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Olimpíada-2020, mistura racial e Ásia podem alavancar algoz de Serena

Naomi concede uma das muitas entrevistas que deu depois do título do US Open - Julian Finney/Getty Images
Naomi concede uma das muitas entrevistas que deu depois do título do US Open Imagem: Julian Finney/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

20/09/2018 04h00

Naomi Osaka já entrou para a história do tênis vencendo o US Open ao bater Serena Williams na final de 2018. Com apenas 20 anos, a jogadora japonesa é tratada como um fenômeno que começa a explodir mundialmente. A timidez e o pedido de desculpas ao público que torceu por Serena contrastam com a força em quadra - e também no mundo dos negócios.

Primeira japonesa a vencer a chave de simples de um Grand Slam, Naomi é filha de pai haitiano e mãe japonesa. Nasceu em Osaka e se mudou para os Estados Unidos com apenas três anos. Não fala japonês fluente, mas sua imagem faz isso por ela: a cerca de dois anos da Olimpíada de Tóquio, a mestiça enfraquece até as barreiras raciais nipônicas.

Um dos países mais homogêneos quanto ao mapa racial, o Japão ainda lida com preconceitos sobre a minoria mestiça. A própria Naomi enfrentou esse tema na família. Seu avô materno não aprovou o relacionamento da filha com um homem haitiano. O resultado disso foi um afastamento de quase dez anos.

Japonesa Naomi Osaka durante final do US Open 2018 contra Serena Williams - AP Photo/Adam Hunger - AP Photo/Adam Hunger
Naomi será uma das mais bem pagas atletas da Adidas no mundo
Imagem: AP Photo/Adam Hunger

A própria tenista diz que os japoneses ficavam surpresos quando a conheciam. “Quando vou ao Japão, as pessoas ficam confusas. Por causa do meu nome, elas não esperam ver uma garota negra”, disse Naomi numa entrevista em 2016.

Especialistas apostam que o preconceito no Japão está em queda. E Naomi pode ser um símbolo desse novo momento. Pelo menos é assim que sua imagem é vendida no mercado asiático: “Espero que ela esteja mudando as percepções culturais sobre as pessoas multirraciais no Japão. Torço para que ela abra portas para outras pessoas, não só no esporte, mas em toda a sociedade. Ela pode ser a embaixadora dessa mudança”, opinou seu empresário, Stuart Duguid, ao “The New York Times”.

O mercado parece concordar com essa visão. Naomi já tinha o patrocínio de três empresas japonesas: Nissin, Wowow e Yonex. Pouco antes do início do US Open, fechou com a fabricante de relógio Citizen, também sediada no Japão. Após a vitória sobre Serena, a Nissan aumentou a lista de grandes apoiadores vindos de seu país de origem.

A proximidade das Olimpíadas de Tóquio também deve alavancar a exposição de Naomi. Na semana seguinte ao US Open, por exemplo, ela viajou ao Japão e não se deparou mais com pessoas confusas. Em vez disso, foi recebida por fãs no aeroporto e atraiu o interesse de dezenas de jornalistas.

“Nunca tinha visto tantas pessoas numa entrevista coletiva minha, então acho que a ficha está começando a cair”, comentou Naomi durante evento promovido por um patrocinador. Nas entrevistas com os japoneses, ela precisou da ajuda de um tradutor, já que seu idioma principal é o inglês.

Seu rosto também foi amplamente explorado pela mídia local nos dias que se seguiram ao US Open. E tudo indica que a tenista mestiça ganhará cada vez mais espaço não só no Japão.

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