masculino e, com o suíço sendo atleta mais bem pago do esporte mundial em 2020, mas já aos 38 anos e o espanhol com 34, estão mais perto da retirada das quadras. E os fãs já podem se preparar para um colapso.

Essa é a opinião do brasileiro Fernando Meligeni, ex-tenista que viu Federer crescer no circuito e Nadal começar a chamar a atenção como juvenil, além de ter comentado os jogos deles na ESPN durante sete anos. Meligeni acredita que o esporte sofrerá um grande baque financeiro quando os dois se aposentarem e diz em entrevista exclusiva ao UOL Esporte que não vê ainda nos mais jovens o potencial de alcançar o patamar do suíço e o espanhol.

A ATP vem nos últimos anos tentando fortalecer a marca dos tenistas mais jovens, a chamada Next Gen, com nomes como o alemão Alexander Zverev, o russo Daniil Medvedev e o grego Stefanos Tsitispas, mas nenhum dos mais jovens conseguiu uma solidez de resultados e também de marca comercial como os veteranos.

"A gente teve muita sorte, os meninos tiveram muita sorte de ter um Federer e Nadal que vende até guarda-chuva não sei aonde. São dois caras que vendem demais, quando eles saírem, aí a gente vai entrar num colapso, com certeza. Pode trazer o [Stefanos] Tsitsipas, pode trazer o [Alexander] Zverev, traz quem quiser, mas os dois ninguém vai pegar", afirma Meligeni.

O ex-número 25 do mundo no tênis também apoia a ideia apresentada por Federer de aproveitar o período de pandemia para que se discuta uma unificação na organização do tênis masculino e feminino, que hoje são divididos entre duas entidades, a ATP e a WTA, com gestões separadas, com níveis de torneios, pontuação e premiação diferentes entre uma e a outra.

"É o melhor momento para fazer todos os tipos de discussões sem demagogia, sem querer vender o que não é para vender. A gente sabe muito bem qual é a briga, e isso é um assunto muito delicado, a briga que sempre existiu a respeito da unificação do prize money. Sempre aconteceu, ou por causa do tempo de jogo ou por causa de quem leva mais gente para jogar, para ver. Isso sempre se usou, sempre, quando um queria brigar, brigava por aqui, o outro brigava por ali", diz Meligeni.

"Eu sou a favor da coisa igual, da igualitária, pouco me importa se são três ou cinco sets. A pessoa é profissional, a pessoa está levando gente, você vai ter Roland Garros, tem dois jogos masculinos e tem dois jogos femininos, tem puta jogo feminino e puta jogo masculino e eu acho que tem que ganhar igual. Essa história para mim tem que acabar", completa o ex-tenista.

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